Essa história está sendo digitada por mim, desde março, aos poucos, cada dia digito uma parte e assim vou revivendo e trabalhando bem minha realidade. Pretendo lançar e divulgar ela completa, até dia 15 de junho de 2025, quando faço 10 anos livre do abuso de álcool.
Meu nome é Guilherme e sou um alcoólico em recuperação.
Longe do tabaco há 22 anos, fumava dois a três maços por dia; longe da Cocaína há pelo menos 15 anos, nunca foi minha droga preferida (desde cedo vi muita gente morrer por causa dela), mas já usei...
E enfim com DEZ anos de abstinência alcoólica continua.
Eu devo muito dessa caminhada ao apoio sempre recebido do meu pai, Armando e ao meu psiquiatra desde 2002, Dr. Ronaldo Teixeira Valadares.
Comecei a beber com aproximadamente 15 anos, batidas e caipirinhas fracas, "para deixar alegre". Aos 16 meus pais se separaram litigiosamente, deixando um legado de dores e perdas onde o álcool é as drogas caiam como luvas para a fuga da realidade.
Aos 17 anos fui trabalhar em uma empresa de Cupom Refeição, ganhava 4 salários mínimos e já tinha o apelido de "celveja", pois tinha a língua presa e todo dia no Happy Hour chamava os colegas para "tomar uma". Nessa época tive poucas, mas já experimentava a Cocaína.
As ressacas já não me deixavam trabalhar às segundas feiras. E antes de completar 18 anos, me desligava dessa empresa.
Fiz então, muito forçado pela minha mãe, uma seleção para uma Escola Agrícola no Interior de Minas, passando em 3o lugar geral e ganhando uma bolsa de estudos para todo o 2o Grau.
Era no sistema integral e com dormitórios coletivos.
As bebedeiras eram homéricas nos finais de semana, com caixas de cervejas sendo empilhadas ao som de muitas conversas, namoros e jogo de truco.
Apesar de ser um dos melhores alunos do curso, após o fim de um namoro, abandonei a escola e os amigos.
Voltei para BH e fui morar num sobrado que meu pai pagava para mim na região Central da...
Continuar leituraEssa história está sendo digitada por mim, desde março, aos poucos, cada dia digito uma parte e assim vou revivendo e trabalhando bem minha realidade. Pretendo lançar e divulgar ela completa, até dia 15 de junho de 2025, quando faço 10 anos livre do abuso de álcool.
Meu nome é Guilherme e sou um alcoólico em recuperação.
Longe do tabaco há 22 anos, fumava dois a três maços por dia; longe da Cocaína há pelo menos 15 anos, nunca foi minha droga preferida (desde cedo vi muita gente morrer por causa dela), mas já usei...
E enfim com DEZ anos de abstinência alcoólica continua.
Eu devo muito dessa caminhada ao apoio sempre recebido do meu pai, Armando e ao meu psiquiatra desde 2002, Dr. Ronaldo Teixeira Valadares.
Comecei a beber com aproximadamente 15 anos, batidas e caipirinhas fracas, "para deixar alegre". Aos 16 meus pais se separaram litigiosamente, deixando um legado de dores e perdas onde o álcool é as drogas caiam como luvas para a fuga da realidade.
Aos 17 anos fui trabalhar em uma empresa de Cupom Refeição, ganhava 4 salários mínimos e já tinha o apelido de "celveja", pois tinha a língua presa e todo dia no Happy Hour chamava os colegas para "tomar uma". Nessa época tive poucas, mas já experimentava a Cocaína.
As ressacas já não me deixavam trabalhar às segundas feiras. E antes de completar 18 anos, me desligava dessa empresa.
Fiz então, muito forçado pela minha mãe, uma seleção para uma Escola Agrícola no Interior de Minas, passando em 3o lugar geral e ganhando uma bolsa de estudos para todo o 2o Grau.
Era no sistema integral e com dormitórios coletivos.
As bebedeiras eram homéricas nos finais de semana, com caixas de cervejas sendo empilhadas ao som de muitas conversas, namoros e jogo de truco.
Apesar de ser um dos melhores alunos do curso, após o fim de um namoro, abandonei a escola e os amigos.
Voltei para BH e fui morar num sobrado que meu pai pagava para mim na região Central da cidade.
Aí foi a perdição, todo dia festas regadas a muito álcool e drogas. Me afastei dos amigos e comecei a andar com pessoas duvidosas e me afundei. Com 1,82 metros de altura, pesava 52 quilos e não via mais futuro para minha vida, isso ainda em 1990, aos 18 anos.
