P/1 – Vamos começar nossa entrevista, eu vou pedir para você falar seu nome completo, o local e a data de nascimento.
R – Meu nome é Maria do Socorro Galdino Marques, eu nasci dia 8 de novembro de 1965, em Piancó, Paraíba.
P/1 – E o nome dos seus pais?
R – Edinalra Marques Galdino e José Galdino de Moraes.
P/1 – O Seu José trabalhava com o que? O que você se recorda lá de Piancó?
R – Ele trabalhava numa fábrica, fazendo azulejo, depois minha mãe resolveu mandar ele para cá, em 75, aí depois de muito tempo meu irmão mandou buscar a gente.
P/1 – Seu irmão veio com seu pai?
R – Sim, o mais velho.
P/1 – Da sua infância lá em Piancó, vocês moravam aonde, o que você lembra de mais antigo que você tem de recordação?
R – Eu quase não tenho recordação da minha infância porque a gente morava na cidade, eu vivia mais assim, eu fui morar com a minha tia, tomar conta do bebê dela, era babá, em Natal, Rio Grande do Norte, então eu não tenho, não posso dizer que eu tinha muita infância, porque eu não tive mesmo.
P/1 – Você já começou a trabalhar cedo?
R – Comecei a trabalhar cedo.
P/1 – Você tinha dez anos quando você começou a trabalhar?
R – Cinco.
P/1 – Cinco anos? Como você dava conta de tomar conta do nenê?
R – Dava. Dava conta da criança e da casa, ainda cuidava da casa.
P/1 – E a sua tia trabalhava ou ficava em casa?
R – Ela trabalhava.
P/1 – Você saiu de Piancó e foi para que cidade mesmo?
R – Natal, Rio Grande do Norte.
P/1 – Como é que foi a viagem, você se lembra disso?
R – Aquele tempo era difícil, de ônibus mesmo, super difícil, depois eu fui trabalhar em João Pessoa em casa de família, depois voltei para Piancó, trabalhei também em casa de família, depois com 15 anos eu vim aqui para São Paulo, em 81.
P/1 – Descreve para a gente como é Piancó. Porque...
Continuar leituraP/1 – Vamos começar nossa entrevista, eu vou pedir para você falar seu nome completo, o local e a data de nascimento.
R – Meu nome é Maria do Socorro Galdino Marques, eu nasci dia 8 de novembro de 1965, em Piancó, Paraíba.
P/1 – E o nome dos seus pais?
R – Edinalra Marques Galdino e José Galdino de Moraes.
P/1 – O Seu José trabalhava com o que? O que você se recorda lá de Piancó?
R – Ele trabalhava numa fábrica, fazendo azulejo, depois minha mãe resolveu mandar ele para cá, em 75, aí depois de muito tempo meu irmão mandou buscar a gente.
P/1 – Seu irmão veio com seu pai?
R – Sim, o mais velho.
P/1 – Da sua infância lá em Piancó, vocês moravam aonde, o que você lembra de mais antigo que você tem de recordação?
R – Eu quase não tenho recordação da minha infância porque a gente morava na cidade, eu vivia mais assim, eu fui morar com a minha tia, tomar conta do bebê dela, era babá, em Natal, Rio Grande do Norte, então eu não tenho, não posso dizer que eu tinha muita infância, porque eu não tive mesmo.
P/1 – Você já começou a trabalhar cedo?
R – Comecei a trabalhar cedo.
P/1 – Você tinha dez anos quando você começou a trabalhar?
R – Cinco.
P/1 – Cinco anos? Como você dava conta de tomar conta do nenê?
R – Dava. Dava conta da criança e da casa, ainda cuidava da casa.
P/1 – E a sua tia trabalhava ou ficava em casa?
R – Ela trabalhava.
P/1 – Você saiu de Piancó e foi para que cidade mesmo?
R – Natal, Rio Grande do Norte.
P/1 – Como é que foi a viagem, você se lembra disso?
R – Aquele tempo era difícil, de ônibus mesmo, super difícil, depois eu fui trabalhar em João Pessoa em casa de família, depois voltei para Piancó, trabalhei também em casa de família, depois com 15 anos eu vim aqui para São Paulo, em 81.
P/1 – Descreve para a gente como é Piancó. Porque eu não tenho a mínima ideia de como é a cidade.
R – Nossa, faz tanto tempo! Maravilhosa, muito gostosa, agora dizem que melhorou bastante, não tinha rodoviária agora já tem, diz que mudou bastante.
P/1 – As ruas eram de terra, eram asfaltadas?
R – Era de terra, super difícil mesmo a vida.
P/1 – Como era sua casa da infância?
R – Minha casa não era minha, era da minha avó, era feita de madeira com barro.
P/1 – Vocês são muitos irmãos, quantos?
