“Minhas lembranças, meu patrimônio”
Recordo-me, de quando pequena, meus pais sempre diziam para respeitar os mais velhos, não usar saia ou shorts muito curtos e nem maquilagem, freqüentar a igreja nos finais de semana, estudar bastante para não ficar burra, obedecer às professoras e não brigar com os colegas, reunir-se com a família (parentes) em ocasiões especiais como aniversários, natal, ano novo, etc.
Quando eu entrei para a escola, era quieta na sala de aula, quase não falava, pois para a professora o bom aluno era aquele que ficava quietinho copiando tudo o que ela passava no quadro.
A escola onde estudei era muito boa, uma escola ampla, brincávamos bastante. Lembro de algumas professoras, como a que contava histórias quando alguma professora faltava, também recordo da professora de educação artística onde o que mais fazíamos era bandeirinhas para festa junina e enfeitávamos a sala de aula, o pátio da escola; fazíamos objetos e cartões para o dia dos pais; pintávamos com têmpera folhas de cartolina para enfeitar a sala de aula em datas comemorativas. Hoje sei que eram apenas atividades, mas que eu gostava muito.
Outra professora que não esqueci, foi a de música, eu adorava cantar e geralmente eram canções natalinas, comemorativas e de alguns cantores como Roberto Carlos e outros, eu gostava de ouvir ela falar, tinha um jeito meigo, paciência, isso sempre me faz lembrar dela.
Eu gostava de ir a escola para brincar com as colegas. No caminho pegávamos flores para dar a professora. Que “cheirinho bom”, parece que sinto até hoje quando lembro. Naquela época era normal dar flores para professora todos os dias, como um gesto de agradecimento e carinho.
Lembro-me das festas que eram realizadas na escola, era muito bom Tinha várias brincadeiras, como pescaria, danças, apresentações de fantoches e muito mais.
Nunca esqueci da professora e das aulas de matemática que eu detestava, eu não entendia as contas de divisão...
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“Minhas lembranças, meu patrimônio”
Recordo-me, de quando pequena, meus pais sempre diziam para respeitar os mais velhos, não usar saia ou shorts muito curtos e nem maquilagem, freqüentar a igreja nos finais de semana, estudar bastante para não ficar burra, obedecer às professoras e não brigar com os colegas, reunir-se com a família (parentes) em ocasiões especiais como aniversários, natal, ano novo, etc.
Quando eu entrei para a escola, era quieta na sala de aula, quase não falava, pois para a professora o bom aluno era aquele que ficava quietinho copiando tudo o que ela passava no quadro.
A escola onde estudei era muito boa, uma escola ampla, brincávamos bastante. Lembro de algumas professoras, como a que contava histórias quando alguma professora faltava, também recordo da professora de educação artística onde o que mais fazíamos era bandeirinhas para festa junina e enfeitávamos a sala de aula, o pátio da escola; fazíamos objetos e cartões para o dia dos pais; pintávamos com têmpera folhas de cartolina para enfeitar a sala de aula em datas comemorativas. Hoje sei que eram apenas atividades, mas que eu gostava muito.
Outra professora que não esqueci, foi a de música, eu adorava cantar e geralmente eram canções natalinas, comemorativas e de alguns cantores como Roberto Carlos e outros, eu gostava de ouvir ela falar, tinha um jeito meigo, paciência, isso sempre me faz lembrar dela.
Eu gostava de ir a escola para brincar com as colegas. No caminho pegávamos flores para dar a professora. Que “cheirinho bom”, parece que sinto até hoje quando lembro. Naquela época era normal dar flores para professora todos os dias, como um gesto de agradecimento e carinho.
Lembro-me das festas que eram realizadas na escola, era muito bom Tinha várias brincadeiras, como pescaria, danças, apresentações de fantoches e muito mais.
Nunca esqueci da professora e das aulas de matemática que eu detestava, eu não entendia as contas de divisão e a professora já sem paciência riscava em meu caderno com a unha dizendo ”é assim, é assim que se faz”. Essas aulas eram, para mim, uma tortura, mas, consegui aprender, passar de ano e superar as angustias.
