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Personagem: Cynira Casado
Por: Museu da Pessoa, 2 de maio de 2013

À frente, mas bem dentro do seu tempo

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À frente, mas bem dentro do seu tempo

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Meu pai é filho de imigrantes espanhóis e minha mãe é filha de imigrantes italianos. Ambos são nascidos em São Paulo. Foram um casal extremamente feliz, extremamente feliz, um apaixonado pelo outro. Eu tive muita felicidade em nascer neste lar. Minha mãe vem de oito filhos, então eu tinha sete tios de um lado, e papai era de cinco, então eu tenho mais quatro tios pelo lado paterno. Eu fui a primeira neta, sempre muito paparicada, mimada, bajulada. Sempre falavam que eu era boa, bonita, inteligente, e a gente acredita! Então assim eu sou. Na minha casa morava os meus primos Emílio, Nelson e Lindaura. Passamos a infância no quintal, brincando nas férias, tudo com eles. Foi uma delícia. A minha mãe tranquila. Depois do almoço o meu pai não queria nem que ela tirasse o prato da mesa, eles iam para o quarto namorar. Depois papai ia trabalhar e mamãe ficava dormindo. A tarde uma tia minha fazia lanche, a outra me dava banho, quando mamãe acordava, estava quase tudo pronto. E o mesmo acontecia com os meus primos. Se as minhas tias tivessem que sair, a mamãe era quem fazia. Era uma harmonia muito grande. Vivíamos em 16 pessoas e nunca ouve uma briga naquela casa. Era feito um clube, sabe. Eu até escrevi uma crônica chamada ‘as portas do céu’, que fala das três portas que eu entrava, que levavam para um paraíso. A primeira de madeira, tosca, a outra dessas de mola, com vidros jateados, como essas de bang-bang e a última do quintal. Quando eu entrava na primeira, estava em casa, a segunda, da cozinha. Eram cinco fogões, então o cheiro era uma delícia! Era uma mesa enorme! Nós comíamos juntos, mas casa um fazia a sua refeição. Então se eu não estava gostando do bife da minha mãe, eu trocava pelo bolinho da minha tia. Se eu não gostava de peixe, eu trocava por outra carne. Se não queria batatinha cozida, comia batatinha frita da minha avó. Brincávamos muito, e com coisas muito simples. Tinha uma escada que dava para o...

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Dados de acervo

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P/1 – A senhora pode começar falando o seu nome completo, local e data de nascimento?

R – Meu nome é Cynira Casado, eu nasci em São Paulo capital, no dia 05 de março de 1935. Nasci com parteira, coisa que tinha muito na época, e passava na rua um cordão carnavalesco.

P/1 – Nasceu em pleno carnaval.

R – É. Deus me abençoou muito, sempre fui muito feliz.

P/1 – Seus pais são de São Paulo?

R – Meu pai é filho de imigrantes espanhóis e minha mãe é filha de imigrantes italianos. Ambos são nascidos em São Paulo. Foram um casal extremamente feliz, extremamente feliz, um apaixonado pelo outro. Eu tive muita felicidade em nascer neste lar. Minha mãe vem de oito filhos, então eu tinha sete tios de um lado, e papai era de cinco, então eu tenho mas quatro tios pelo lado paterno. Eu fui a primeira neta, sempre muito paparicada, mimada, bajulada. Sempre falavam que eu era boa, bonita, inteligente, e a gente acredita.! . Então assim eu sou.

P/1 – Os seus avôs paternos faziam o que?

R – O meu avô paterno era detetive. Ele trabalhou na época da comissão do café. Fez várias viagens nessa época. Ele era um espanhol elegantíssimo, carismático, sabe?! E a minha avó só trabalhava em casa, porém era de família nobre, distante do Marques de Pombal, lá de Portugal. Era um casal também muito feliz.

P/1 – E os seus avós maternos?

R – A minha avó ficou órfão aos seis anos e foi estudar em um colégio de freiras onde saiu apenas com 16 anos. O pai dela, meu bisavô, retirou ela de lá pois a sua filha mais velha iria casar e ele não teria mais ninguém para cozinhar para ele. Então a minha avó, quase terminando um curso de piano e apaixonada pelo professor, teve que sair deste lugar e ela foi trabalhar para o meu bisavô até se casar. Ela conhecia e namorava com o meu avô e um dia, o meu biavô viu ela com uma escova, tirando uma poeirinha do paletó e disse pra ela: “agora você vai ter que casar”. E ela casou. Foram felizes,...

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