CAFARNAUM
Eles apareceram sem alarde: família de três membros montados em um burrico. O pai era carpinteiro afamado, com clientela feita em todo sertão baiano. A mãe tinha sido moça prendada, casou-se muito cedo e hoje era uma dona de casa quituteira, ajudando o marido a bancar as despesas da casa e a criação dos muitos filhos que pretendiam ter.
O filho, que por enquanto era único, tinha um sorriso muito bonito e era de uma simpatia a toda prova. Todos adoravam estar em sua presença. Corria um boato de que em seu nascimento, as pessoas vinham de longe trazendo presentes só para vê-lo e que até o céu abaixou-se em pleno Norte para festejar a chegada de tão bela criança.
Na verdade, eles vieram com poucos recursos porque de onde vinham um “coronel” – rico fazendeiro - estivera apaixonado pela menina-mãe e, depois de várias tentativas e assédios infrutíferos, jurara dar um fim na vida do competente carpinteiro. Eles, cansados de perseguições e temendo pela morte que batia em sua porta, tendo as ameaças de jagunços se tornado uma constante, aproveitaram uma noite mal dormida para juntar as poucas coisas que tinham e rumar para outras paragens, preferencialmente para bem longe, onde o poder daquele homem não pudesse alcançá-los.
Deram uma aparência de que continuavam morando naquele casebre, deixando algumas ferramentas à amostra, um fogão de lenha aceso para fazer fumaça, com a aparência de que, embora ausentes, estavam por perto e que deveriam voltar a qualquer momento.
Isso daria tempo para que estivessem bem longe e, com certeza, faria com que qualquer tentativa de os rastrear se tornasse inócua. Caminharam na contramão da correnteza dos rios, buscando adentrar cada vez mais em busca de novas paragens.
Foram recebidos por tribos indígenas, conheceram novas pessoas e culturas, juntando seus conhecimentos e aprendendo sempre. Fizeram-se necessários, curaram feridas e doenças regionais, apresentando aquele menino que...
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Eles apareceram sem alarde: família de três membros montados em um burrico. O pai era carpinteiro afamado, com clientela feita em todo sertão baiano. A mãe tinha sido moça prendada, casou-se muito cedo e hoje era uma dona de casa quituteira, ajudando o marido a bancar as despesas da casa e a criação dos muitos filhos que pretendiam ter.
O filho, que por enquanto era único, tinha um sorriso muito bonito e era de uma simpatia a toda prova. Todos adoravam estar em sua presença. Corria um boato de que em seu nascimento, as pessoas vinham de longe trazendo presentes só para vê-lo e que até o céu abaixou-se em pleno Norte para festejar a chegada de tão bela criança.
Na verdade, eles vieram com poucos recursos porque de onde vinham um “coronel” – rico fazendeiro - estivera apaixonado pela menina-mãe e, depois de várias tentativas e assédios infrutíferos, jurara dar um fim na vida do competente carpinteiro. Eles, cansados de perseguições e temendo pela morte que batia em sua porta, tendo as ameaças de jagunços se tornado uma constante, aproveitaram uma noite mal dormida para juntar as poucas coisas que tinham e rumar para outras paragens, preferencialmente para bem longe, onde o poder daquele homem não pudesse alcançá-los.
Deram uma aparência de que continuavam morando naquele casebre, deixando algumas ferramentas à amostra, um fogão de lenha aceso para fazer fumaça, com a aparência de que, embora ausentes, estavam por perto e que deveriam voltar a qualquer momento.
Isso daria tempo para que estivessem bem longe e, com certeza, faria com que qualquer tentativa de os rastrear se tornasse inócua. Caminharam na contramão da correnteza dos rios, buscando adentrar cada vez mais em busca de novas paragens.
Foram recebidos por tribos indígenas, conheceram novas pessoas e culturas, juntando seus conhecimentos e aprendendo sempre. Fizeram-se necessários, curaram feridas e doenças regionais, apresentando aquele menino que cada vez mais esperto parecia ser uma benção em cada lugar que passavam.
Enfim, chegaram em nossa cidade. Aqui se estabeleceram: ela como esposa de vários conhecimentos e prendas doméstica. Ele na profissão que escolhera de carpinteiro e disposto ao trabalho em todos os níveis, desde uma simples cerca para contenção de animais como também de móveis para residências de ribeirinhos, colonos, agricultores e pessoas de posse, donos de terras e aparentes escravos.
