Projeto: Museu Clube da Esquina
Depoimento: André Quintão Silva
Entrevistado por: José Santos e Pablo Dawney
Local: Belo Horizonte, 17 de abril de 2004
Realização: Instituto Museu da Pessoa
Entrevista: MCE_CB001
Transcrito por: Maria da Conceição Amaral da Silva
P/1 – Então, bom dia André.
R – Bom dia.
P/1 – Eu queria começar a entrevista perguntando o seu nome completo, data e local de nascimento.
R – André Quintão Silva. Nascido em 5 de agosto de 1964, na cidade de Belo Horizonte.
P/1 – Você podia falar assim sucintamente um resumo da sua trajetória profissional e política?
R – Eu nasci, como disse, aqui na cidade de Belo Horizonte. Sempre estudei em escolas públicas. Tive a oportunidade de fazer o antigo científico no Colégio Estadual Central. E aos 15 anos comecei a trabalhar na extinta Minas Caixa, como mensageiro concursado. Depois em concurso interno, fui escriturário e por lá fiquei praticamente oito anos, até próximo da extinção dessa instituição. Fiz o curso de Serviço Social na Universidade Católica de Minas Gerais, e de Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais. Um período aí de transição da ditadura para o regime democrático no país. Lá na universidade iniciei uma forte militância no movimento estudantil. Fui coordenador do DA de Serviço Social. Do DE da Universidade Católica. E já no ano, no início da década de 1980, me filiei ao Partido dos Trabalhadores, fui assessor parlamentar de 1989 a 1992 do então vereador Patrus Ananias. Fui Secretário de Desenvolvimento Social no primeiro governo do PT em Belo Horizonte, na gestão do Patrus. Vereador eleito em 1996 no primeiro mandato, tendo sido líder do prefeito Célio de Castro na Câmara Municipal. Depois tive a oportunidade de ser reconduzido à Câmara no segundo mandato no ano de 2000. E no ano de 2002, eleito deputado estadual pelo PT. Hoje, na Assembléia sou presidente da Comissão de Participação Popular e coordenador...
Continuar leituraProjeto: Museu Clube da Esquina
Depoimento: André Quintão Silva
Entrevistado por: José Santos e Pablo Dawney
Local: Belo Horizonte, 17 de abril de 2004
Realização: Instituto Museu da Pessoa
Entrevista: MCE_CB001
Transcrito por: Maria da Conceição Amaral da Silva
P/1 – Então, bom dia André.
R – Bom dia.
P/1 – Eu queria começar a entrevista perguntando o seu nome completo, data e local de nascimento.
R – André Quintão Silva. Nascido em 5 de agosto de 1964, na cidade de Belo Horizonte.
P/1 – Você podia falar assim sucintamente um resumo da sua trajetória profissional e política?
R – Eu nasci, como disse, aqui na cidade de Belo Horizonte. Sempre estudei em escolas públicas. Tive a oportunidade de fazer o antigo científico no Colégio Estadual Central. E aos 15 anos comecei a trabalhar na extinta Minas Caixa, como mensageiro concursado. Depois em concurso interno, fui escriturário e por lá fiquei praticamente oito anos, até próximo da extinção dessa instituição. Fiz o curso de Serviço Social na Universidade Católica de Minas Gerais, e de Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais. Um período aí de transição da ditadura para o regime democrático no país. Lá na universidade iniciei uma forte militância no movimento estudantil. Fui coordenador do DA de Serviço Social. Do DE da Universidade Católica. E já no ano, no início da década de 1980, me filiei ao Partido dos Trabalhadores, fui assessor parlamentar de 1989 a 1992 do então vereador Patrus Ananias. Fui Secretário de Desenvolvimento Social no primeiro governo do PT em Belo Horizonte, na gestão do Patrus. Vereador eleito em 1996 no primeiro mandato, tendo sido líder do prefeito Célio de Castro na Câmara Municipal. Depois tive a oportunidade de ser reconduzido à Câmara no segundo mandato no ano de 2000. E no ano de 2002, eleito deputado estadual pelo PT. Hoje, na Assembléia sou presidente da Comissão de Participação Popular e coordenador da Frente Parlamentar dos Direitos da Criança e do Adolescente. E como profissão assistente social concursado e licenciado da Prefeitura de BH.
