Rumo ao Caraça.
O célebre seminário/colégio do Caraça fica vinte e sete km de distância de Barão de Cocais, entre altas montanhas da Serra do Espínhaço. O colégio foi inaugurado em 1774, por um português fugitivo do Marquês de Pombal que, ao se estabelecer em Minas Gerais, ingressou em uma ordem religiosa, assumindo o nome de Irmão Lourenço de Nossa Senhora. Estando com a idade muito avançada, o Irmão Lourenço doou as instalações do Caraça e suas terras ao príncipe D. João VI. pedindo-lhe que criasse ali uma escola de meninos. D. João VI, por sua vez, doou o Caraça aos padres lazaristas, franceses, da Congregação da Missão (CM). Após esta última doação, o Caraça começou a funcionar como colégio e seminário. Devido à rigidez da sua disciplina e ao alto grau de exigência do seu ensino, o colégio passou a receber alunos de várias regiões do país, principalmente de Minas Gerais, com dezenas deles enveredando pela política, sendo eleitos deputados, senadores, e com dois deles chegando à presidência da República: Arthur Bernardes (de Viçosa-MG) e Afonso Pena (de Santa Bárbara-MG). O Colégio do Caraça funcionou, com algumas interrupções, até à madrugada de 28 de maio de 1968, quando um devastador incêndio, que começou na biblioteca centenária, pôs fim ao Caraça como instituição de ensino. Quando se deu tal fato, a Congregação da Missão já estava falando em fechar o estabelecimento; devido às suas rígidas normas de disciplina e à elevada exigência acadêmica, o Caraça estava deixando de ser um lugar preferencial para os jovens se desenvolverem intelectualmente. Após o incêndio, o Caraça deixou de ser um educandário. Hoje, ele faz parte de uma RPPN (Reserva Natural Para a Proteção da Natureza), cujo gerenciamento é exercido por uma firma terceirizada, sendo aberto à visitação, mediante o pagamento de taxas e, também, funcionando como hospedaria.


