P/1 – Telma, você pode falar o seu nome completo, local e data de nascimento?
R – Telma Fernandes Souza, eu nasci em Fortaleza, dia 6 de janeiro e 1952.
P/1 – Seus pais são de Fortaleza, Telma?
R – Eram de Fortaleza, estão falecidos.
P/1 – O seu pai, como é o nome dele?
R – José Ferreira de Souza.
P/1 – O que ele fazia?
R – Ele era capitão do exército, minha mãe era doméstica, né, então to sem pai, sem mãe, sem marido, sem namorado, sem noivo.
P/1 – Ahn?
R – Sem namorado, sem marido, sem noivo, sem pai e sem mãe.
P/1 – Mas ela não casou com o seu pai?
R – Não, eu digo eu, eu, eu (risos).
P/1 – Você sabe como o seu pai e sua mãe se conheceram?
R – Foi numa quermesse, porque a minha mãe, ela gostava muito de namorado que vestisse farda, é tanto que o apelido dela é Maria, era Maria Batalhão (risos), aí ela falou que tava numa quermesse e acho que foi aquele flerte assim mesmo. Aí depois ele foi pra guerra, teve uma guerra, acho que em São Paulo, né, aí quando voltou casou-se com ela, tiveram nove filhos.
P/1 – Você é qual desses nove?
R – Sou a mais nova das mulheres.
P/1 – Sua mãe chama como?
R – Alda, Dona Alda.
P/1 – Vocês moravam em que bairro na infância?
R – Na infância nós morávamos, que hoje é Parquelândia, chamava-se Canto do Pio e hoje é Parquelêndia o bairro, nasci e me criei nesse bairro.
P/1 – Como é que era essa bairro?
R – Ah, esse bairro era tão gostoso, assim, porque naquela época não tinha muita violência, então você sentava na calçada, e o bom que todo dia às quatro horas da tarde a gente tomava banho, se arrumava e ia pra esquina, então o point do bairro era essa esquina, então essa esquina tinha muito vento, se você vestisse uma saia ou uma coisa o vento dava e os rapazes ficavam lá na esquina só pra ver as calças das meninas (risos). Mas era muito gostoso, muito gostoso, ate hoje a gente tem amizade lá nesse bairro, apesar de ter crescido muito, mas muitas pessoas da época ainda moram lá.
P/1 – Quais eram as suas brincadeiras de infância?
R – Era bandeirante, não sei se você conhece, que era no campo, aí ficava uma turma, tipo assim, cinco pessoas de um lado, cinco pro outro e cada lado tinha uma bandeira, que a gente chamava, que era um pau, né, então essa, a turma desse lado aqui tinha que entrar desse lado pra pegar a bandeira, é como se fosse uma bola, né? Então aqui o pessoal tinha que fazer um jeito de não deixar a pessoa entrar pra pegar a bandeira, aí se pegasse a gente ficava presa, ficava assim, né, aí ficava como fosse uma estátua, aí uma lado tinha que vir, entrar a pessoa, se batesse na pessoa que tava com a bandeira podia se salvar pra ganhar, a gente só brincava disso aí, era bandeirante.
P/1 – E aí essa brincadeira.
R – Pois é, era sempre essa brincadeira, que aí na época, assim, não tinha, como a gente era muito pobre não tinha esse negócio de boneca, nem esses videogames, não tinha nada, a gente nem sonhava, nem sonhava em celular, televisão nem pensar, não tinha televisão, não tinha nada. Era só essa brincadeira mesmo e de tarde ia pra esquina, né, como fosse assim, fosse uma paquera, né, naquele tempo era flerte, era flerte, é, era muito gostoso.
P/1 – Como é que era na sua casa, quem exercia a autoridade, o seu pai ou sua mãe?
R – O meu pai, o meu pai sempre foi muito austero, muito, muito, porque assim, militar, então militar é tido como autoridade, né, e ele bebia muito, ele bebia muito, na nossa casa na sala não tinha nada, não tinha mesa, não tinha sofá, ele simplesmente, ele gostava muito de pescar, ele montava uma rede que ele fazia pra pescar os peixes dele quando ele ia pro mar, né? Então ele era só bebendo, o dinheiro dele era só pra beber, beber, beber, beber, beber, aí foi assim, eram nove em casa, né?
P/1 – Ele brigava com vocês?