Nossa cidade, que era carente que era daquela mão de obra, aceitou-os de muito bom grado, tendo uma família local se prontificado a conseguir um espaço coberto para instalação da família. Somos um povo ordeiro de bons modos e boas intenções, somos uma mistura de índios Pataxós, negros fugidos da Capital, negros escravos, brancos lavradores e judeus fundadores que aqui chegaram em busca de pedras preciosas e ouro para comercialização na Capital e outras cidades grandes pelo país.
Um grupo de aventureiros judeus deu esse nome ao Arraial que permaneceu assim embora depois brancos cristãos houvessem se tornado administradores, prefeitos e políticos na região.
Nós cafarnauenses, apesar da riqueza da terra, muito boa para a lavoura e exploração de minerais, temos uma carência enorme em prestação de serviço, o que transforma qualquer bom profissional em bem-vindo em nossas terras. Temos o poder de transformar bons elementos em povo local ou minhocas como nós mesmos nos denominamos.
Possuidores de grande acervo cultural, fruto da miscigenação dos primeiros e atuais habitantes temos orgulho de nossas festas e danças que, embaladas pelos locais trazem sempre mais e mais gente.
Mais tarde, Nossa Senhora da Conceição viria a tornar-se a padroeira da cidade, das grutas e cachoeiras de toda a região, essa mesma que o pessoal do Sul chama de Nossa Senhora de Aparecida. No início, conhecidos como Cafarnaum dos Judeus, depois a Capital passou nos chamar de “Cafundó dos Judeus” facilitando a divulgação e em razão da distância muito grande entre nossa cidade e a sede do Estado.
Neste ritmo de facilitação acabamos sendo ’Cafundó do Judas” que não nos entristece e dá um ar mais hilário ao nosso local.
Mas a nova família já trabalhava em nossas terras, muitos filhos, alguns como o mais velho seguiam a profissão do pai, outros viraram caçadores e traziam carne para ser curtida pelas filhas e pela mãe já conhecida como admirável cozinheira e organizadora das festas da cidade. Enfim, todos cafarnauenses legítimos.
A fama do primogênito seguia sendo por todas aquelas paragens como de um milagreiro. Seus conselhos e experiência no manuseio das bênçãos da terra e das misturas possíveis, possibilitava verdadeiros milagres na erradicação de doenças, nos estados de espirito e dos humores prejudiciais aos seres humanos.
Da Capital grupos de umbandistas, pastores de almas e candomblés buscavam seus unguentos dando nomes indígenas por demais estranhos, atribuindo as garrafadas poderes que na verdade não tinham e nem eram apregoadas por seu mentor – o primogênito.
Na intenção de sempre aperfeiçoar-se nas curas e serviços para a população, ele, o primogênito que passaremos a chamar de Emmanuel embrenhava-se na mata em busca de novas aldeias e novos conhecimentos. Assim ele passou a ser conhecido em toda área ao redor da cidade pela paciência, carisma e ajuda ao povo de cada lugar visitado.
Cada gruta, cada cachoeira e cada planta receberam o batismo em virtude das contribuições que pudessem dar aos ribeirinhos e seus familiares.
Milhões de estórias surgiram, milagres foram atribuídos e curas foram realizadas atraindo pessoas curiosas naquele ser iluminado que estava sempre presente quando se necessitava de algum alento.
A cada dia mais e mais pessoas vinham conhecer e tocar nas mãos ditas santas daquele homem, tão humilde quanto sábio. Porém, ele se incomodava com essa percepção, uma vez que na verdade suas viagens através das terras, povoados vizinhos e aldeias indígenas na busca de conhecimento é que transformavam em cura aquilo que chamavam milagre e ele chamava isso de comunhão da natureza entre os poderes de Deus.
Assim, aos poucos Emmanuel foi introduzindo a palavra da Criação, afastando das pessoas imagens de barro e a multiplicação de deuses negros e orixás locais. Ele se detinha na divulgação de um só Deus Criador do Universo e dos bens e benesses que se podia sem culpa retirar para uso da humanidade e dos animais. Nosso único dever seria proteger, conservar e cultivar a terra preparando-a para atender as necessidades que surgissem.
Estamos nesta Terra como seres superiores e como tal devemos nos comportar, atendendo as necessidades da criação como um todo. Cinco são os elementos naturais: terra, agua, fogo, ar e éter (preenchendo o Universo), acrescenta-se o sexto elemento atribuído ao homem que é o sentimento (amor, ódio, medo e outros que afloram de acordo com as exigências da ocasião ou necessidade)
O sentimento quando bem manipulado, será capaz de transformar aqueles outros elementos atribuídos a ciência ou a modifica-los para o bem ou para o mal.