O desespero era tanto que, em setembro de 1990 fui morar, sem ver uma foto sequer, em uma ilha perto de Salvador na Bahia, chamada Morro de São Paulo.
Fui para montar uma barraca de bebidas, mas como chegara antes do período dos turistas, acabei bebendo todo o estoque que tinha levado para abrir o negócio.
Antes de conseguir emprego noturno em uma lanchonete, havia dormido uma noite numa barraca de praia em construção, pois havia vencido o aluguel do quarto que morava e não tinha dinheiro para renovar.
Durante os 4 meses de trabalho, bebia meia garrafa de vodca todas as noites para "poder aguentar a labuta".
Depois desse prazo entrei em contato com meu Pai e voltei para BH.
Cheguei em janeiro de 1991, na rodoviária da capital Mineira sem malas e calçando tênis de lona com um buraco enorme no dedão.
Fui morar com meu pai no apartamento que moro até hoje.
Apesar da estabilidade de moradia, minha vida alcoólica estava apenas começando....
Até 1995 foram "tranquilos" trabalhando como autônomo em Informática e com o último emprego em carteira finalizado nesse mesmo período. Com happy Hour todos os dias e frequência em bares, todos os dias.
Depois, por volta de 1996 comecei a trabalhar com artesanato em Epóxi e cheguei a fazer curso de cerâmica e pedra sabão. Aí minha vida voltara para a bebedeira e festas regadas a muito álcool.
Mas não era um alcoólico, eu era "diferente", um "artista" e deveria seguir o lema "Sexo, Drogas e Rock in Roll." E achava tudo "normal".
Mas ainda em 1998 já com 26 anos voltei a trabalhar com Informática com gravação de CDs e depois com DVDs. Comecei a ganhar muito dinheiro e as bebedeiras e ressacas eram diárias.
Todo dia saia para beber, mesmo sozinho. Às segundas feiras eram os dias dos "bebedores profissionais", terças feiras "dia da rebatida", quarta-feira "dia de futebol na TV", na quinta-feira era "dia de feirinha da Savassi", sexta-feira já começava o fim de semana", sábado e domingo era dia de começar a beber de tarde. E assim era a minha vida.... Sempre voltada para o álcool.
E sentado no balcão de um bar, perto da minha casa, conheci aos 32 anos, a grande companheira da minha vida, Daniela. Começamos a namorar e chegamos a ficarmos noivos.
Era uma excelente companhia, éramos iguais, gostávamos de sair, passear, visitar os amigos, tudo com muita comida e regada a muitas bebidas.
Aprendi a beber vinho, cozinhar tomando vinho....
O único problema é que uma pessoa não alcoólica, tomava uma ou duas taças, eu tomava duas garrafas e se tivesse umas latinhas de cerveja, ainda melhor....
Minhas ressacas eram terríveis, muita diarreia e vômito.... Tinha síndrome do intestino irritado, como viria a saber mais tarde...
Tinha estoque de seringas e ampolas de Plasil para me aplicar na tentativa de melhora e às vezes tinha de ser 2 ampolas para fazer resultado.
Não bebia de manhã, mas ao acordar já pensava onde ia beber de noite, se íamos receber alguém ou se ia a alguma festa.
Não ia em lugares que não vendia bebida...
Mas não era alcoólatra, "pois me sustentava".
Foram bons 7 anos (ficamos juntos por 8 anos, até meus 40 anos de idade)
Até que o alcoolismo começou a afetar nosso relacionamento.
Eu me tornara uma pessoa egoísta, minha libido já não era a mesma, minha memória era péssima, minha mente era confusa (devido a mistura de remédios psiquiátricos com álcool) e isso tudo é mais afetaram minha produtividade no trabalho, junto com o surgimento dos shoppings populares, me levaram a falência e ao triste fim do relacionamento.
Perdi o sentido da vida, quebrado financeiramente e somente com o apoio do meu pai. Eu usava o álcool como fuga da dura realidade que me cercava.
Duro, sem profissão, fazendo algum bico para poder pagar as minhas cervejas e já isolado de todos....
Sabia que meu modo de beber era diferente, mas mesmo assim não me considerava alcoólatra apenas "diferente"...
Já bebia mais em casa do que nos bares e restaurantes que sempre frequentei.
Fiquei uns 2 anos solitário, sem me relacionar com ninguém.
Até que no dia 24 de dezembro de 2013, conheci a companheira que iria mudar a minha vida, Letícia.