P/1 – André, você poderia contar como você conheceu o Clube da Esquina? Através das pessoas ou através das músicas?
R – Foi através das músicas. Uma admiração e uma vinculação e uma intensidade muito grande já no final dos anos de 1970. A minha irmã Andréia era presidente do Diretório Acadêmico dessa Faculdade de Ciências Médicas e eu sempre visitava o diretório. E em especial vendo os discos novos e os discos do Clube da Esquina. A gente gravava, eu levava a minha fita cassete para casa. E meu primeiro salário na Minas Caixa, de mensageiro, eu adquiri um som. Um som Gradiente em suaves e longas prestações. E a partir daí comecei a ter condição própria de inclusive adquirir discos, na época, fitas cassete e essa vinculação foi muito forte. Por alguns motivos: eu acho que o Clube da Esquina, o conteúdo da produção musical do Clube da Esquina, ele reforça valores humanistas. Valores simples, mas tão distantes da nossa realidade e da realidade brasileira. É presente na produção do Clube da Esquina palavras e sentimentos como paz, amor, verdade, esperança, utopia. Coisas simples mas tão fundamentais e que estimulam, nos auxiliam a ter uma compreensão mais amorosa da vida. Então foi uma fase extremamente importante para mim, na juventude. Era a fase que eu me formava profissionalmente, era a fase que eu me formava inclusive do ponto de vista de cidadania. E a produção musical do Clube da Esquina foi e é uma presença permanente nos meus bons e maus momentos também. Que cada um tem em sua vida. Agora, essa vinculação em primeiro lugar foi pela produção musical em si, e aí são vários, né? O Milton, Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, enfim, o conjunto, né? Sem falar também nos letristas. No Márcio, no Fernando Brant, no Ronaldo Bastos. Agora, posteriormente já na atividade política eu tive a oportunidade de conhecer alguns mais de perto, outros não. E felizmente, né, uma grande identificação que eu tenho de apreço musical com o Lô Borges, que hoje, às vezes é costumeiro encontrá-lo pelas ruas de Santa Teresa.
P/1 – E você podia falar assim sobre alguns discos? Por exemplo, você tem alguma recordação especial do Clube da Esquina nº 1?
R – Olha, tenho evidentemente, o próprio Clube da Esquina reforça muito a ligação com a cidade de Belo Horizonte. Eu sou um belo-horizontino apaixonado. Então quando a gente lembra do “curral del rei”, né? A música fala exatamente da nossa história, da história de Belo Horizonte. E é a simbologia da esquina. A esquina não é simplesmente um cruzamento de ruas. Nas ruas moram famílias, pessoas, seres humanos. Então a esquina também é a possibilidade do encontro, do convívio entre as pessoas. Podem se encontrar de noite, vendo a lua, né? Dividindo a lua, a solidão. E essa música me marcou muito. Porque resgatou essa dimensão de Belo Horizonte mas principalmente essa possibilidade do encontro entre as pessoas.
P/1 – Tem alguma música assim que tem marca especialmente dessas centenas de músicas aí produzidas?