Emmanuel procurava demonstrar também os quatro grandes grupos naturais e suas responsabilidades na criação, estes grupos conhecidos como reinos, se entendidos podem afastar de vez as crendices e fazer com que se aproveite corretamente a existência do homem em nosso planeta.
O primeiro reino em aparecimento é o mineral, embora inanimado e sem vida é responsável pela união, sustentação, alimentação dos demais.
O segundo reino em aparecimento é o vegetal que possui vida e que sem locomoção própria é responsável pela alimentação dos reinos que se seguem retirando do primeiro reino as necessidades inerentes as suas funções.
O terceiro reino em aparecimento é o animal, possui vida, tem o poder de locomover-se em busca de alimentos e tem como responsabilidade a alimentação do seu reino em particular e ao quarto reino em primazia, retirando do segundo reino as necessidades para dar cumprimento as suas obrigações.
O quarto reino em aparecimento é o hominal, possui vida, pode locomover-se sobre o primeiro e segundo reino, serve-se dos três reinos para garantir a sobrevivência da sua própria espécie, tem a inteligência como diferencial e a responsabilidade maior de preservar todos os reinos anteriores de modo a garantir sua própria subsistência.
Possui em si todos os demais reinos e foi por isso mesmo o último a chegar no Universo como conhecemos.
E assim seguia a vida em nossa cidade, aqui não possuíamos “coronéis” - todos trabalhavam para ganhar o sustento e participar das festas organizadas pelos moradores em palcos em frente à Igreja Matriz.
Nestas ocasiões vinham artistas da Capital do Estado e até do Rio de Janeiro. A exploração do minério ajudava muito nestas horas.
Embora nossa cidade tenha um nome que sugere bagunça e desorganização, no Estado ganhou o status de lugar longe, muito longe e assim ficou. Imagine percorrer 440 km em estradas de terra malcuidadas naquela época. Era pelo menos um dia. Ainda hoje levamos até seis horas para chegar na Capital.
Os filhos desta terra quando partem para as grandes capitais buscando uma vida melhor deixam aqui seu coração e raízes, passam a maior parte do tempo lembrando da vida pacata, das festas e das noites quentes no período das chuvas.
Emmanuel continuava seu caminho, ajudava o pai nos serviços de carpintaria e a mãe no desossar das carnes para venda na cidade. As vezes sumia por 40 dias e 40 noites embrenhando-se nas matas e morros próximos em busca de novas ervas e chás de cura para o povo do lugar.
Nestas sumidas pela floresta ele convivia com os donos da terra, ensinava como proteger o ambiente e assinalava as pinturas rupestres dando sentido as vidas passadas e desmistificando crenças de maus espíritos e lendas de assombração.
Certo dia apareceu na cidade um grupo com roupas coloridas e festivas fora da época normal procurando pelo homem que produzia as soluções e remédios de cura. Ficaram uns 10 dias esperando pela volta de Emmanuel que havia ido à aldeia dos índios socorrer uma criança, filha de um local com febre e dores trazidas pelos brancos.
Conversaram muito e diziam querer leva-lo para a Capital de forma a apresenta-lo como aquele que enviava as receitas e garrafadas que curavam e traziam disposição depois de ingeridas. Porém, ele não tinha pretensões além da cidade em que vivia. Bastava fazer o bem e facilitar a vida dos povos ao redor.
Por diversas ocasiões, o misturar das ervas produziam remédios, sucos para alimento de pessoas e animais. Certa feita um homem coberto de feridas, dito como leproso se viu curado pela aplicação diária de uma mistura produzida por Emmanuel. Ele ensinava higiene corporal e pedia a todos que o lixo fosse descartado de forma a não prejudicar a Aldeia.
Não possuía bens material além da roupa do corpo. Gostava de receber a atenção da mãe, dos irmãos e o ensinamento prático do pai melhorando a visão sobre a vida e suas compensações em virtude do bem maior que era a Natureza.
Seus seguidores aumentavam e a produção das garrafadas e dos unguentos crescia de forma que peregrinos começaram a surgir e a produção por maior que fosse não dava conta dos pedidos individuais e da demanda da Capital. Todos queriam levar alguma coisa e até um pedaço de madeira que tivesse sido tocada pelo que agora chamavam “homem santo”. Emmanuel não queria essa alcunha e responsabilidade, lutava para ser um ser normal com conhecimento sobre as maravilhas da terra.