R – Nove irmãos comigo, quatro homens e cinco mulheres.
P/1 – Como era a convivência de vocês, cada um tinha que fazer uma coisa na casa?
R – Cada um ajudava, minhas irmãs também lavavam roupa de ganho, cada um fazia uma coisinha.
P/1 – E sua mãe era brava?
R – Não, minha mãe era maravilhosa, minha mãe foi uma sofredora, ela trabalhava em hospital, sempre trabalhou num pouquinho de tudo, depois que meu pai veio para cá, ela tomou conta de todos os filhos para sustentar.
P/1 – E por que ela achava que seu pai tinha que vir para São Paulo, o que ela achava?
R – Para ver se aqui tinha um jeito de vida melhor, para ganhar dinheiro, mas meu pai não mandava nada, então ela tinha que sustentar a gente.
P/1 – Depois seu irmão foi?
R – Não.
P/1 – Seu irmão veio com seu pai?
R – Veio com meu pai aí depois que ele mandou um dinheiro que a minha mãe conseguiu vir com um pouco, minha avó me ajudou a comprar a passagem porque não dava para todos virem, senão ia ficar um pouco lá e foi assim.
P/1 – Você não queria ficar lá?
R – Não, não queria ficar sem a minha mãe.
P/1 – Quando que você chegou em São Paulo, o que você estranhou, o que te chamou mais a atenção?
R – A vida, porque quando a gente chegou a gente não tinha onde morar, a gente morou na casa da minha tia Nilza, então ela tem um cômodo de cozinha, então à noite, todo mundo para dormir, no chão, um em cima do outro, fui dormir na casa de uma vizinha, demorou um bom tempo para meu irmão alugar uma casa.
P/1 – Seu irmão estava trabalhando do que aqui?
R – Ele trabalhava de ajudante, de consertar fogão, agora ele aprendeu a profissão e hoje ele é gerente, sócio do dono lá.
P/1 – Bacana. Que bairro vocês foram morar quando chegaram?
R – Vila Rica, pertinho da Vila Antonieta.
P/1 – Descreve para gente, é Zona Leste?
R – É tudo Zona Leste, do ladinho da minha casa mesmo, que é Vila Antonieta.
P/1 – E você estranhou estar numa cidade muito grande?
R – Bastante, porque lá era diferente. Aqui, você chegou num tempo, não tinha nada, não tinha dinheiro, difícil para arranjar serviço se você não tinha trabalhado em firma, mas graças a Deus eu consegui uma firma, sem saber, aí eu aprendi.
P/1 – Essa firma era do quê?
R – Deixa eu ver, faz tanto tempo que eu até esqueci um pouco, era de costura, eles faziam roupa, era na Vila Formosa.
P/1 – Você aprendeu a fazer o que lá?
R – Ajudante geral, arrematava, ajudante geral, fazia um pouco de tudo.
P/1 – Depois você foi trabalhar aonde?
R – Aí eu fui trabalhar na Augustinho Gomes, de fábrica de fazer calça de plástica, trabalhei dez anos lá, assim, eu sempre vendi produtos, Natura, Avon, mas nunca direto, sempre de outras, depois que eu casei, que eu conheci meu marido, ele era viúvo, então eu conheci ele assim, eu conheci ele dentro do ônibus, aí ele viu eu com a revistinha, aí pediu, já no outro dia ele já ficou no meu pé, ele tem 69 anos, vai fazer dia cinco de maio e eu vou fazer 40, graças a Deus a gente se dá muito bem, ele já tinha casa, ele já é avô, a filha dele fez agora dia 11 de março, acho que 42 anos.
P/1 – Mas você não queria casar com ele?
R – Não, não queria.
P/1 – Como que ele te convenceu a casar? Conta essa história que é linda.
R – Foi assim, eu estava desgostosa da vida, dos namorados, dos namorados não, do namorado que eu tinha muito tempo, aí ele me deixou e eu falei: “Ah, está bom.” Aí um dia foi quando eu conheci o Luis, que é meu esposo, e ele estava sempre perto de mim, sempre me dava presente, só que eu falei: “Eu não gosto que me dê presente que eu não vou te dar nada em troca.”
P/1 – Você já avisou.
R – É, já avisei ele ali, sempre gostando de mim, aí um dia eu estava chateada com a vida, não queria mesmo mais saber de homem, aí um dia eu falei: “Você quer ainda casar comigo?” Aí ele foi lá comprou a aliança, a gente ficou noivo, minha mãe veio, meu pai, ninguém pediu em casamento meus pais, eu mesma já tinha uns 24 anos, porque eu casei com 24 anos, eu mesma fui lá eu mesma, aceitei tudo, eu sou independente, eu ajo assim, um pouquinho de tudo.