R – Olha, são muitas. O Girassol, o Girassol, o arranjo é muito forte. Sempre que eu ouço e não só ouvindo, mas também com amigos, né, que tentam reproduzi-las nos seus ambientes principalmente festivos. É uma música que mostra toda a dimensão, a pluralidade, a abrangência da... mesmo do Clube da Esquina e das possibilidades de arranjo. É uma música, desse ponto de vista me marcou muito. Do ponto de vista de disco, um outro disco que me marcou muito foi o Tênis. O Tênis é, inclusive a capa do Tênis ela diz muito. Porque a minha vida era de muito tênis surrado. É o tênis surrado para ir na universidade. É o tênis surrado para ir ao cinema. É o tênis surrado para ir trabalhar na Minas Caixa. E aquele tênis ali simbolizou muito isso. É a vida de cada um de nós. Lá, particularmente, tem uma música: Faça seu Jogo, né? Jogue sua vida na estrada. E acabou que essa música hoje mesmo quando eu, eu viajo muito pela minha atividade política e profissional de deputado, e acabou que a gente se jogou um pouco na estrada no Brasil. Acabando com a ditadura, iniciando o processo democrático. E hoje também construindo um mundo melhor. Mas são dezenas e centenas de músicas. É Clube da Esquina nº 2 também, é belíssimo. Contos da Lua Vaga, do Beto Guedes. Também é uma música que fala das gerações futuras. Manuel, o Audaz, do Toninho Horta é fantástico. Hoje Minas é entrecortado por estradas de terra, localidades, distritos. Eu adoro viajar por Minas Gerais. As minas são várias mesmo e cada lugar tem sua riqueza. Então sempre que eu viajo, eu inclusive levo, porque eu ouço muito durante minhas viagens, ainda hoje o Clube da Esquina. E é exatamente aquilo. Eu acho que o Clube da Esquina cantou Minas Gerais nas suas várias dimensões. Então dá essa identificação cotidiana. E eu trato o Clube da Esquina sempre no presente.
P/2 – André, existe alguma história sobre Santa Tereza que você gostaria de relatar para a gente?
R – Tem uma história que é muito pessoal, mas é muito interessante. Eu, né, sou casado desde 1992 e minha filha nasceu no ano de 1997. E já estava na hora de eu buscar um bairro, um local onde eu pudesse fincar mais raízes. E a identificação com o bairro de Santa Tereza era muito grande. Muito grande em função até do Clube da Esquina. Lá em Santa Tereza sempre me trazia a idéia de tranquilidade, de calma, de encontro das pessoas, de famílias, dos bares, da produção e vocação cultural. Então eu escolhi Santa Tereza para priorizar a minha moradia. E fui nas imobiliárias na época, ia alugar um apartamento. E peguei um endereço, né? Rua Divinópolis número tal. Aí fui lá verificar o apartamento e por coincidência era exatamente a um quarteirão da esquina. Da famosa esquina, inclusive onde tem uma placa, que foi colocada até na época do governo Patrus. Fizemos a homenagem lá. Então o apartamento era praticamente a quatro, cinco casas da esquina. Então, imediatamente, na mesma hora eu já fui na imobiliária fechei o negócio e isso me trouxe uma alegria fenomenal. Quer dizer, toda aquela ambiência, tudo aquilo que eu acompanhava desde jovem, agora eu teria a oportunidade de morar, de residir ali, né? Tão próximo daquela esquina que me encantava. Como eu disse do Clube da Esquina nº 1, era a esquina do encontro, do “curral del rei”, da Belo Horizonte que... Porque de lá a gente avista inclusive a Serra do Curral. Tão bem ali. É muito próximo a Serra do Curral, né? Então essa foi uma história marcante, que inclusive me levou hoje... hoje eu tenho um apartamento próprio também em Santa Teresa, bem próximo lá da Rua Divinópolis. E essa história ficou marcada. Uma outra, aí mais pessoal também, eu sempre, no conjunto do Clube da Esquina eu tenho uma identificação e acompanho mais a produção do Lô Borges. Presença em shows, de compra mesmo dos CDs, e etc. E um dia eu lá, domingo pela manhã eu encontrei com o Lô Borges no Bar do Lúcio que é de Bocaiúvas. Nós temos grandes amigos lá e foi pela primeira vez que conversei, conversei muito com o Lô Borges sobre o Clube da Esquina, sobre o futebol, sobre Belo Horizonte. E aquilo quebrou para mim porque a minha relação com o Lô Borges era de fã. E de repente aquela oportunidade de em Santa Tereza, né, encontrar com o Lô Borges foi – para mim como fã – foi muito importante. Mas conhecê-lo como ser humano, como cidadão. E aquela foi uma oportunidade boa. Depois ela se repetiu, evidente que ninguém é perfeito, né? O Lô tem o grande defeito de ser cruzeirense, mas isso a gente releva. (risos)
P/1 – (risos)
R – Aliás tem muito cruzeirense e americano no Clube da Esquina. Tinha que ter um pouquinho mais de atleticano. (risos)
P/1 – Ih, mas tem muito também, rapaz. E, ô André, você podia contar assim como é o seu cotidiano lá no bairro?