Ele mostrava sempre que podia que não precisava de dinheiro e que aqueles que o seguissem também iriam se satisfazer com o bem praticado. O alimento, a roupa e tudo que precisasse estava ali a disposição de todos, bastava saber usar e usa-la para o bem de si e do próximo.
Surgiram estória de cegos que voltaram a enxergar de mortos que levantaram do túmulo, pessoas que se livraram de muletas, tudo balela dos aldeões mais fanáticos que produziam estas narrativas com boas intenções, mais desprovidas da verdade. Mãos não curam, ervas podem curar ou matar segundo a aplicação desenvolvida.
Emmanuel os ensinou a orar, a conversar com a criação e com o Criador e que praticando sempre o bem, além atender os pedidos de outrem, também encaminhava suas próprias pretensões que poderia ser fruto da pratica até de desconhecido com a máxima de que “Se prepare para receber o bem que você faz, ele está a caminho”
Se você recebeu uma dádiva da Natureza, obrigue-se a produzir por outra pessoa em dobro, disseminando as práticas boas que somente o homem consciente pode realizar.
Se você não recebeu ainda essa dádiva, produza em outras pessoas aquilo que você gostaria que produzissem em você, como está escrito – ele está a caminho.
Celebre, vivencie as dádivas da Natureza, entregue-se ao bem e como ser inteligente, representante do quarto reino promova a elevação das práticas de cada dia. Aproveite as chances que o dia lhe oferece e assim o bem fluirá como um rio saindo de você para a vida.
Emmanuel relutava em ir para a Capital e dizia que os aldeões, os silvícolas e os cafarnauenses precisavam mais dele do que o povo de lá. Ele se sentia útil e principalmente necessário. Mas os argumentos não cessavam e no fundo ficava a impressão de que era uma espécie de orgulho estar em Cafarnaum.
Enfim venceram pelo cansaço e argumentos, sabendo-se também que sempre tem a curiosidade de se conhecer a cidade grande onde habitavam os poderosos senhores.
Nesta época o coração do benfeitor balançava por uma linda morena de olhos verdes brilhantes e límpidos, benvindos como as aguas na época das chuvas.
Ela também iria na jornada para a Capital o que transformava em um grande passeio a viagem programada. Passaram-se vários dias de preparativos e atendimento aos locais de forma que nada faltasse na ausência de Emmanuel para os moradores e periféricos.
A despedida de Emmanuel ocorreu em plena feira da cidade, uma grande festa com cavalgada e o povo de roupa nova para homenagear o Homem Santo e sua família. A feira de produtos locais tinha frutas, verduras, carnes de bovinos, equinos e animais silvestres. Produtores de leite de vaca e cabra alardeavam suas maravilhas oferecendo também os derivados como queijos, manteigas de diversos tipos e qualidades. Pródiga mãe natureza! Cuja única necessidade era a atenção do seu maior beneficiado, o homem.
Dona Maria, a mãe de Emmanuel não se continha em alegria e mostrava em sua barraca as comidas que já era um grande evento dentro da própria feira, a comida dela era o banquete da cidade.
E a arte também se fez presente. A barraca do artesanato contava com diversos artistas e um deles, Mestre José, pai do homenageado, trazia verdadeiros tesouros de uso diário e de ornamentação para as casas dos apreciadores e amigos.
Essa feira iria tornar-se uma das maiores do Nordeste e com certeza seria repetida tradicionalmente para sempre, alegrando e marcando a vida em Cafarnaum.
A cavalgada realizada no terceiro dia da feira, enchia de festa o coração do povo local, trazia novos produtos em couro, selas, arreios, mantas e mobiliários. Trazia os peões em trajes típicos enchendo o coração das meninas criando fantasia nas jovens cafarnauenses.
A pretendida de Emmanuel, linda em seus trajes de moça local atendia com sorriso os pedidos na barraca de Dona Maria. Esmeravam-se em proporcionar o melhor que se podia fazer.
Após o término da feira, ou seja, no dia seguinte aos eventos tão aclamados dar-se-ia o início da viagem e com certeza ainda inebriados pela felicidade sairiam carregados de mantimentos, presentes e um lote muito grande de produtos e matéria prima para produzir as já famosas garrafadas. Uma legião de pessoas compunha “A Caravana do Bem” nome de batismo dado pelos cafarnauenses.
Nota do escritor – o resto da história todos devem saber. Um ser glorificado, amado e identificado com sua terra e pretensões sendo recebido por um povo não tão ciente dos poderes da natureza. Já vimos esse filme (INRI)!