P/1 – Por isso que ele fala que foi você que pediu em casamento?
R – É, então não pedi para meu pai se eu ia casar ou não ia, fui lá e casei. Graças a Deus ele me deu tudo, fez a festa, e graças a Deus, a gente vai fazer 16 anos, a gente vive bem, ele tem um pouquinho de ciúmes, mas graças a Deus, é um ciúme legal.
P/1 – Legal. Me fala uma coisa, quais foram as primeiras empresas que você teve contato para vender produtos de beleza, de maquiagem?
R – Direto?
P/1 – É, você começou com Avon, com Natura?
R – Com Avon. Primeiro eu vendia Avon, aí eu vendia também a Christian Gray, a Dália, quando eu cheguei, eu vendia as calcinhas avulsas, eu vendia um pouquinho de tudo, eu vendia cocada, eu levava cocada para vender, eu levava um pouco de tudo, eu sempre vendi tudo, quando eu casei, meu marido vendia para um rapaz e o meu marido falou assim: “Você vende muito bem, por que você não vende Natura direto?”
P/1 – Por que você pegava as revistinhas de outras pessoas?
R – É, aí eu falei assim: “Está bem, eu vou vender direto.” Aí esse rapaz, ele não me deu o telefone, ele ia ganhar brinde, aí eu peguei e liguei lá para a central, aí elas mandaram a Deise que é a promotora do meu setor, aí ela foi lá, fiz a ficha, fui aprovada, no outro dia, na outra semana, já fiz os pedidos e estou lá até hoje, meu menino, o Bruno que vai fazer 15 anos, ele não tinha nem um ano, mas o meu cadastro está dizendo que eu tenho nove.
P/1 – Nove anos?
R – De Natura. Nunca fiquei devendo, sempre pago em dia e eu adoro vender Natura, eu gosto mais que de outros produtos.
P/1 – O que te atrai de estar vendendo Natura, o que te dá esse prazer de vender?
R – Tanto do dinheiro quanto do produto, porque os produtos são maravilhosos e todo mundo, a marca todo mundo gosta, então eu adoro vender, se eu tivesse mais dinheiro eu investia mais na Natura, que é maravilhoso vender Natura.
P/1 – É mesmo?
R – É. Gosto das festinhas, gosto também de ir nas reuniões que são legais, são maravilhosas, a minha promotora, a Lu, ela ensina muito bem, os produtos como devem ser usados e os bingos são gostosos e gosto demais de vender Natura mesmo, gosto das festinhas de final de ano.
P/1 – Você acha que é bem orientada para estar vendendo?
R – Sem dúvida.
P/1 – O que te chama atenção nessa coisa da promotora, de ajudar, orientar?
R – Quanto mais você aprende, você passa para a pessoa, então minhas freguesas veem, perguntam e a gente já sabe, por isso eu não falto em uma reunião.
P/1 – Qual é a frequência das reuniões? É mensal, semanal?
R – É 21 dias, cada ciclo tem a reunião. Aí ela está fazendo três dias antes de acabar, porque nós somos as 50 mais, porque ela quer fazer para a gente adiantar mais, ir lá na frente, e as outras é em outros dias.
P/1 – Explica esse negócio das 50 mais?
R – As 50 mais são aquelas que passam mais pedidos e eu estou na frente.
P/1 – De toda Natura?
R – Não, de todo setor.
P/1 – Então, ela reúne primeiro com vocês?
R – Ela conversou com a gerente, aí ele aceitou e a gente faz essa reunião três dias antes.
P/1 – Onde costuma ser?
R – No Carrão, na Avenida Conselheiro Carrão. No escritório, ela alugou um escritório e ela faz lá e fica super gostoso, ela canta parabéns para a gente no nosso aniversário, super legal ela.
P/1 – Quando você virou consultora mesmo, deixou de vender para outra pessoa, conta para a gente como é que foram os primeiros pedidos, fazer você mesmo o pedido, receber a caixa, o que você lembra, o que te marcou?
R – No começo eu não sabia, então a gente pede sempre opinião para quem sabe, toda vez que eu indico alguém, o ano passado eu acho que eu indiquei uma vez, porque na minha porta sempre pede: “Ah, você dá o catálogo?” Eu falo: “Não, não dou, porque está difícil.” Hoje em dia as pessoas estão sujando o nome e então elas não estão nem aí com as pessoas, então eu falo: “Você quer vender?” Aí eu pego, dou o telefone da Lu, do escritório, elas ligam, elas ficam consultoras, mas o primeiro dia foi difícil porque eu não sabia como preencher, mas depois eu fui aprendendo, hoje quando a pessoa entra eu falo: “Pode vir aqui, que eu te ensino.” E elas vão, perguntam como que deve fazer e eu vou lá e ensino.