R – Olha, eu tenho uma atividade hoje profissional que me permite, me obriga a ficar em BH nos dias de semana. Terça, quarta e quinta são os dias de reunião ordinária da Assembléia. Sexta, sábado, domingo e segunda são os dias que eu dedico às viagens para o interior. Então eu não tenho tanta possibilidade de permanência em Belo Horizonte em final de semana. Agora, quando fico em Belo Horizonte aí é muito agradável e eu gosto muito de ficar em Santa Tereza. Santa Tereza tem essa característica ainda das famílias. Apesar até, é um fenômeno nacional e municipal, estadual, de aumento da marginalidade, da violência. Mas ainda é possível em Santa Tereza, você encontrar famílias com mesas, com cadeiras do lado de fora. Eu gosto muito de andar em Santa Tereza, né? As ruas de Santa Tereza são ruas arborizadas, bonitas, um bairro que tem praças. Então eu gosto muito, o meu cotidiano em Santa Tereza: caminhar com a minha filha de preferência. Levando ela na pracinha, passando também – seja pelas casas ou mesmo pelos bares – onde a gente encontra muitos amigos para conversar também das coisas boas da vida. De futebol, de música, de cinema, do bairro. Então essa é uma relação muito próxima. Lá tem bons locais, inclusive para se alimentar, então lá você passa um bom dia só andando pelas ruas de Santa Tereza. E em especial com crianças nas praças. Eu acho que é um bairro que me permite muito isso. Agora, só faltou o campo do Sete, ou o Mineirão ser em Santa Tereza. Aí estava, (risos) seria o final de semana completo. Porque também no meu cotidiano, quando fico aqui em Belo Horizonte, um dos lugares que mais me relaxa é o Mineirão, né? Apesar do nosso time não estar, né, tão bom, aquela força da torcida é muito legal. Então eu acho que Santa Tereza é um bairro que permite esse convívio. Então o meu cotidiano é muito caseiro. Eu gosto muito de ficar em Santa Tereza. Quando eu fico em Belo Horizonte não tem aquela necessidade de ir para outro bairro, ir para outro lugar, ir para clube, não. Santa Tereza me supre.
P/2 – Brevemente, eu gostaria de ouvir de você qual que é, na sua opinião, a importância da criação desse museu do Clube da Esquina? Para a cidade, para o país, e para o mundo aí?
R – Olha, uma cidade, um bairro, um estado, um país que não resgata a sua memória, ele não se realiza. A memória histórica ela tem um papel de resgate, de preservação de coisas que influenciaram gerações. E também tem um papel de continuidade, de integração, de intercâmbio. O Clube da Esquina foi fundamental e é fundamental em vários aspectos. Minas tem uma vocação, uma tradição cultural muito forte. Tem vários campos: do artesanato, do teatro, dança, produção literária. E o Clube da Esquina fortaleceu a dimensão da produção musical mineira. Abriu espaços, internacionalizou, nacionalizou as possibilidades e a produção mineira. Então você resgatar o Clube da Esquina é resgatar a história da produção musical. É resgatar a história da música em Minas Gerais. Então esse é um aspecto fundamental. O segundo é propiciar esse intercâmbio com as novas gerações. Um episódio também que me chamou muita atenção foi o encontro musical do Lô Borges com o Skank. Porque Santa Tereza também é Santa Tereza do rock de garagem. Então, e as novas gerações, inclusive algumas de parentes, de pessoas ligadas aos componentes do Clube da Esquina, então o museu vai permitir também – a partir do conhecimento da obra do Clube da Esquina – também essa troca, essa integração com os novos, né? Os novos músicos mineiros. Porque o que foi produzido é muito permanente. A produção musical do Clube da Esquina ela é muito viva. Quando a gente vai nas letras hoje das várias canções, das várias produções musicais a gente vê que a temática é muito presente. Então eu acho que esse contato também das novas gerações com o Clube da Esquina vai permitir, inclusive, um aperfeiçoamento, uma boa construção aí. E vale também para os atuais e membros fundadores aí do Clube da Esquina, que também