Memórias da Escola.
Desde já dizer que esta é uma história vivida, isto é, baseada em fatos, por marcar-me muito a decidi escrever, poderia ter escrito tantas outras memórias que me vêm à mente agora, mas esta é especial, talvez ao longo da vossa boa leitura vocês se perguntem: especial? É, é especial por ter me magoado e marcado muito meu percurso escolar, porém deixar claro que já não sinto tal sentimento, a medida que fui crescendo, fui aprendendo na marra que a vida é assim, uns vêm para ficar, outros vão e nunca mais voltam. Queria enfatizar o incentivo de ter escrito essa narrativa, em um dos meus componentes na Universidade, Práticas de Estágio I, lecionado pela minha bela e amada professora, doutora Sabrina Rodrigues Garcia Balsalobre, em uma Atividade Avaliativa, pediu-nos para trazer em sala de aula uma memória que nos tenha marcado muito na escola, a ideia era de nos colocarmos no lugar do outro, nalguns momentos como educadores, ouvindo a história do outro e noutras vezes como estudante contando nossas histórias. Assim, começa minha memória. Bem, meu nome é Suzete da Gama Faria, conhecida artisticamente por Vedeta, atualmente estudante do Curso de Letras - Língua Portuguesa, pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, vulgo Unilab, e naquela época era ainda conhecida como Joia rapper. Eu tinha 19 anos e residia no bairro malueca, localizado na cidade de Luanda, Angola, no município de Cacuaco. Na verdade, toda a minha pré-adolescência até a minha saída do meu país de origem, sempre morei lá, com minha querida mãe, três irmãos e meu padraspai(''se a palavra não existia, well agora existe''), digo-o porque o considerava e considero até hoje como sendo mais meu pai do que padras. No referido bairro, estudei no Colégio Vale de Barraca, onde completei todo meu ensino médio, ou seja, do 10° ao 12° ano. Ao mencionar o 12° ano,...
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Memórias da Escola.
Desde já dizer que esta é uma história vivida, isto é, baseada em fatos, por marcar-me muito a decidi escrever, poderia ter escrito tantas outras memórias que me vêm à mente agora, mas esta é especial, talvez ao longo da vossa boa leitura vocês se perguntem: especial? É, é especial por ter me magoado e marcado muito meu percurso escolar, porém deixar claro que já não sinto tal sentimento, a medida que fui crescendo, fui aprendendo na marra que a vida é assim, uns vêm para ficar, outros vão e nunca mais voltam. Queria enfatizar o incentivo de ter escrito essa narrativa, em um dos meus componentes na Universidade, Práticas de Estágio I, lecionado pela minha bela e amada professora, doutora Sabrina Rodrigues Garcia Balsalobre, em uma Atividade Avaliativa, pediu-nos para trazer em sala de aula uma memória que nos tenha marcado muito na escola, a ideia era de nos colocarmos no lugar do outro, nalguns momentos como educadores, ouvindo a história do outro e noutras vezes como estudante contando nossas histórias. Assim, começa minha memória. Bem, meu nome é Suzete da Gama Faria, conhecida artisticamente por Vedeta, atualmente estudante do Curso de Letras - Língua Portuguesa, pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, vulgo Unilab, e naquela época era ainda conhecida como Joia rapper. Eu tinha 19 anos e residia no bairro malueca, localizado na cidade de Luanda, Angola, no município de Cacuaco. Na verdade, toda a minha pré-adolescência até a minha saída do meu país de origem, sempre morei lá, com minha querida mãe, três irmãos e meu padraspai(''se a palavra não existia, well agora existe''), digo-o porque o considerava e considero até hoje como sendo mais meu pai do que padras. No referido bairro, estudei no Colégio Vale de Barraca, onde completei todo meu ensino médio, ou seja, do 10° ao 12° ano. Ao mencionar o 12° ano, compartilho uma memória que jamais esquecerei: -
''A prova de Língua Portuguesa''. Recordo-me como se fosse hoje.
Em um belo dia na escola, eu estava feliz, acompanhada das minhas amigas, antes denominadas como ''As Santas Marbelis'', estávamos a rir muito e a compartilhar como tinha sido nosso final de semana, quando ouvimos o sino a tocar, rapidamente, corremos à sala de aula. Estávamos em período de provas e, naquele dia, era a de Língua Portuguesa. Recebi o enunciado e me dispus a ler com atenção, tal como estava recomendada na folha. Na terceira pergunta, senti-me aliviada, pois as questões estavam ao meu alcance. Logo, comecei a rir à toa (como costumamos dizer no meu país quando estamos felizes por alguém, algo ou até um acontecimento). Ao chegar à última pergunta, foi aí que tudo mudou, inclusive meu semblante. Não consegui me conter, em meio à tristeza, pensamentos, mágoa e raiva, abaixei de leve a cabeça sobre a folha e comecei a chorar, pois a pergunta dizia: em poucas alíneas escreva sobre seu pai. Antes que se perguntem sobre o que eu acho que vão se perguntar, um colega perguntou: professor, tem de ser necessariamente seu pai, de pai mesmo? - Ele respondeu, sim, seu pai mesmo, biológico. Então, a única coisa que consegui expressar para aquela questão foram minhas lágrimas. Perguntas como sobre o que eu ia escrever? Como escrever e onde começar a escrever? Não se calavam nos meus pensamentos. É possível escrever sobre alguém que nunca vimos e nem conhecemos? Não sabemos a idade, a naturalidade nem sua descendência? Após essas inquietações que me surgiam à cabeça enquanto chorava, recuperei-me, levantei minha cabeça, limpei meu rosto como se nada fosse e entreguei a folha de prova, que estava molhada em algumas de suas partes limiares.
VEDETA
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