P/1 – E quando chegou a primeira caixa de produto?
R – Nossa, alegria. Super bom, graças a Deus, estou vendendo Natura, já vendia mesmo direto mesmo e aquele prazer, e as promoções que a gente tem bastante.
P/1 – Você compra produtos da promoção para você ter, como é que é isso?
R – Eu tenho ponta de estoque em casa e eu adoro tirar quando tem promoção e tiro normal também porque eu deixo lá, as freguesas chegam, já veem: “Ah, eu não gosto de comprar em fulano porque ela demora bastante.” Então aqui já tem, aí elas veem e compram, deixam o cheque ou então em dinheiro.
P/1 – Eu queria que você contasse como você montou essa tua ponta de estoque.
R – Eu comecei assim, no lugar do dinheiro do meu lucro, eu fui tirando, eu fui tirando, dois, três produtos e fui pondo na mesa e fui enchendo.
P/1 – Mas onde você montou?
R – Na minha casa, na garagem, que eu não tenho carro, eu pus a garagem como meu trabalho, lá mesmo tem umas cinco ou umas quatro mesas, um pouco de Natura, o que tem mais é Natura e Avon, um pouco do Avon.
P/1 – Demillus também?
R – Demillus eu tenho sim, tenho um pouco de estoque.
P/1 – Também porque é produto que não estraga, não é?
R – Demillus a gente também pode estocar, a Natura já tem vencimento, então eu vou lá vejo, pego, uso, dou para os minhas parentes, mas eu não vendo nada vencido.
P/1 – Como que você ampliou essas suas freguesas, essas suas clientes? Você tinha um tanto de cliente quando você começou diretamente, como que você vai aumentando a tua clientela?
R – Eu acho que eu sou bem vista, o pessoal gosta, eu converso muito, eu falo muito, então eu acho que cada dia, não sei, de repente vem na minha porta, desce de carro, elas vêm de carro, desce e falam assim: “Você tem isso?” Eu deixo ela entrar, elas começam a pegar os produtos, eu dou meu cartãozinho, porque eu tenho meus cartõezinhos, e elas voltam, então eu não vou na casa de ninguém, elas vêm à minha casa, entende?
P/1 – Você tem algum panfleto na porta da sua casa, alguma coisa?
R – Tenho um imenso, Natura, bem grande. Final de ano, estojo, eu compro, faço a faixinha de estojo de Natal de Natura.
P/1 – Você coloca na rua?
R – Não, no portão. No portão tem um bem grande, dois.
P/1 – Você que produz, você que vai atrás?
R – Eu que vou lá, peço para o rapaz fazer e ponho.
P/1 – Que bacana.
R – É super gostoso
P/1 – Ju, você quer fazer alguma pergunta?
P/2 – O que me chamou a atenção é que você tinha percebido, até seu marido percebeu, que você tem facilidade para vender. A tua chegada em São Paulo, quando você chegou, daí em diante você ainda não tinha percebido e começou a vender, sempre vendia alguma coisinha, sua chegada em São Paulo fortaleceu isso, esse dom de vender que você tem, é isso? E a Natura reforçou?
R – Reforçou mais ainda.
P/2 – Está reforçando ainda?
R – Graças a Deus, hoje eu posso dizer que, assim, falar verdade, posso dizer que o que eu tenho hoje é mais do que eu vendo da Natura, hoje eu que paguei os estudos dos meus meninos, que meu marido é jornaleiro, mas o jornal dele não dá muito dinheiro, aposentado, é pouco, então graças a Deus eu mesmo que mantenho minha casa com os meus produtos, eu paguei oito anos de escola de prézinho para o meu menino, pago oito anos de perua, eu que sustento a casa, eu que pago as coisas, compro, pago direitinho, tudo a poder dos produtos.
P/2 – Além de um prazer é uma fonte de renda?
R – Sem dúvida, se não fosse ele, eu nem sei o que seria de mim?
P/2 – Então é bom duas vezes?
R – Duas vezes, três vezes mais.
P/1 – Socorro, que tipo de produto você gosta mais, é de maquiagem, de pele?
R – Eu gosto muito de vender perfume e o Chronos, produto de pele, creme, eu gosto bastante, desodorante também vende bastante, o Chronos eu adoro vender e uso também.
P/1 – Por que você gosta de vender o Chronos?
R – É para o pessoal ficar mais bonita, mais jovem.
P/1 – Você usa também?
R – Eu uso, é a marca que eu uso, eu uso Chronos.
P/1 – E quando você faz uma venda de Chronos para uma cliente que está comprando pela primeira vez, o que você aconselha? O que você fala para ela?
