Meu nome é Jessika de Oliveira. Sou mulher negra, educadora, pesquisadora e articuladora cultural na Bahia. Minha história é atravessada pela educação como prática de liberdade, pela palavra como ferramenta de resistência e pelo compromisso com a formação de adolescentes e jovens negros em territórios historicamente invisibilizados.
Minha trajetória nasce do chão das comunidades, especialmente dos territórios quilombolas, onde aprendi que conhecimento não se constrói apenas nos livros, mas também na oralidade, na circularidade, na escuta e na experiência coletiva. Foi nesse caminho que fundei e fortaleço iniciativas como o Clube da Leitura Preta, um espaço de letramento, escrevivência e enfrentamento ao racismo, onde adolescentes descobrem na literatura negra a possibilidade de se reconhecer, sonhar e permanecer na escola.
Atuo entre a educação, a cultura e a pesquisa, articulando práticas pedagógicas antirracistas, oficinas literárias, concursos de escrita, encontros formativos e produções coletivas. Minha atuação dialoga com autoras e autores negros como Conceição Evaristo, Nêgo Bispo, Nilma Lino Gomes e Paulo Freire, que orientam não apenas meu trabalho acadêmico, mas minha forma de estar no mundo.
Acredito que contar histórias é também disputar narrativas. Por isso, escrevo, formo, pesquiso e organizo experiências que valorizam a memória, a identidade e a dignidade do povo negro. Estar no Museu da Pessoa é, para mim, afirmar que nossas histórias importam, que nossas trajetórias são patrimônio e que a memória é uma ferramenta poderosa de transformação social.