INRI – Breve resumo
Nascido em Beit Lehem (Belém) na Palestina, seus pais se transferem para Cafarnaum fugindo do massacre dos inocentes promovido por Herodes em busca da morte do filho de Deus, dito que seria honrado como Rei dos Judeus.
Aos doze anos já vivendo na nova cidade é procurado por sua mãe, foi encontrado na Sinagoga da cidade. Sua estória pula no tempo e ele é apresentado aos trinta anos pregando entre o povo da cidade sugerindo que o mesmo se transformara em Rabino e enviado de Deus Pai.
Nesta cidade onde fez todos os milagres citados no Novo Testamento, uma coletânea de fatos históricos narrados por seus seguidores. Curou doenças, fez andar paralíticos e ressuscitou mortos, além de atender pedidos de sua mãe para alimentar pessoas e multidões.
Pregava palavras de paz e de incentivo a ajuda ao próximo e a união dos povos. Adorado pelos locais e respeitado como enviado do Criador para a salvação da alma e a vida eterna.
Decide ir aos trinta e três anos para Jerusalém a capital do mundo Palestino. Chega em um domingo onde se comemorava o início da Páscoa atravessando a entrada da cidade pelo lado em que atestavam os Livros Sagrados e que deveria ser feito por aquela entrada voltada para Damasco conforme dizia o Velho Testamento, a Torá Judaica.
Na primeira e que seria a única semana vivida nesta cidade, indispõe-se com as autoridades judaicas que não o reconheciam como autoridade enviada pelo Deus Pai. Tinha a seu favor somente o séquito que levara na viagem e talvez alguns moradores da nova cidade que possam haver passado pela cidade de onde viera.
Reclama e demonstra toda a sua indignação com o comercio em frente à Igreja ou da morada do Pai como diz ser, recebe em troca toda a ira dos antigos moradores e rabinos acostumados a tal prática, sendo o comercio local e a sinagoga no centro da cidade como a milênios se produzira.
É preso, sofre todas os possíveis castigos impostos pelo seu próprio povo. Entregue aos romanos, que eram os dominadores ocasionais que não veem nenhum perigo iminente naquele Pregador. Eles, dominadores promovem a escolha devida pela época entre o perdão da Pascoa e o sofrimento devido pela afronta a religião dos locais.
Quatro são os escolhidos das masmorras para serem submetidos ao perdão popular. Três bandidos, ladrões e assassinos e um opositor aos rabinos oprimidos pelas legiões romanas em nome de Cesar.
Incentivados pelas autoridades religiosas a turba escolhe punir com a morte na cruz aquele que se dispusera ao afrontamento aos religiosos locais e dois meliantes comuns perdoando um outro, bandido que eles mesmos já haviam prendido antes por delitos diversos contra o povo.
O Consul romano, tentando averiguar a periculosidade do Pregador em relação ao comando de Roma questiona as intenções dele em relação a autoridade dos opressores.
O prisioneiro responde: - Daí a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus.
Neste momento compreendendo que para o regime não havia perigo e que o crime imputado era ser contra os religiosos locais a autoridade opressora então lava as mãos, dizendo não ter sido ofendida nem atacada por nenhum daqueles em julgamento e deixa que seja feita a vontade dos ofendidos.
Assim morre na cruz o escolhido pelo Pai Senhor nosso Deus segundo o Pregador e um impostor segundo as autoridades hebraicas locais ofendidas pelo ataque a Sinagoga, morada do mesmo Deus Pai.
Nota complementar – filósofo Baruch Spinoza:
“Jesus é uma personagem cuja historicidade não levanta dúvidas, considerando-o como judeu, que revolucionou a religião na qual foi educado, transformando as leis particulares da Torá numa ética universal. Ao valorizar a sua atuação mediadora e o seu papel como exemplo para a Humanidade no seu todo.
Jesus conseguiu conciliar uma dimensão filosófica, dificilmente compreensível pelos seus contemporâneos, sendo que foi a manifestação suprema, mas humana, da Sabedoria Divina. Foi o homem sábio, que mais do que qualquer outro, que se identificou com o Espírito de Deus. Por isso, deve ser considerado como modelo para a Humanidade no seu todo, não perdendo a sua condição humana.
Embora não reconhecendo a divindade de Jesus é necessário considerá-lo como um modelo ético exemplar e a fidelidade à sua mensagem é considerada como um critério para uma vida eticamente digna, à qual todos os seres humanos devem aspirar. Mantendo Deus em nós e ao mesmo tempo nos mantendo em Deus.
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