R – Eu falo para ela que são os três básicos, o sabonete líquido, o tônico e o creme que são os três básicos, depois tem o gel e tem mais a área dos olhos, tem esfoliante, dos lábios, tem outros.
P/1 – E maquiagem, você gosta?
R – Gosto, mas eu vendo mais é batom porque a maquiagem o pessoal acha um pouco caro, então, ela não procuram muito, mas sempre que tem promoção, sempre elas querem, elas compram, a base, mas é mais batom mesmo.
P/1 – Como é que se estrutura essa coisa do ciclo para eu entender? A cada quantos dias tem um ciclo?
R – É 21 dias, você trabalha com catálogo, ai eles têm as promoções, acaba, por exemplo, o meu vai acabar dia 24, e dia 24 já vem outro ciclo que é o cinco, aí vai mais 21 dias, acaba e mais outro catálogo, aí tem as promoções.
P/1 – Cada ciclo tem uma reunião para as 50 mais primeiro?
R – Isso.
P/1 – Como é que chama o teu setor, e como é que...
R – Guarujá.
P/1 – Como é que você define sua clientela, são mais mulheres, mais homens?
R – Mais mulher, mas tem bastante homem também.
P/1 – É?
R – É.
P/1 – O que os homens compram?
R – Mais creme de barbear e desodorante. Desodorante, tem um freguês meu que leva quatro, cinco refil de uma vez, adora um de cada, aí eu peguei e dei o refil do Kaiak, ele não conhecia ainda, ah, adorou, quando foi agora, ele veio ele falou assim: “Ah, eu quero o refil do Kaiak” Valeu a pena, deu um a mais e ele...
P/1 – Você faz isso de vez em quando, dá um refil?
R – Dou sim, dou bastante, tudo que eu pego de promoção, eu agrado, eu dou um sabonetinho, sempre eu estou agradando e elas falam: “Que legal! Você sempre agrada.”
P/1 – Dessas clientes mais fixas, que compram mais?
R – Não, todas, até uma que eu nunca vi, eu vou lá, dou um sabonetinho, dou 10% de desconto, quando é acima de 100 e mais, dou um brindezinho, porque elas adoram, aí volta.
P/1 – Volta o dobro. Me fala uma coisa, essa coisa do refil, eles têm consciência que isso acaba ajudando a natureza, acaba economizando, ou é mais prático, o que você fala quando vende um refil para as clientes?
R – Tem gente que até nem gosta de refil, sabia? Às vezes, quando eles veem pela primeira vez eu falo: “Olha, não joga fora porque esse aqui tem refil porque, pelo menos, vai diminuir um pouco seu dinheiro.” Melhor para eles. Tem uns que vem: “Eu quero só comprar também, não quero refil não.” Mas eu aviso porque eu estou no meu direito de avisar, aí tem uns que falam assim: “Ah, mas eu comprei numa casa ali, numa pessoa e ela não me falou que tinha refil.” Sempre tem uma reclamação de outras, então eles gostam, eu falo.
P/1 – E quem não gosta do refil, porque é que é não gosta?
R – Eu não sei, acho que é as pessoas que não se interessam em poupar grana. Não sei, mas eu aviso, porque eu sou uma pessoa que gosto de avisar que tem refil em todos que têm refil.
P/1 – Por mês, não falando em dinheiro, mas quantas clientes você tem por mês, você tem uma ideia?
R – Bastante. Até esse mês, teve uns meses que estava fraco, mas sempre eu também tenho umas freguesas que são assim, elas compram e pagam por mês, então quando chega mais ou menos dia sete, elas vão lá, pagam o que comprou, aí pegam de novo, e no outro mês eu já sei que aquele dinheirinho está certo.
P/1 – E elas pagam pontualmente?
R – Tem umas que sim, tem umas que não, mas ajuda, porque aquele dinheiro que eu sei que vou receber o outro mês, eu vou lá e invisto nos produtos e põe na mesa.
P/1 – Como é que você faz o controle disso, você anota num caderno, você tem o nome das clientes?
R – Tudo isso.
P/1 – Como é que você faz?
R – Tudo que elas compram, eu ponho num caderno, eu tenho um caderno da Avon, tenho de todos, da Natura, então eu ponho o nome, o que ela comprou, a data e tal dia que ela vai pagar.
P/1 – Você tem ideia de quantas clientes você tem mais ou menos?
R – Não, porque eu tinha um cadastro, mas acabei, porque elas compram um pouquinho de tudo, mas eu tenho bastante porque eu uso muito caderno e gasta bastante.
P/1 – Mas alguma vez você fez esse cadastro, você chegou a ter uma ideia?
R – Já.
P/1 – Quantos assim, mais ou menos? Só para a gente ter uma ideia.