R – Não, não brigava assim, mas também, assim, ele tinha mania de fazer umas festas dentro de casa, só criança, e trazia os amigos, tudo bebendo, inclusive teve uma cena, assim, que até hoje eu lembro, que ele levou um amigo, o amigo na sala assim, fazendo xixi na nossa frente, que naquela época ele nem... E quando, e às vezes também, quando ele bebia demais ele ficava fora de si, ele mandava todo mundo se embora, uma das vezes a minha mãe dormiu, a minha mãe e dois irmãos dormiram no jardim, eu, como era a mais nova, e tinha um mais novo, a vizinha nos acolheu, e os três não pôde sair de casa, escondido embaixo da cama e no guarda-roupa, que ele não queria ninguém em casa. Aí uma das vezes também, assim, ele tava tão louco por causa da bebida, que ele bastava gritar o nome da mamãe, sabe, assim, ele não era de bater, eu nunca presenciei nenhuma, assim, uma agressão física não, que ele tava tão louco que o meu irmão, que já era um rapazinho, vestiu a farda dele, o uniforme dele, né, e assim: “Capitão, aqui é o tenente não sei o que”, sabe assim: “Se o senhor não parar o senhor vai preso”, “Tá certo, capitão, tá certo”, quer dizer, nem o filho ele reconheceu de tão louco que ele tava, mas aí pronto. Aí outras vezes também, uma coisa também que eu não esqueço, a gente morava numa casa e a gente tinha uma, naquela época chamava radiola, que é, não sei nem como é que chama hoje, aquelas vitrolas, né, e ele pegava, colocava bem na entrada, bem assim na calçada, a gente morava numa esquina, na outra esquina tinha um bar. Pois ele botava bem na calçada essa radiola, me pegava pra dançar, a gente ia dançando na calçada até a outra esquina, olha a vergonha que a gente passava, um mico, né, aí quando não era eu era outra minha irmã dançando, dançando até com ele na esquina. Pronto, aí quando foi depois ele, depois de muito sofrimento, muita bebida, essas coisas toda, né, ele foi convidado por um amigo pra ir pescar num açude em Varjota, que é um interior aqui do Ceará, e lá ele conheceu uma pessoa, essa pessoa, ela já era, é casada, morava com o marido. E ele foi deixar, quando ele foi embora pra lá ele falou pra mamãe, né, que ia sair de casa, que ia viver só pescando, ele já tava aposentado, né, ia viver só pescando, que ia dar uma pensão pra mamãe, quando tivesse muito melhor de vida ia dar a pensão todinha pra mamãe, o salário todinho, né? Aí ele foi morar, a gente fala que é a Dona Flor e seus dois maridos, porque morava ela com o marido e papai, e o papai dormia no quarto com ela e o marido dormia na sala (risos). E o mais interessante, que a mamãe, assim, ela, eu não sei, porque tanto sofrimento, que ela não teve raiva, não teve ciúme, ao contrário, todas as férias da gente ela mandava a gente pra lá passar as férias com ele e a gente ia, porque tinha um açude, que a gente tomava banho no açude e tudo. E ele faleceu nessa casa ainda com essa mulher, a mulher e o marido dela.
P/1 – Vocês se davam bem com ela?
R – Dava demais, demais (risos), mas como eu te falei, era tão sofrimento que a gente, sabe, a gente, foi um alívio pra gente ele ter ido pra lá, né, apesar de que depois de muitos anos, foi acho que bem uns 13, 14 anos, sei lá, que ele saiu de casa, ele nos procurou, porque até então ele não procurava, a gente que ia lá, assim, quando era momento de criança. Depois que a gente entendeu mais ou menos a vida a gente deixou de ir, né, aí ele esteve doente e acho que, tipo assim, não tinha muito recurso no interior, ele procurou a minha irmã, essa minha irmã casada, só que assim, era casada, tinha filhos, e eu nessa época tava desempregada, então eu que fiquei cuidando dele até ele falecer. Aí ele fez a cirurgia, eu que ia pro hospital com ele, fiquei cinco noites lá, cinco noites e cinco dias lá com ele no hospital direto, aí a gente se entrosou novamente, né, assim, a gente começou a sentir, que até então aquele carinho de pai e filho tinha acabado, né, então aí depois dessa aproximação a gente já, a gente voltou aquele carinho, aquelas coisas toda, tratava ele muito bem. Aí ele, quando ele tava melhor, ele sentia muita saudade da mulher lá do interior, aí ele voltava pra lá, aí quando ele tava doente aí ele vinha pra Fortaleza, aí eu cuidava dele, ia pro hospital, ia, que ele tinha problema de coração, de próstata e tudo, né? Mas ele faleceu lá ao lado dela.