se aperfeiçoa com o que é produzido hoje de novo em Minas Gerais. Agora o museu eu acho que é fantástico. E vai resgatar não só a produção musical mas também as histórias, todo o momento. Foi um momento, porque o momento do Clube da Esquina foi um momento do Brasil onde se reforça muito as coisas negativas. Foi um período aí da ditadura militar. Mas eu acho que no interior, no subterrâneo da ditadura a sociedade através de várias formas resistiu. O Clube da Esquina não é uma resistência direta, não há intencionalidade direta, não há música de resistência. Mas quando a gente vê os valores que fundamentaram, os valores presentes nas músicas do Clube da Esquina, são valores que estimularam todos nós na nossa luta por uma sociedade melhor, por uma utopia. Uma sociedade mais justa para todos. Eu acho que tem essa dimensão histórica também. Muita gente associa a música de resistência, e evidentemente com seus méritos, né? O Chico Buarque, o Geraldo Vandré, ao Gil ou Caetano com razão. Sofreram inclusive muito no exílio pela sua posição política. Agora, o Clube da Esquina nos valores coloca questões que nos ajudaram também a enfrentar a ditadura, né? Evidentemente que essa compreensão e essa interpretação é livre. Depende também de como cada um assimilou para si a produção musical do Clube da Esquina.
P/1 – Tá, ô André, você quer colocar mais alguma coisa?
R – Não, eu acho que é, falar um pouco dessa iniciativa. Eu fiquei muito feliz. Eu vi pela imprensa, porque para nós de Belo Horizonte em especial, e para mim hoje que moro em Santa Teresa e tem uma... o Clube da Esquina tem uma presença muito forte. Com o Clube da Esquina eu vivi a minha juventude, com o Clube da Esquina eu participei do movimento estudantil, eu viajei muito por Minas Gerais. Eu namorei muito. Com o Clube da Esquina eu me casei. A minha família que me ouve, né, ouve os CDs, e as fitas, os discos do Clube da Esquina. Ela também vai tomando gosto pela produção do Clube da Esquina. Então quando eu percebi que tivemos a oportunidade, eu fiquei muito feliz. Foi um outro fato que eu não relatei. Mas na Câmara Municipal a homenagem ao Clube da Esquina foi no mês de dezembro de 2002, foi meu último mês de mandato de vereador. Eu já tinha sido eleito deputado estadual na eleição de outubro de 2002. Então foi uma das últimas solenidades que eu participei como vereador em Belo Horizonte. Então eu tive aquela sensação, quase que, fechar com chave de ouro o nosso mandato. Porque era uma homenagem das mais justas e das mais necessárias. Uma homenagem que foi carregada de muita afetividade. Não foi mais uma homenagem na Câmara. Foi um reconhecimento assim muito sincero. E naquele dia eu pensei muito na nossa história. Na predileção pelo Clube da Esquina e na oportunidade que a gente estava tendo de homenagear o Clube da Esquina. Aquilo me deu também um, porque infelizmente – principalmente em Minas – reconhecer a produção mineira é muito difícil. Às vezes os próprios mineiros não reconhecem. Às vezes a população de outros estados não reconhecem. É muito comum dizer que as pessoas têm que sair de Minas para ter o seu trabalho reconhecido. Então esse reconhecimento público sobre a importância do Clube da Esquina também me deu uma dimensão de muita alegria nessa solenidade. E acho que esse museu é mais um espaço de valorização, de divulgação. Porque afirmar o Clube da Esquina é afirmar Belo Horizonte, é afirmar Minas Gerais. Na perspectiva daquelas palavras recorrentes que tem em toda letra: esperança, paz, amor, amizade, verdade, sinceridade, utopia, esperança, compromisso com as futuras gerações. Eu diria que o Clube da Esquina é uma companhia cotidiana no exercício da minha cidadania e também nos meus bons momentos de prazer, né? Como disse, ajudando a gente ter uma compreensão mais amorosa da vida.
P/1 – Então está ótimo, muito obrigado pela entrevista.
R – Obrigado vocês.
P/1 – Foi ótima.
[Fim da entrevista]
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