O que eu fiz da minha vida
O meu falecimento se deu em um mês de novembro de um ano do século vinte e um...
Faltavam cinco meses e dezoito dias para que eu completasse os noventa anos de idade...
Há bastante tempo da minha vida que vinha ponderando - p que eu fiz da minha vida?
Tive três filhas.
A uma abandonei aos três anos por desentendimento com o marido que, julgava incompetente em termos de sexo.
O problema estava comigo que era uma ninfomaníaca...
Outras duas, planejei deixar com a mais idosa das três - dezessete anos, mas, ela não concordando, abandonei-as na boca do lixo.
Passava sete, quinze, trinta dias ou mais sem vê-las em troca de badalacoes e de jogatina.
Tentei o suicídio por algumas vezes.
Adquiri diabetis melittus, depressão, ansiedade, distúrbio da pressão sanguínea, e ademais .
Passava os dias lamentando ao Pai as minhas enfermidades.
Uma amiga me.perguntou:
- Interessante...
- Quando se encontrava nas jogatina da vida, nos bailes, e, nas orgias de sexo, se lembrava de Deus?
A resposta pronta é seca...
- Não; eu não precisava!
Tola...
Precisamos do Pai nas vinte e três horas, cincoenta e oito minutos e quatro segundos do dia...
Quando morreu, não sofreu...
Morreu em casa...
A ambulância comparecendo, o escritor, que costuma afirmar que é médico sem credencial do Conselho Regional de Medicina, atendeu.
O profissional fez algumas perguntas e, ao prencher os formulários, colocou causa mortis desconhecida.
O escritor dissera:
- Se quiser acreditar foi Embolia Pulmonar!
O profissional da saúde quis se certificar dos detalhes e fez perguntas.
De verdade, foi Embolia Pulmonar, mas, pelo fato de não te-la visto com vida, vou atestar mesmo causa desconhecida.
Assim é a vida...