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Personagem: gustavo ludecke
Por: gustavo ludecke, 28 de janeiro de 2026

Infancia, natal e comunidade

Esta história contém:

Infancia, natal e comunidade

Uma das muitas memórias afetivas que trago de minha infância no interior do Rio Grande do Sul é o que descrevo hoje como uma não intencional lição de inclusão e democracia.

Na antevéspera de Natal, entre o final dos anos cinquenta e início dos sessenta, nossa chácara na periferia de Cruz Alta transformava-se. Ali, montávamos uma pequena fábrica de biscoitos, resgatando tradições europeias que se fundiam às nossas próprias — e não menos importantes — raízes familiares.

Tudo começava com uma bacia de massa doce, perfumada com muita erva-doce, que era separada em porções para moldar e “esculpir” as peças. Minha mãe e a Dinha — nossa segunda mãe, babá e avó, o exemplo mais lindo de humildade e pureza que a vida me deu — eram as mestras dessa oficina, com quem tive a honra de conviver e aprender.

Em meio a risadas e carinhas sujas de farinha, surgiam os “cajus”: pequenos pedaços de massa que, após dois cortes laterais, tomavam a forma de vírgulas. Essa era a produção principal, tarefa dos adultos. Enquanto isso, eu e minha irmã Beth dávamos vazão à criatividade, moldando bichinhos da chácara — galinhas, coelhos, cachorros, vaquinhas — e, eventualmente, algum personagem histórico, como o chapéu de Napoleão ou o próprio Papai Noel.

Após assados, os biscoitos mergulhavam em uma calda saturada de açúcar e secavam ao vento até branquearem. Chegava, então, a hora da montagem: fazíamos envelopes de papel de pão, selados com cola de amido, e embalávamos dezenas de porções para serem distribuídas ali mesmo à nossa vizinhança.

Ao entardecer, nossa casa tornava-se o ponto de encontro. Recebíamos o Seu Nenê e a Aurora (minha mãe de leite) com seus cinco filhos; a família do Seu Ataídes e Dona Neusa, cujas filhas eram as grandes amigas de minha irmã; e a Dona Geni, mãe solo da Gecy e do José, meu melhor amigo. Juntavam-se também nossos avós: Vô Alfredo e sua dedicada governanta, Adelaide...

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Palavras-chave: natal, comunidade, memorias, infancia

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