Uma mulher superintensa e interessante.
A gente se dava super bem, mas eu completamente falido, já com ela pagando contas de restaurantes, bebidas e até compra de supermercado para mim.
Sua insegurança era motivo de brigas entre nós...
Os dois com suas dificuldades de relacionamento, mas nós nos adorávamos.
E nessas brigas ela falava que eu tinha problemas mal resolvidos também.
Lembro que em um exame de rotina minhas triglicérides estavam muito altas, ela é nutricionista e me disse que eu só poderia beber uma vez por semana. Para mim era impossível, pensava que não tinha sentido e nem conseguiria tal feito. Mas não me considerava alcoólatra, eu tinha uma bela e instruída companheira, tinha um apartamento em bairro nobre de BH, achava que não tinha perdido o controle do meu jeito de beber e viver".
Foi aproximadamente um ano de muito amor e intensos sentimentos, mas não aguentando as pressões e querendo "beber em paz" em janeiro de 2015 terminamos o relacionamento. Para mim, na minha cabeça era como se nós nos amassemos mas tínhamos nos conhecidos na época errada.
O impacto de perder mais uma vez para o álcool me balançou, ainda fiquei 6 meses bebendo muito e sofrendo. Foram os piores seis meses da minha vida, até que no fundo do poço conheci através de uma amiga, uma pessoa que viria a me ajudar, mesmo não sabendo o tanto....
Ganhei da Vivi uma reciclagem no Reiki e indo até o consultório do mestre que me daria os cursos, comecei a contar minha história alcoólica, e ele me disse que antes de ser Acupunturista e Mestre de Reiki, ele teria sido bancário, e devido as pressões da vida, ele teria se tornado alcoólatra e só encontrou ajuda e conseguiu paralisar o uso da bebida em grupos de apoio. Lembro com clareza ainda ele me falando a única coisa que me interessava, vai que você vai ser bem recebido.
Isso foi em abril de 2015. Até junho fiquei pensando na ideia e achando que ainda conseguiria controlar o álcool.
Olhei na internet e o grupo mais próximo da minha casa, daria para ir a pé e fiquei ligando para a secretaria da Igreja onde se localizava o mesmo, para obter alguma informação ou conversar com alguém, mas só me passavam os dias das reuniões e no dia 15 de Junho de 2015, adentrava as portas de um grupo de apoio, completamente humilhado pelo álcool, Sem contato com a família ou amigos, sem dinheiro sequer para um cafezinho pela primeira vez tentando aceitar ajuda de outras pessoas completamente desconhecidas.
E como fora antecipado pelo Marco Antônio, eu fui muito bem recebido pelas pessoas, falando que eu era a pessoa mais importante da noite. Era um grupo de mais ou menos 30 pessoas, das mais diferentes profissões e classes sociais; havia mulheres também e todos muito bem vestidos e felizes. Eu era o mais "acabado" da sala.
Ouvi histórias de vida e superação e as pessoas me motivavam a voltar no dia seguinte.
Eu não tinha opção, sabia que poderia modificar a vida, mas só se conseguisse parar de beber, e ali era a única saída que poderia ter, apesar de não acreditar que conseguiria paralisar com a bebida e ainda mais conseguir mudar de vida e ser feliz.
E continuei voltando, comecei a conhecer grupos em outros bairros de BH, grupos em igreja, em postos de saúde, em escolas de músicas, em locais autônomos ou em parceria com a sociedade civil. Essas idas à diferentes locais de reunião, foi muito importante na minha recuperação alcoólica e como ser humano, aprendendo com diversas pessoas sobre a história de dificuldades e superação de droga dicção e alcoolismo. Histórias reais parecidas com as minhas ou diferentes. Conheci pessoas boníssimas que me ajudaram muito em todos sentidos, mas como micro sociedade, também conheci pessoas que só ali tive contato, mal caráter, estelionatários etc., mas nada tão diferente da minha vida no uso da bebida e das drogas.
Mas a grande maioria era de gente de bem, com suas diversidades, qualidades e defeitos. Em busca de evolução como ser humano e melhora diária na sua vida em busca da felicidade.
Foquei na minha recuperação, só me preocupava com minha frequência às reuniões. Só tinha contato com doces, na hora do café das mesmas. E me motivava com as melhoras fisicas: meu sono melhorarava consideravelmente a medida que o último gole se distanciava, o estômago também tinha uma evolução muito boa, como comprovado nos primeiros exames clínicos o triglicerides também normalizava.