O tempo passou, tivemos problemas graves na família, acabei parando de estudar. Hoje sei que foi um erro. Mais tarde me casei, tive dois filhos maravilhosos e depois de algum tempo decidi voltar a estudar. Completei o ensino médio, mas, não queria parar mais de estudar. Busquei informações junto ao colegiado do curso de Artes Visuais, para esclarecer algumas dúvidas a respeito do curso ao qual me agradou muito, pela variedade de disciplinas como a fotografia, pintura, escultura, cerâmica, cinema, multimídia, design, computação gráfica, geometria, história da arte entre outras mais. Prestei vestibular, entrei para a universidade, no curso de Artes Visuais, modalidade-licenciatura.
No começo estranhei muito, principalmente ficar sentada em uma sala de aula depois de muitos anos sem estudar em uma escola, fazer trabalhos, seminários, pesquisas, provas. Eu estava contente, ansiosa por realizar a minha vontade de estudar novamente, claro que, com o passar do tempo tive decepções com algumas disciplinas e outros problemas que foram surgindo, mas nada que influenciasse nos meus objetivos, nas minhas expectativas e, principalmente a de concluir o curso.
Desde pequena eu havia criado a imagem do professor como uma pessoa que sabe tudo, que está sempre certa, que não erra e que está sempre preparada. Hoje, é claro, que esta imagem mudou, sei que o professor é uma pessoa normal, que também pode errar, que nem tudo sabe, que muitas vezes enfrenta dificuldades em seu caminho, também tem que estar sempre estudando, se atualizando e, que não é fácil ser um bom professor
Hoje sou graduada em Artes e realizo trabalhos como professora voluntária em algumas escolas do bairro onde moro. Entre os trabalhos realizados está: a leitura e releitura de imagens de obra de arte e mídia; a cidade, o bairro e a escola como patrimônio a ser preservado; observação e análise de cor, formas e estilos em nosso cotidiano; cultura visual e outros. Também organizei e coordenei projetos em Arte na escola, com diversidades artísticas, sociais, culturais e educativas, envolvendo oficinas de música, dança, pintura, escultura, teatro, cinema, gravura, fotografia e materiais recicláveis.
Estou concluindo o curso de Especialização em Patrimônio Cultual, ao qual me enriqueceu muito em conhecimentos. Proporcionou-me a interação com a comunidade do local onde moro, pois minha pesquisa é voltada para a história e cultura do bairro. O método utilizado para a pesquisa foi à história oral, é um método amplo que valoriza o cruzamento de várias fontes como a escritas, imagéticas e fontes orais.
Desejo continuar estudando, necessito estar sempre buscando algo o que aprender e como professora, tenho o dever de estar consciente disso.
O professor tem que estar preparado em uma sala de aula, não só munido de seu conhecimento, mas, preparado para problemas eventuais que possa vir a surgir. Estar ciente de seu trabalho e não se limitar a utilizar o mínimo de sua capacidade.
Não basta só experiência para ser um professor, tem que estar procurando sempre se atualizar dentro do possível, ser observador, construtivo e sensível, é o mínimo que podemos exigir de nós mesmos como educadores.
Como comenta Buoro (2002, p. 21) “Só conseguimos ensinar aquilo que sabemos”.
Adoro lembrar de minha infância, das brincadeiras, da praça, dos passeios, das colegas, enfim, gosto de recordar o meu passado e mesmo ter tido uma infância pobre financeiramente, jamais esquecerei meus momentos de alegria, meu tempo de criança.
A memória é o lugar onde guardamos as imagens, as vozes, as canções e todo tipo de vivência. Construímos histórias a partir do que vemos e ouvimos ou, simplesmente do que lembramos. Segundo Halbwachs (1990, p. 80) “as palavras e o pensamento morrem, mas os escritos permanecem”. A narração escrita tem sua importância na construção da história e cultura de uma sociedade, pois conserva suas lembranças.
Sempre que possível, escrevo fatos que presenciei; descrevo objetos que existiram e que hoje não se vê mais; conto coisas de minha infância, falo de meus antepassados, enfim, estou sempre recordando, pois a memória é trabalho e não um sonho como comenta Bosi (1979).
Pode se dizer que a memória é um elemento formador de sentimentos, de identidade, tanto individual como coletiva, é também um fator relevante na construção histórico-cultural de um povo, assim, minhas lembranças são meu patrimônio, são meus bens que venho adquirindo a cada dia que passa e, que compartilho com a minha família, meus amigos e agora com você.
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