GERAÇÃO PRIVILEGIADA
Tatuapé dos anos 50/60 onde as únicas ruas com calçamento de paralelepípedos eram a Tuiuti e Vilela e o resto tudo de terra
nas noites de calor, as pessoas colocavam cadeiras nas calçadas e jogavam a conversa fora. As mulheres ficavam falando dos acontecimentos do dia e os homens conversando sobre política ou futebol, enquanto as crianças brincavam de cobra-cega, mãe da rua ou pega-pega.
As peladas de turma de cima, do meio e de baixo, Tijuco Preto, do Ouro e Platina jogavam contra valendo taça e quebra pau com o clássico \\\\\\\"te pego na escola\\\\\\\"...anos depois ja amigos riam a valer com as lembranças.
As vezes eram tempo de pipa, bola de gude, raquete sem nenhuma regra escrita...apareciam assim do nada
Um morador tinha projetor de filmes e, em uma tela improvisada na parede caiada de branco do prédio vizinho da sua casa, passava os filmes para a molecada: Tom & Jerry, Pica-Pau, Gordo e o Magro, Charles Chaplin.
Até que alguém com o olhar sonolento, dizia:
-Bem gente, vou entrar que amanhã tenho que pular cedo.
E chamava as crianças, lembrando que elas tinham escola pela manhã.
Dia seguinte, os adultos iam para o trabalho nas tecelagens do bairro e as crianças para o G.E Visconde de Congonhas do Campo, já uniformizados. Os meninos iam com calça azul marinho e camisa branca, já as meninas com avental branco, uma espécie de guarda pó.
Quando a professora entrava na sala de aula, em sinal de respeito, todos ficavam em pé até que ela desse a ordem para sentar.
Na saída tinha o guarda civil, Sr. Adhemar que parava o pequeno trânsito na Rua Tuiuti para que os alunos atravessassem na faixa de pedestre com segurança. Ninguém tinha medo da polícia. No final do ano letivo fazia-se uma coleta para comprar um presente para este guarda.
Íamos à sorveteria do seu Batista comprar o famoso picolé de coco queimado e balas futebol.
Eram apenas três horas de aula por dia, mas o suficiente para, no...
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GERAÇÃO PRIVILEGIADA
Tatuapé dos anos 50/60 onde as únicas ruas com calçamento de paralelepípedos eram a Tuiuti e Vilela e o resto tudo de terra
nas noites de calor, as pessoas colocavam cadeiras nas calçadas e jogavam a conversa fora. As mulheres ficavam falando dos acontecimentos do dia e os homens conversando sobre política ou futebol, enquanto as crianças brincavam de cobra-cega, mãe da rua ou pega-pega.
As peladas de turma de cima, do meio e de baixo, Tijuco Preto, do Ouro e Platina jogavam contra valendo taça e quebra pau com o clássico \\\\\\\"te pego na escola\\\\\\\"...anos depois ja amigos riam a valer com as lembranças.
As vezes eram tempo de pipa, bola de gude, raquete sem nenhuma regra escrita...apareciam assim do nada
Um morador tinha projetor de filmes e, em uma tela improvisada na parede caiada de branco do prédio vizinho da sua casa, passava os filmes para a molecada: Tom & Jerry, Pica-Pau, Gordo e o Magro, Charles Chaplin.
Até que alguém com o olhar sonolento, dizia:
-Bem gente, vou entrar que amanhã tenho que pular cedo.
E chamava as crianças, lembrando que elas tinham escola pela manhã.
Dia seguinte, os adultos iam para o trabalho nas tecelagens do bairro e as crianças para o G.E Visconde de Congonhas do Campo, já uniformizados. Os meninos iam com calça azul marinho e camisa branca, já as meninas com avental branco, uma espécie de guarda pó.
Quando a professora entrava na sala de aula, em sinal de respeito, todos ficavam em pé até que ela desse a ordem para sentar.
Na saída tinha o guarda civil, Sr. Adhemar que parava o pequeno trânsito na Rua Tuiuti para que os alunos atravessassem na faixa de pedestre com segurança. Ninguém tinha medo da polícia. No final do ano letivo fazia-se uma coleta para comprar um presente para este guarda.
Íamos à sorveteria do seu Batista comprar o famoso picolé de coco queimado e balas futebol.
Eram apenas três horas de aula por dia, mas o suficiente para, no primeiro mês de escola, todos estarem alfabetizados e saberem as quatro operações da matemática. Não existia a tal progressão automática, fazíamos os exames necessários, quem não tivesse media, repetia o ano.
Nas noites frias de junho havia festa junina no bairro todo; tinha fogueira do início ao fim da rua, pipoca, paçoca, quentão, balõezinhos chineses, chuva de ouro e prata, biriba - tudo sem perigo, batata doce assada na fogueira... Era bom demais!
Nos finais de semana, os campos de várzea ficavam lotados com os times do bairro jogando entre si ou com algum time de fora:; Tuiuti, Cruzmaltino, Cruzeirinho, Cruzeirão, Saudades, Vila Paris, Urca, Silvio Romero, Sampaio Moreira, Vila Primavera, Recorde, Paulistinha e uma infinidade de outros times que revelaram verdadeiros craques. Havia também os famosos festivais valendo taça.
Bailes ao som de Bienvenido Granda, Ray Conniff, Anisio Silva, Perez Prado, Trio Los Panchos. Os rapazes ficavam impecavelmente trajados com terno de tropical ou gabardine, camisa com abotoaduras douradas e gravata com alfinete, as meninas lindas perfumadas e com penteados ajeitados com laquê, os pares saiam rodopiando pelo salão cada um querendo mostrar seus passos figurados.
Televisão era artigo de luxo. Tanto que nas copas de 58 e 62, ao contrário de hoje que na hora do jogo as ruas ficam desertas, estavam todos ouvindo no radio que alguém colocava em cima do muro da casa ou do alto falante corneta instalado na janela do clube. O som era meio chiado e a fala do locutor um tanto duvidosa, para ele, o Brasil estava sendo sempre roubado, mas no final uma imensa festa com a rua apinhada de gente.
Praça Silvio Romero, quantas aventuras! Quantos amores e desamores... O cine Leste que às quartas-feiras promovia a seção das moças para elas pagarem meia entrada; portanto, a sala ficava cheia de rapazes também atrás de uma namorada.
As festas de aniversário ou casamento eram realizadas na mesma sala onde as pessoas choravam seus mortos, mas, tanto na alegria como na tristeza, a vizinhança compartilhava como se fossem todos de uma só família.
Se alguem leu até aqui e se identificou com algo da narrativa tenha certeza...Voce é de uma geração privilegiada..
Jose Beira
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