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Por: Vicente Geraldo de Melo Neto, 9 de maio de 2025

ELE

Esta história contém:

ELE

Nasceu em Uberaba, Minas Gerais, mas foi criado em Brasília, onde chegou aos dois anos de idade. De mineiro, fora a certidão de nascimento, perdeu tudo, até mesmo o “uai”. Teve uma infância meio conturbada, pois cresceu entre as brigas do pai embriagado batendo na mãe. Amou amores platônicos. Aos domingos sempre fora obrigado a frequentar a igreja e, entediado, ouvir as ladainhas do padre misturando latim, italiano e português. Amiúde desafiou as ameaças divinas, pensando nas brincadeiras e sentindo uma inveja pueril das outras crianças livres lá fora. Chorou por dentro. Superou tudo com resiliência.

Virou adolescente. Mudou-se de casa. Jogou bola na rua, na escola e nos campos de terra. Brincou, desenhou e conquistou novos amigos através da inteligência aguçada. Sentiu-se forte. Cometeu pequenos furtos por mero espírito aventureiro. Dançou nas festinhas inocentes, namorou, abraçou e beijou de verdade. Gozou em noites onanistas de solidão. Perdeu a virgindade com uma prostituta. Vendeu jornais, carregou caixas de laranja e vendeu sandálias artesanais em praça pública. Se virou literalmente. Frequentou a igreja aos domingos apenas para namorar, abraçar e beijar as meninas sob a cumplicidade da lua. Ouviu músicas, ouviu a bela canção \"Gita\" virou fã de Raul Seixas. Aos poucos, passou a desconfiar das verdades absolutas. Usou drogas no auge da rebeldia adolescente, mas, felizmente, sentiu apenas engulhos, enjoos e asco. Passou a beber socialmente apenas uma cervejinha gelada, às vezes uma cachaça e um vinho nas noites gélidas. Brigou na rua, apanhou e bateu. Estudou muito sonhando em vencer na vida. Assim, no meio das turbulências, viveu alienado das questões políticas durante a sangrenta ditadura militar vigente na época.

Virou adulto. Arrumou um emprego, casou-se e fez faculdade. Como professor, ajudou a formar cidadãos, cumpriu o dever e aposentou-se. Sempre leu, leu muito. Através da leitura descobriu a magia...

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