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Cariri

Segundo me contou havia nascido em uma região pobre no Ceará, tinha do casamento paterno uma dúzia de irmãos e irmãs, eram tantos que não saberia dizer o nome de todos, até porque a maioria se tratava por apelidos ou curtas alcunhas, já que o pai tinha verdadeiro tesão por nomes combinados ou de muitas letras.

Ele – o pai, cuidava de duas famílias, uma em cada cidade, na primeira trabalhava cultivando, e na outra vendendo frutas e legumes, isso quando o tempo seco permitia ou quando a chuva em demasia não levava toda a produção e a paciência muito curta do velho Rosmarinho.

Nunca soube ao certo, mas com certeza podia adivinhar que lá na outra família também deveria ter mais uma dúzia de irmãos.

Nas horas adversas, o Senhor de várias crianças virava bicho e ninguém escapava de agressões e palavras ofensivas, se e quando em alguma praça ou cultivo sobrava alguma coisa para a venda ele era um pouco mais manso e batia menos porque dedicava o maior tempo em salvar o que sobrara e deixava com certeza a mulher em paz.

Nos finais de semana era sagrado exigir a melhor roupa, aquela que possuía o mais apurado vinco e ir tomar uns goles e passar a mão na bunda das meninas em algum bar ou mesmo nas casas de prostituição que sempre estavam cheias em épocas de boa colheita.

As esposas sempre cuidavam para que a roupa exigida estivesse dentro do melhor aceitável e fingiam não saber onde os maridos se metiam, se em bares ou bordeis.

As mulheres ditas oficiais, mesmo quando não casadas em cartório ficavam quietas para não perder o homem e o sustento que eles produziam.

As meninas procuravam algum ser disposto a bancá-las financeiramente até que pudessem se transformar em propriedade de alguém. As prostitutas que já haviam desistido de procurar seu sonhado “coronel” lutavam agora tão somente pelo pão de cada dia para si e para os pobres rebentos que haviam posto no mundo.

O velho pai em certa ocasião havia vindo para...

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