ELE
Nasceu em Uberaba, Minas Gerais, mas foi criado em Brasília, onde chegou aos dois anos de idade. De mineiro, fora a certidão de nascimento, perdeu tudo, até mesmo o “uai”. Teve uma infância meio conturbada, pois cresceu entre as brigas do pai embriagado batendo na mãe. Amou amores platônicos. Aos domingos sempre fora obrigado a frequentar a igreja e, entediado, ouvir as ladainhas do padre misturando latim, italiano e português. Amiúde desafiou as ameaças divinas, pensando nas brincadeiras e sentindo uma inveja pueril das outras crianças livres lá fora. Chorou por dentro. Superou tudo com resiliência.
Virou adolescente. Mudou-se de casa. Jogou bola na rua, na escola e nos campos de terra. Brincou, desenhou e conquistou novos amigos através da inteligência aguçada. Sentiu-se forte. Cometeu pequenos furtos por mero espírito aventureiro. Dançou nas festinhas inocentes, namorou, abraçou e beijou de verdade. Gozou em noites onanistas de solidão. Perdeu a virgindade com uma prostituta. Vendeu jornais, carregou caixas de laranja e vendeu sandálias artesanais em praça pública. Se virou literalmente. Frequentou a igreja aos domingos apenas para namorar, abraçar e beijar as meninas sob a cumplicidade da lua. Ouviu músicas, ouviu a bela canção \"Gita\" virou fã de Raul Seixas. Aos poucos, passou a desconfiar das verdades absolutas. Usou drogas no auge da rebeldia adolescente, mas, felizmente, sentiu apenas engulhos, enjoos e asco. Passou a beber socialmente apenas uma cervejinha gelada, às vezes uma cachaça e um vinho nas noites gélidas. Brigou na rua, apanhou e bateu. Estudou muito sonhando em vencer na vida. Assim, no meio das turbulências, viveu alienado das questões políticas durante a sangrenta ditadura militar vigente na época.
Virou adulto. Arrumou um emprego, casou-se e fez faculdade. Como professor, ajudou a formar cidadãos, cumpriu o dever e aposentou-se. Sempre leu, leu muito. Através da leitura descobriu a magia...
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ELE
Nasceu em Uberaba, Minas Gerais, mas foi criado em Brasília, onde chegou aos dois anos de idade. De mineiro, fora a certidão de nascimento, perdeu tudo, até mesmo o “uai”. Teve uma infância meio conturbada, pois cresceu entre as brigas do pai embriagado batendo na mãe. Amou amores platônicos. Aos domingos sempre fora obrigado a frequentar a igreja e, entediado, ouvir as ladainhas do padre misturando latim, italiano e português. Amiúde desafiou as ameaças divinas, pensando nas brincadeiras e sentindo uma inveja pueril das outras crianças livres lá fora. Chorou por dentro. Superou tudo com resiliência.
Virou adolescente. Mudou-se de casa. Jogou bola na rua, na escola e nos campos de terra. Brincou, desenhou e conquistou novos amigos através da inteligência aguçada. Sentiu-se forte. Cometeu pequenos furtos por mero espírito aventureiro. Dançou nas festinhas inocentes, namorou, abraçou e beijou de verdade. Gozou em noites onanistas de solidão. Perdeu a virgindade com uma prostituta. Vendeu jornais, carregou caixas de laranja e vendeu sandálias artesanais em praça pública. Se virou literalmente. Frequentou a igreja aos domingos apenas para namorar, abraçar e beijar as meninas sob a cumplicidade da lua. Ouviu músicas, ouviu a bela canção \"Gita\" virou fã de Raul Seixas. Aos poucos, passou a desconfiar das verdades absolutas. Usou drogas no auge da rebeldia adolescente, mas, felizmente, sentiu apenas engulhos, enjoos e asco. Passou a beber socialmente apenas uma cervejinha gelada, às vezes uma cachaça e um vinho nas noites gélidas. Brigou na rua, apanhou e bateu. Estudou muito sonhando em vencer na vida. Assim, no meio das turbulências, viveu alienado das questões políticas durante a sangrenta ditadura militar vigente na época.
Virou adulto. Arrumou um emprego, casou-se e fez faculdade. Como professor, ajudou a formar cidadãos, cumpriu o dever e aposentou-se. Sempre leu, leu muito. Através da leitura descobriu a magia de escrever e, assim, tornou-se escritor para transformar a realidade em ficção. Tem cinco livros publicados, sendo quatro coletâneas de contos e um romance. Além de vários contos avulsos, vencedores de concursos literários, publicados em livros e revistas virtuais e impressos.
Não, não tem medo de assumir ser ateu convicto, anarquista Graças a Deus e respeitar todas as religiões. Nunca se esqueceu da citação do livro “O Alquimista”, de Paulo Coelho, “...você pode não acreditar em Deus, mas se fizer as coisas com amor, Ele, se existir, estará ao seu lado...”. Sim, sempre fez tudo com amor, sem imbróglios, cobiça e traição. Sempre foi uma pessoa íntegra, desprovido de inveja e sem ódio no coração. Sendo assim, se Deus existir, com certeza o perdoará.
Ama a família, sem dúvida, seu baluarte para tudo que faz. Ama os poucos amigos, mas todos sinceros. Ama os inimigos. Inimigos? Sim, nunca se sabe.
Ficou velho. Passou a amar a vida ciente de que a única coisa certa diante dela é a morte. Por isso começou a viver intensamente, sem exageros e de acordo com suas possiblidades. Não, não gosta de ser chamado de idoso, pois considera uma palavra obscena. Prefere ser chamado de velho. Velho com muito orgulho. Por que não? Afinal, nem todos conseguem alcançar a velhice, principalmente com saúde. A partir de agora não pensa mais na idade, mas, sim, em quanto anos ainda tem pela frente.
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