P/1 – E a aposentadoria dele ficou pra quem?
R – Pra minha mãe, sim, aí então, aí ele, esse salário dele, como ele falou, que quando tivesse melhor de vida ia dar, nunca deu, aí ele nomeou um amigo dele, o amigo dele recebia o salário dele e dava uma parte pra minha mãe, só que essa parte, ele tirava uma parte também, o cara, né, então sempre era muito pouco. Aí foi que o meu irmão já tava entendido, meu irmão entrou com a pensão alimentícia, aí já foi tudo oficializado, já foi em banco e tudo, né, e quando ele faleceu ficou com a minha mãe a pensão dele, né? E depois que a minha mãe faleceu as filhas tudo ficaram com pensão, hoje em dia acho que não tem mais isso, nós ficamos com a pensão do meu pai, então essa história, o Capitão Ferreira, Capitão Ferreira muito inteligente, muito inteligente, eu costumo dizer que lá em casa, modéstia a parte, a gente, essa inteligência a gente puxou pra ele, que ele é muito inteligente, é um cabra macho mesmo, sabe, cabra da peste mesmo (risos).
P/1 – Você, quando era criança pra adolescência, você tinha desejo de seguir alguma profissão, alguma carreira?
R – Nenhuma.
P/1 – Você não pensava em nada?
R – Nenhuma, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nunca, assim, nunca pensei, acredita, eu nunca pensei, assim, aí depois, muito tempo, que eu: “Ai, meu Deus, o que que vou seguir, o que que eu vou seguir?”, aí eu disse: “Não, vou seguir, vou Serviço Social, que é pra mim ajudar as pessoas”. Mas aí eu fiz várias vezes vestibular, não passei, aí eu desisti, aí depois digo: “Não, vou fazer”, gostava muito de língua, né, língua inglesa, manjava muito, apesar que eu sei só um pouquinho, aí eu fiz o vestibular pra Letras, fiz pra Letras, fiz dois semestres, mas como eu queria trabalhar e estudar e aqui em Fortaleza não tinha condições. Eu não sei, nenhum concurso aqui em Fortaleza eu passei, aí foi quando eu fui embora pra São Paulo, fui pra São Paulo e lá prestei o concurso do correio, em São Paulo, aí entrei em São Paulo.
P/1 – Por que você foi prestar o concurso em São Paulo?
R – Porque aqui eu nunca passava, nunca passei em nenhum concurso aqui em Fortaleza e lá, os três concursos que eu fiz em São Paulo eu passei, eu não sei.
P/1 – Você fez concurso pra o quê?
R – Pro correio, fiz pra prefeitura e pro estado, tudo da área de saúde, prefeitura e estado na área de saúde.
P/1 – Você queria seguir a carreira pública?
R – Eu queria, o meu objetivo era assim, ter um emprego que eu, assim, um federal que eu conseguisse a transferência pra cá, porque na realidade eu queria ficar aqui em Fortaleza, não queria ficar em São Paulo, né? Então aí na época que eu passei nos três o estado me chamou, aí me chamou não pra ocupar a região que eu optei, né, aí eu digo: “Não, isso aí não, que é muito longe”, eu não fui, depois me chamou pra outra região, também não fui. Aí foi quando o correio me chamou, aí digo: “Não, quero o correio porque o correio é federal e eu posso pedir a transferência”, acho que com dois, três meses que eu tava na correio a prefeitura me chamou pra ganhar o triplo do que o que eu ganhava no correio. Só que tinha outra coisa, eu ia ficar lá o resto da vida, né, que a prefeitura municipal não tem transferência, aí graças a Deus que eu acertei na minha decisão, aí vim embora pra cá.
P/1 – Como é que foi, você já tinha ido pra São Paulo?
R – Já, todas as minhas férias ia pra São Paulo, todas as minhas férias.
P/1 – Não agora, na época.
R – Na época, nas minhas férias, todas eu ia pra São Paulo.
P/1 – Por que você passava férias lá?
R – Porque eu tinha família lá, uma irmã que mora lá, então nas férias assim, quando eu não ia ela: “Não, vou mandar passagem, mandar passagem”, mandava a passagem, eu ia, todas férias eu ia.
P/1 – Quanto tempo você ficou em São Paulo trabalhando?
R – Fiquei três anos no correio.
P/1 – Qual foi a sua impressão, como é que foi morar lá.
