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Personagem: Telma Fernandes Souza
Por: Museu da Pessoa, 1 de novembro de 2013

“Causos” sobrenaturais

Esta história contém:

“Causos” sobrenaturais

Na infância nós morávamos no bairro que hoje é Parquelândia, chamava-se Canto do Pio e hoje é Parquelêndia, nasci e me criei nesse bairro. Esse bairro era tão gostoso, assim, porque naquela época não tinha muita violência, então você sentava na calçada, e o bom que todo dia às quatro horas da tarde a gente tomava banho, se arrumava

e ia pra esquina, o point do bairro era essa esquina, nessa esquina tinha muito vento, se você vestisse uma saia ou uma coisa o vento dava e os rapazes ficavam lá na esquina só pra ver as calças das meninas. A brincadeira de infância era bandeirante, era no campo, ficava uma turma, tipo assim, cinco pessoas de um lado, cinco pro outro e cada lado tinha uma bandeira, que a gente chamava, que era um pau, né, então essa, a turma desse lado aqui tinha que entrar desse lado pra pegar a bandeira. Então aqui o pessoal tinha que fazer um jeito de não deixar a pessoa entrar pra pegar a bandeira, aí se pegasse a gente ficava presa, ficava como fosse uma estátua, aí uma lado tinha que vir, entrar a pessoa, se batesse na pessoa que estava com a bandeira podia se salvar pra ganhar, a gente só brincava disso aí, como a gente era muito pobre não tinha esse negócio de boneca, nem esses videogames, não tinha nada, a gente nem sonhava, nem sonhava em celular, televisão nem pensar, não tinha nada. De tarde ia pra esquina, né, como fosse assim, fosse uma paquera, né, naquele tempo era flerte, era muito gostoso.

Meu pai sempre foi muito austero, muito, muito, porque assim, militar, então militar é tido como autoridade, e ele bebia muito, na nossa casa na sala não tinha nada, não tinha mesa, não tinha sofá. Ele tinha mania de fazer umas festas dentro de casa, só criança, e trazia os amigos, tudo bebendo, as vezes também, quando ele bebia demais ele ficava fora de si, mandava todo mundo se embora, uma das vezes a minha mãe dormiu, a minha mãe e dois irmãos dormiram no jardim, eu, como era a mais nova, e tinha...

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Dados de acervo

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P/1 – Telma, você pode falar o seu nome completo, local e data de nascimento?

R – Telma Fernandes Souza, eu nasci em Fortaleza, dia 6 de janeiro e 1952.

P/1 – Seus pais são de Fortaleza, Telma?

R – Eram de Fortaleza, estão falecidos.

P/1 – O seu pai, como é o nome dele?

R – José Ferreira de Souza.

P/1 – O que ele fazia?

R – Ele era capitão do exército, minha mãe era doméstica, né, então to sem pai, sem mãe, sem marido, sem namorado, sem noivo.

P/1 – Ahn?

R – Sem namorado, sem marido, sem noivo, sem pai e sem mãe.

P/1 – Mas ela não casou com o seu pai?

R – Não, eu digo eu, eu, eu (risos).

P/1 – Você sabe como o seu pai e sua mãe se conheceram?

R – Foi numa quermesse, porque a minha mãe, ela gostava muito de namorado que vestisse farda, é tanto que o apelido dela é Maria, era Maria Batalhão (risos), aí ela falou que tava numa quermesse e acho que foi aquele flerte assim mesmo. Aí depois ele foi pra guerra, teve uma guerra, acho que em São Paulo, né, aí quando voltou casou-se com ela, tiveram nove filhos.

P/1 – Você é qual desses nove?

R – Sou a mais nova das mulheres.

P/1 – Sua mãe chama como?

R – Alda, Dona Alda.

P/1 – Vocês moravam em que bairro na infância?

R – Na infância nós morávamos, que hoje é Parquelândia, chamava-se Canto do Pio e hoje é Parquelêndia o bairro, nasci e me criei nesse bairro.

P/1 – Como é que era essa bairro?

R – Ah, esse bairro era tão gostoso, assim, porque naquela época não tinha muita violência, então você sentava na calçada, e o bom que todo dia às quatro horas da tarde a gente tomava banho, se arrumava e ia pra esquina, então o point do bairro era essa esquina, então essa esquina tinha muito vento, se você vestisse uma saia ou uma coisa o vento dava e os rapazes ficavam lá na esquina só pra ver as calças das meninas (risos). Mas era muito gostoso, muito gostoso, ate hoje a gente tem amizade lá nesse bairro, apesar de...

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