Mas minha vida financeira ainda estava muito bagunçado, não trabalhava, lembro que com 8 meses tive uma proposta para trabalhar de parrilheiro, mas sabiamente, um companheiro mais experiente, me aconselhou a não aceitar porque eu iria me afastar das reuniões e possivelmente voltaria a beber. Não aceitei o emprego e aconselhado pela Vivi (minha amiga que me presenteou com o curso de Reiki) comecei a alugar a princípio, um quarto do meu apartamento para ter uma rendinha e poder sobreviver.
As dificuldades ainda eram imensas, o apartamento precisando de uma reforma interna, até para poder alugar mais um quarto e ter uma vida mais equilibrada.
Fui aos poucos reformando, primeiro ganhei uma lata de tinta e com um pouquinho que tinha juntado paguei para acabar com as infiltrações, arrumar os armários e pintar tudo.
Consegui então alugar mais um quarto e melhorar minha renda.
Mas ainda passando muitas dificuldades, investindo quase tudo que entrava para mobiliar os quartos.
Até que em 2018 já me "sentindo mais forte" em relação à bebida, resolvi trabalhar. Já havia feito alguns cursos no SENAC MG e no fundo do poço, teria trabalhado por três meses como churrasqueiro em um restaurante perto da minha casa.
Então resolvi prestar serviços como churrasqueiro a domicílio.
O começo foi desafiador, mas foi reconfortante, voltar a produzir renda e gostando do que fazia. Minha ideia foi amplamente apoiada pelos companheiros dos grupos, meus primeiros eventos foram para eles e indicações.
Novamente economizando, voltei a fazer cursos pelo SENAC MG. Fiz o de Saladas, Comida Mineira, Massas, Molhos, Comida para executivos, entre outros. E comecei a oferecer pacotes de churrasco com guarnições, além de só ter o serviço de churrasqueiro. E foi dando certo.....
Em 2019 foi tão bom que em Dezembro fiz 3 eventos no mesmo dia.
Mas em Setembro de 2019, comecei a realizar mais um sonho, me inscrevi no Curso de Cozinheiro Profissional do SENAC MG. Era um curso de seis meses e seria minha primeira vez que me relacionava com pessoas sem serem dos grupos de apoio. Estava imerso na minha recuperação. Foram dias desafiadores, não pela presença constante de álcool nas aulas (para o preparo dos pratos) mas pelo desafio de ter de me relacionar com pessoas, após as aulas, que bebiam e não tinham o menor problema com isso.
Houve uma tentativa de troca de medicação psiquiátrica e não me adaptei a nova medicação. O que me gerou uma depressão terrível. Então faltando uma semana para as férias de Dezembro e dois para o tão sonhado curso, me vi desistindo do curso, sem a menor satisfação.
Então em Dezembro de 2019 foi o mês que o Buffet estourou... cheguei a fazer 3 eventos no mesmo dia.
Foi quando conheci minha primeira terapeuta, Viviane Linhares, que me ajudou muito na saída da depressão e resolvi ir em Março de 2020 ir para o Uruguai passar meu aniversário no país vizinho.
Foi uma viagem inesquecível, comi bem, fiquei em um hotel muito bem localizado e andei a pé para todos os lados, fui no Mercado do Porto comer picanha na parrilha, até em um grupo lá fui, conheci Colônia de Sacramento, passei meu aniversário (13 03 2020) em Punta Del Leste e aproveitei cada minuto dessa viagem de solitude e auto conhecimento.
Na sexta feira que estava em solo uruguaio ainda, foram descobertos os primeiros casos de Covid lá. Sábado sai por perto do hotel para comprar umas camisetas e lembranças, ficando a maioria do tempo no hotel e já no domingo de manhã fui para o aeroporto pegar meu voo de volta para casa.
Durante a pandemia os grupos de apoio presenciais fecharam e as reuniões on line aumentaram consideravelmente. E até hoje faço minha recuperação nelas.
Nesses 10 anos de sobriedade, passei por muitos altos e baixos, pequenas e grandes emoções, como o falecimento de minha ex noiva (já tínhamos terminado o relacionamento, mas o carinho é imenso), ver minha mãe perdendo a lucidez pelo Alzheimer, entre outras. Mas o que importa é que não bebi, não acordo mais com as ressacas que tinha e o mais importante, me sentindo útil e com fé que no dia de hoje conseguirei superar cada obstáculo que vier, rumo a felicidade diária.
Essa história não termina aqui. Sigo com a missão de viver em sobriedade cada dia da minha vida. E espero que seja uma longa e sóbria história de vida.
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