R – Umas 30 ou mais, porque eu tenho mesmo, elas vem e sempre vendo bastante mesmo, elas querem, às vezes, elas não têm, quando eu conheço bem, eu falo: “Deixa que para o próximo mês você vem me dar.”
P/1 – Na base da confiança?
R – Mais mulher mesmo, porque homem é mais assim final de ano, aí um presentinho aqui, passa bastante na porta, mas as freguesas mesmo é mais mulher mesmo.
P/1 – Tem o Chronos que você vende bem, e da área de perfumaria o que vende bem?
R – Nossa, o Kaiak, o Kaiak vende bastante, tanto a Aventura como o normal, que a gente fala tradicional.
P/1 – Esse é voltado para o público masculino?
R – É, o feminino é mais assim, o Kaiak também é feminino, vende também, o Sintonia está saindo bem para feminino, a linha refrescante que é a Musk, essa linha sai bastante, tudo que eu ponho, sai.
P/1 – Você tem alguma história engraçada com alguma cliente, algum causo pitoresco, dela pedir uma coisa, você entregar outra, ou dela querer uma cor e ser confuso, tem alguma história engraçada, pitoresca?
R – Não, não faço isso não, porque se não tem, eu já falo para ela: “Não tenho.” Então eu não gosto nunca de empurrar outra coisa, a não ser que ela venha e fale que não tinha isso. “Se você quiser outra coisa, você vê aí.” Mas não deve empurrar outra coisa porque fica chato, a pessoa acaba indo em outro lugar: “Ah,eu encomendei o Musk e a pessoa me dá outra colônia.” Elas não gostam, se elas pedem uma coisa, você tem que dar aquela coisa, então eu não acho certo isso aí.
P/1 – Elas são fiéis ao produto?
R – Se ela quer o Lu, é só o Lu, se ela que o Natural, não é só Natural, mas a partir do homem, então, às vezes, tem rapazes que vai lá e diz que a única coisa que ele conhecia era o Sr. N: “Tia, a senhora tem o Sr. N?” Então eu falo assim: “Você já conhece Natura Homem?” Então eu vou lá, passo a amostrinha, aí ele falou: “Nossa, é gostoso mesmo, dá ele para mim.” Então até hoje, eu comecei a pegar cliente freguês, homem, mais pela Natura Homem, porque é muito gostoso, aí deixa o Sr. N de lado, claro.
P/1 – Porque o Sr. N vendia muito, não é?
R – É, até vende, mas está um pouco bem mais...
P/1 – E quando algum produto sai de linha, o que acontece?
R – É chato, porque ontem mesmo um rapaz passou, o carteiro: “A senhora tem o Sr. N da colônia?” “Ih, já saiu o ano passado.” “Ah, mas eu gostava tanto.” Eu falo: “Mas tem outros legais, o Kaiak, tem Sintonia, tem o Biografia, que é Natura Homem.” Ele falou: “Está bom, depois eu venho comprar.” Mas eles ficam tristes, tanto que voltou outras colônias, eu falo para eles: “Sabe o que você faz? Liga lá no ____ e pede para eles.” Porque dizem que quando você liga, eles voltam o produto.
P/1 – Quando tem reclamação, eles voltam o produto?
R – É.
P/1 – Isso é interessante, aí você fala para eles ligarem.
R – Eles têm que ligar porque quanto mais ligarem, porque é o consumidor, então eles que têm que ligar.
P/1 – A Natura tem um setor de atendimento ao consultor para essas coisas, para o consumidor?
R – É.
P/1 – Que bacana. Falando das festas, você já participou de alguma festa assim...
R – De evento?
P/1 – É, de algum evento?
R – Desde que eu entrei, só um dia que eu não quis ir, acho que foi o ano retrasado, que eu não estava a fim de ir, foi a primeira vez que teve a festa lá no Cajamar, essa é a segunda, agora o ano passado eu fui, maravilhoso, foi ótimo.
P/1 – O que você mais gostou?
R – Gostei? Eu gosto de dançar, pular, que a gente se diverte e o jantar também é muito gostoso conversar, eles falam, foi muito gostoso, eu adoro.
P/1 – Você já foi homenageada alguma vez?
R – Não, ainda não.
P/1 – É seu sonho?
R – É.
P/1 – Que bacana. E lá nesse jantar, o pessoal da Natura, as promotoras estão lá, os donos, como é que é isso, você conhece?
R – Já conheci o presidente, já tirei foto com ele, ele é super legal, uma pessoa simples, maravilhoso ele é, você fala assim: “Vamos tirar uma foto?” Ele vem, abraça.
P/1 – Bacana.
R – Muito bom.
P/1 – E a fábrica, você já conheceu?
R – Conheci. Teve um dia que levaram a gente para conhecer, assim, conhecer de conhecer, assim no vidro, porque não pode entrar, mas fui uma vez.