R – Mas eu gosto de São Paulo, gosto, inclusive eu sempre falo assim, o dia que eu for embora aqui do correio, que eu deixar o correio, eu vou voltar pra São Paulo, mas interior de São Paulo, não na capital, eu morava lá na Conceição, porque logo eu morava num local bom, perto de estação do metrô, né, quer dizer, eu não tinha muita dificuldade, quer dizer, morava na Conceição, trabalhava na São Bento, na agência central do correio.
P/1 – Você entrou pra fazer o que nos Correios?
R – Representante operacional, atendimento ao público.
P/1 – O que faz?
R – É atender o público, era, porque na época lá eu não atendia, assim, carta nem encomenda, eu fui trabalhar no setor de entregas, era só pra entregar encomendas, o cliente vinha com a notinha que a outra pessoa mandava, né, a gente entregava as encomendas, aí depois vim pra cá.
P/1 – Nesses 23 anos, né, que você tem de Correios.
R – Vinte e três anos.
P/1 – Conta um fato marcante, alguma coisa que tenha acontecido, um causo desses de atendimento ao público.
R – Ichi, o público, é tanto, que eu já briguei tanto, porque minha pressão aumentava muito e eu brigava muito porque, assim, eu não tinha, não tinha, como é que chama? Não tinha paciência de lidar com o público, tinha um negócio na minha cabeça, mas, ai, eu vou te contar porque, quando eu tava em São Paulo, antes de entrar no correio, eu fui trabalhar no Estadão, o jornal Estado de São Paulo, né, e eu fui trabalhar numa campanha de jornal, então foi muito estressante, era o dia todo, a manhã toda era reclamação. Eu acho que isso foi que me causou essa coisa na minha cabeça, que eu fiquei com horror a público, era, eu não aguentava, não aguentava, aí eu só pensava: “Quando eu for entrar pra trabalhar no correio, me chamar, vai se no público”, mas lá era um público, tipo assim, eu ficava no público, primeiro fui fazer, era entrega de passaporte. Aí um dia eu conversei com o meu chefe, né, dessa minha, desse meu problema, que eu tinha esse negócio de atendimento ao público, que eu ficava nervosa, que o coração ficava a tempo de sair, aí dava dor de cabeça, aí ele disse: “Não, Telma, agora vou colocar você interna”, aí eu fiquei interno. Quando eu vim pra cá foi pro balcão de novo, mas só que o pessoal, eu cheguei, já contei logo, contei logo o babado, então o pessoal me ajudava muito, assim, quando tinha uma pessoa mais nervosa o pessoal chamava, mas quando eu vi mesmo que eu não podia, aí eu falei mesmo com o chefe, pronto, até então nunca mais trabalhei em público, só interno, público interno, né? Mas o correio é a maior, eu adoro o correio, e, assim, tudo o que eu tenho eu agradeço o correio, muitas amizades e o fato que eu vou falar não é nem de atendimento, um caso que aconteceu aqui, tem muitas histórias, não sei se alguém já contou de umas almas que aparecem aqui no correio, alguém já falou, não? (risos)
P/1 – O que você tava falando?
R – Então, é porque...
P/1 – Se alguém já contou o quê?
