Foi em um longínquo 24 de dezembro. Filha de uma professora criativa e de um motorista da Celpa que quando criança não pode ter vivências natalinas. A mamãe pedia para ajudar ligando o pisca-pisca na época simples se comparado aos shows pirotécnicos de hoje em dia, eu menina por volta dos meus seis anos, olhava para o Papai Noel na árvore de Natal e pensava, essa casa de assoalho de madeira, e que não tem chaminé por onde ele vai entrar?
Caminhava pela casa aflita, girando a cabeça de um lado para o outro, até que tive certeza de ter visto, de relance, um pedaço de calça vermelha e bota preta entrando para deixar o meu presente. O problema era o sono que consumia e me levava ao locaute para cama. Lembro de acordar, olhar debaixo da cama, adivinhe: Uma caixa com um cachorro que tinha um cabo conectado que fazia latir, andar, sentar-se. Esse foi o presente inesquecível.
Prometi para mim mesma que no próximo Natal eu não arredaria pé da sala, mas o ano sempre custava a passar e, até lá, a mamãe teria outra ideia fantástica para me cansar e me fazer dormir, enquanto o papai retiraria o pacote de dentro do guarda-roupa, a fim de me iludir por mais um tempo.
Eu adoro Natal. A frustração de nunca ter visto Papai Noel não atrapalhou em nada. Me bastava acreditar. Hoje em dia, passo os Natais na mesma casa agora ao lado do meu filho e minha irmã. Lá se reúnem nossa família, agora bem menor já sem o papai e sem a mamãe.
Neste ano, montar a árvore sem a presença da mamãe doeu em silêncio. Sua ausência pesou, mas os ensinamentos de magia, criatividade e união que ela semeou em nós seguem vivos, iluminando nossos passos e permitindo que a ilusão — do papai Noel — continue a piscar