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Por: Edina Marcelo de Almeida, 17 de março de 2026

Café com pão, manteiga não.

Esta história contém:

A chegada na Terra Prometida

O trem vinha cheio demais para o tamanho dos sonhos que carregava.

Homens, mulheres, crianças, sacolas de pano, malas amarradas com corda, galinhas dentro de caixas improvisadas. Tudo se misturava no mesmo vagão. O cheiro de poeira, ferro quente e comida guardada se espalhava pelo ar.

Eu era pequena demais para entender o que estava acontecendo, mas grande o suficiente para perceber que algo importante estava sendo decidido ali.

Sentada perto das malas, eu ouvia meus avós conversarem em voz baixa. Eles falavam como quem conta dinheiro antes mesmo de recebê-lo.

— Leivina, pensa bem… — disse meu avô João, coçando o queixo. — Lá no Paraná é diferente. O povo fala que tem serviço pra todo mundo.

Minha avó respondeu depois de um pequeno silêncio. — Se for como o Ambrósio falou, João… já ajuda demais.

O nome de Ambrósio aparecia sempre nas conversas daquele trem.

Ele tinha surgido, diziam, quase como um mensageiro de notícias boas. Ninguém sabia muito bem de onde tinha vindo. Só que um dia apareceu na venda de Simão, lá nas Pedras, contando das terras do Paraná. á.

— Terra boa. Terra preta — ele dizia. — Quem tiver braço pra trabalhar não passa fome.

Meu avô continuou fazendo contas imaginárias.

— Olha só… nós tudo trabalhando… eu, você, os meninos… depois as meninas crescendo… em pouco tempo dá pra guardar dinheiro. Minha avó suspirou, olhando pela janela.

— Quem sabe comprar um pedaço de terra nosso. — É isso que eu penso — respondeu ele. — Terra nossa. Ninguém manda. A gente planta e colhe.

Eu não entendia direito o peso daquela conversa. Para mim, aquilo parecia mais uma história que os adultos contavam. Mas não eram só meus avós que falavam disso. O vagão inteiro parecia fazer o mesmo cálculo. Um homem mais adiante comentou com outro:

— Lá no Paraná dizem que a lavoura precisa de gente. Café, milho… tudo...

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