R – Se alguém contou a respeito de algumas almas que aparecem aqui, porque tem causo demais aqui, viu, muito, muito. E tem um meu, na época eu trabalhava aqui na agência central, aqui embaixo, na tesouraria em cima, e eu que abria a agência, né, aqui, passava aqui na portaria, me dava o cartãozinho, tirava a chave, e tinha uma porta aqui do lado que eu que abria. Aí nesse dia eu vinha com o cartãozinho na mão, aí eu vi aquela pessoa assim, do lado de dentro, né, do balcão, perto da máquina de franquear, aí eu: “Meu Deus, o que essa pessoa aí?”, aí eu assim: “Mas eu to com a chave, quem foi que abriu a porta?”, aí eu percebo: “Ichi, será que é um ladrão?”, porque então pulou o balcão, né? E eu olhando pra pessoa, olhando, a pessoa com um cabelinho assim, penteadinho, com a blusa rolê branca, né, tudinho, eu: “Meu Deus”, e eu me aproximando do balcão e a pessoa lá, aí só que a gente entra, não sei se você chegou a ver, tem um corredor assim do lado, do serviço médico, a gente entrava na agência central. Quando eu abri cadê? Aí eu: “Meu Deus, que é isso?”, sumiu, né, subi a escada, fui lá pra tesouraria trabalhar, não passou meia hora bateram na porta, aí eu: “Valha-me, meu Deus”, aí era o rapaz que diz que vinha consertar o ar condicionado, quer dizer, não tinha nada a ver com o que eu vi. Quando o movimento começou, que abriu a agência, tudo, eu tava falando com as meninas, elas assim: “Telma, foi uma amiga nossa que trabalhava aqui com a gente que faleceu, e ela usava muito esse tipo de cabelo que você falou, ela usava muito”, pois era. Então o meu caso foi esse aí, assim, eu fiquei impressionada, impressionada, e tem muitos casos aqui no elevador, assim, quem trabalha, que sai seis horas, cinco e meia, tem muita coisa, de bater na porta. Inclusive tem um caso, diz que um dia um cliente veio aqui, um taxista, veio porque um funcionário pediu o carro, pediu o táxi, quando ele falou o nome do funcionário disse: “Não, já faleceu faz tempo”, mas tem muito caso, muito, muito aqui. Isso aí eu não esqueço nunca, dessa história porque eu vi mesmo, a menina mesmo assim, fiquei com medo na hora, porque pensando não tenho medo de alma, tenho medo de gente viva, mas eu pensava um menino então, esse daí pulou o balcão, então se pulou o balcão não é gente de bem, né, aí quando abri a porta nada. Hoje eu já to aposentada do correio, me aposentei há mais de um ano.
P/1 – Mas continua trabalhando?
R – To trabalhando, to, to saindo, to esperando aí um incentivo do correio pra mim ficar em casa, ficar em casa uns tempos, depois vou continuar fazendo minhas bijuterias pra vender.
P/1 – Você faz bijuteria?
R – É. Sim, tem outra coisa também que quero mostrar aqui, ó, o grande amor da minha vida, que ele já me salvou já duas vezes, que eu tentei suicídio duas vezes, assim, suicídio que eu digo assim, que eu tava sentindo muitas dores de uma cirurgia que eu fiz e peguei o Lexotan pra tomar muitos, né, e na hora ele pediu o braço, por isso que eu digo, foi ele que me salvou, né, por duas vezes, sempre me pediu o braço, aí quando eu botei ele no braço, quer dizer, aí desviou o foco, né, o foco do suicídio.
P/1 – E o segundo qual foi?
R – Também foi a mesma coisa, era muitas dores também e ele me salvando.
P/1 – Cirurgia do quê?
R – Foi um tumor que nasceu debaixo da minha unha, que eu não sei se foi devido a anestesia, não sei, que era muita dor no braço, muita, isso aqui tudinho, que eu não aguentava, não aguentava de dor, aí duas vezes ele fez isso.
P/1 – Você quis se matar por causa disso?
R – Foi, porque era muita dor e eu tomava, tipo assim, não era, era um suicídio porque eu ia tomar muito Lexotan, né, aí eu ia dormir e não sei se acordava, né, e por duas vezes ele fez isso, ele pediu o braço, e ele não é de pedir muito o braço assim, pede o braço na hora que eu vou passear, aí ele pede o braço. Então esse aqui até hoje ele tá comigo, é meu companheiro, eu moro só, né, que minha mãe faleceu, então eu moro só, só eu e ele mesmo, então é o grande amor da minha vida (risos).
P/1 – Telma, quais são seus maiores sonhos hoje?
R – Hoje, deixa eu olhar, que é assim, eu gosto muito de viajar, né, então eu queria viajar, não, mas antes, é assim, eu tenho muito problema, não eu, assim, de família, irmãs que não se entendem, então o meu maior sonho agora seria, assim, reunir elas, né, que se perdoassem, se deixassem briga, porque essa vida é tão pequena, a vida da gente, eu to aqui hoje, não sei se amanhã eu to aqui, né, que deixasse esse ódio. Então o meu sonho era reunir, que realmente acabasse essa bronca delas, né, e a gente vivesse realmente uma família feliz, porque a gente nunca, assim, nunca foi de separar nem nada, mas não sei se é o tempo, que o pessoal parece que não tá tendo mais paciência com nada, muito estressante, pronto, é isso aí. E que agora meu sonho era só viajar, só viajar (risos).
P/1 – Eu queria agradecer, Telma, obrigada pela entrevista.
R – Obrigada, e eu também, eu também agradeço também você aí, viu, queria muito ter saído no jornal, no Diário do Nordeste, né?
FINAL DA ENTREVISTA
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