P/1 – O que você gostou da fábrica, o que te chamou mais a atenção?
R – O modo de colocar os produtos dentro da caixa.
P/1 – Que vai para vocês?
R – É.
P/1 – Por que, o que te chamou a atenção?
R – O modo de colocar, que fica descendo, a esteira já desce, já põe lá, já cai tudo lá dentro.
P/1 – É bem automático assim?
R – É, automático.
P/1 – Ah.
R – Legal. Ah, então você perguntou se eu tive uma homenagem, eu tive sim, eu tive uma homenagem na festa, porque na festa elas falam nome da pessoa que está em primeiro, segundo e terceiro, então eu já fiquei, eu tenho três troféus, de terceiro lugar, aí eu tenho troféu em casa e o nome que eles falam lá, quer dizer, é emocionante, a gente fica contente: “Seu nome está lá, olha!” Aí você recebe da promotora o troféu, maravilhoso.
P/1 – E o seu primeiro dia?
R – O primeiro dia foi maravilhoso, eu falei: “Nossa! Que legal!” Pena que eles não dão prêmios, mas a gente fica contente porque a gente tem uma festa maravilhosa, a gente tem, de tantas, você está no meio de dez, você está no terceiro, segundo, primeiro, então é maravilhoso.
P/1 – E as colegas? Como é que é seu relacionamento com elas?
R – Maravilhoso, por isso que eu gosto também de ir na reunião, porque cada dia você conhece mais amigas, você tem bastante amigas, a gente conversa, fica conversando sobre casa, sobre trabalho, a gente troca produtos, para a gente atender mais rápido a freguesa, maravilhoso, elas são legais.
P/1 – Tem uma outra empresa que você não gosta tanto de ir nas reuniões, então, não precisa falar o nome da empresa, mas quem vai no seu lugar e por que você não gosta de ir?
R – Meu marido. Eu não gosto mesmo, porque eu já falei que não tem nada a ver de reunião, então eu peço para ele levar o papel, porque é tudo preenchido, então ele vai, ele entrega para minha promotora e ele traz, porque eu não vou em duas reuniões, eu vendo mais dois produtos e eu não gosto muito de ir nas reuniões, não tem nada a ver ir nas reuniões, eu só vou mesmo nas da Natura.
P/1 – Por quê? Você acha que elas sabem fazer melhor reunião?
R – Sabem.
P/1 – O que é diferente?
R – Super diferente. Porque as outras, a gente vai lá e tal, tinha umas lá que não tinha nem água para beber, a gente vai com sede, lógico que a gente sente sede mesmo, não vou dizer comer, porque ninguém é obrigado a fazer lanchinho para ninguém, mas a gente ia, ficava três a quatro horas, aí chega lá tem que comprar produtos para entrar no bingo, isso não é certo, se tem bingo tem que dar para todo mundo sem ninguém precisar comprar, porque tinha que ir comprando.
P/1 – Seu marido não reclama de ter que ir lá na outra reunião?
R – Ele vai um pouquinho chiando, mas ele vai.
P/1 – Na Natura, ele te ajuda, como é que é?
R – Não, na Natura ele me ajuda, ele vai: “Lu, vai entregar produto para mim?” Ele vai, ele me ajuda bastante.
P/1 – O que ele acha desse seu trabalho?
R – Maravilhoso, porque é o sustento da gente, ele gosta, ele me dá bastante incentivo, foi ele mesmo que me deu incentivo de eu começar a vender, porque eu já vendia para outro e ele: “Você vende bastante, então vende direto.” Então, quer dizer, o incentivo já foi dele.
P/1 – Ele não teve ciúmes?
R – Teve, um pouco, no começo eu não ia em reunião porque ele achava que eu não estava na reunião, então eu comecei a falar: “Você vai lá no lugar que eu estou e você vai ver que eu estou lá.” Então ele começou a ficar mais seguro e hoje eu vou e ele não fala mais nada, ele sabe que eu chego, às vezes, eu ganho bingo e tudo, mas eu acho que o que vale é união, é confiança, você ter confiança num e no outro, sem a confiança ninguém, ninguém, o casal não vai para frente.
P/1 – Não, né? Me fala uma coisa, tem algum produto que ele gosta de consumir, que você dá para ele, que ele gosta?
R – Ele, O Kaiak ele usa, meu menino ele usa bastante, por mês, eu tenho que dar um perfume para ele, o Bruno é assim, ele usa, se for possível, num dia, o perfume todinho, como ele anda cheiroso! Ele adora andar cheiroso, a menina do colégio falou que ele é o mais cheiroso.
P/1 – É um sucesso, não é?
R – Aí eles falam assim: “A sua mãe é dona da Natura.” Eu falo: “Nossa, eu queria ser mesmo.” Então eu dei o Sintonia para ele, já acabou em dezembro, você acha? Desodorante, eu acho que ele não tem mais um produto, só o Essencial que ele não usou ainda, mas quase todos eles já usou ainda e adora.
P/1 – E o Rubens?
R – O Rubens já é mais quietinho, ele não gosta muito de perfume, ele tem, mas ele não curte muito não.
P/1 – Com quantos anos o Rubens está?
R – Dez.
P/1 – É, ele é mais criança.
R – Por enquanto ele não curte muito não.
P/1 – Cássia, você quer perguntar alguma coisa?
P/3 – Não, está tudo certo.
P/1 – Mais alguém da sua família vende produto Natura?
R – Vende, elas vendem para mim, a minha irmã Elza, que é mãe da Giovana, a minha irmã Vera e a Lourdes.
P/1 – Já está com uma equipe aí, não é?
R – Eu tenho umas vendedorinhas aí que vendem para mim, acho que umas quinze.
P/1 – Nossa!
R – Porque não adianta, eu tinha bastante, mas elas não chegavam a me dar o produto, então, o meu foco mesmo, sou eu mesmo, que vendo mais, então elas vendem, mas se eu for depender assim e falar assim: “Eu quero tanto para fazer meus pedidos.” Se eu não for lá e fazer, confio em Deus, em primeiro lugar em Deus e o que rolar eu faço.
P/1 – Que sonho que você tem para realizar?
R – Isso mesmo. Eu quero conseguir agora, essa semana, eu consegui também um sonho, que fazia 16 anos que eu estava a precisando, uma televisão, consegui comprar com o dinheiro da Natura, dos meus produtos, e meu vídeo, agora eu quero computador para o meu menino e, mais pra frente, Deus vai me ajudar e eu consigo mais coisas.
P/1 – Qual que você quer, que mais você quer?
R – No momento mesmo só o computador, carro eu não tenho muito sonho não porque eu não sei dirigir, eu não tenho muito sonho de ter carro, mas é mais o estudo dos meus meninos, quem sabe uma faculdade, é isso.
P/1 – Me fala uma coisa, da sua autoestima, o que mudou depois que você começou a vender Natura, para a sua autoestima, a sua segurança de ter dinheiro, de se sentir mais bonita, o que mudou?
R – Bonita? Ah, assim, ter seu dinheiro, você não depender de ninguém, só de Deus mesmo e dos produtos que você vender, das freguesas que eu peço também muita saúde para elas e vir na minha porta comprar, você ter sua segurança, ter seu dinheirinho, não ficar dependendo de ninguém, é isso que você precisa.
P/1 – E falando assim, essas coisas dos conceitos que a Natura trabalha, para você o que é uma pessoa bonita, uma pessoa bonita como que ela é, por dentro e por fora?
R – Ter saúde, não ser bonita por fora, mas por dentro, a pessoa ser humilde, a pessoa estar sempre ajudando a outra pessoa, eu acho que é isso, não bonita por fora, se é bonita por fora mas se por dentro você não for, no seu interior você não é, então você acaba ficando, então não é legal.
P/1 – E falando da beleza da mulher brasileira, o que a mulher brasileira tem de bonito?
R – O que tem de bonito?
P/1 – É.
R – Eu não sei. Não sei, essa pergunta, eu já não sei.
P/1 – Está joia. Para a gente acabar a entrevista, Socorro, o que você acha de ter participado dessa entrevista, que a sua entrevista vai fazer parte do Projeto Memória?
R – Adorei, gostei demais.
P/1 – O que você achou de falar de você, dessa sua trajetória?
R – Uma vez, logo no começo me ligaram, falando que eu ia fazer uma pesquisa, não sei se era assim, aí não deu, eu fiquei doente, cancelei e tudo, mas já fui convidada em outros lugares, nunca fui, mas já fui convidada, mas aí eu falei, mas eu acho que hoje tem tudo a ver.
P/1 – Hoje aqui?
R – É. Então eu deixei tudo e falei: “Vou sim.”
P/1 – Me fala uma última coisa, se você fosse fazer um autorretrato seu, o que você ia fazer, como é a avaliação?
R – Eu sou alegre, eu sou contente, me dou bastante com as pessoas, gosto de conversar, as pessoas chegam pedindo opinião, aí elas contam seus problemas, eu ajudo, então eu acho que sou uma pessoa alegre, contente.
P/1 – Está joia. Tem alguma coisa que você acha que ficou faltando falar, que você gostaria?
R – Não, acho que não.
P/1 – Então em nome da Natura e do Museu da Pessoa eu agradeço a sua vinda e a sua colaboração com essa entrevista. Obrigada.
R – Obrigada a vocês, eu adorei.
P/1 – Que bom.
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