Eu nasci na zona rural do município de Cerquilho-SP, município banhado pelo Rio Sorocaba, afluente do Rio Tietê. Nasci numa fazenda grande e meu pai trabalhou na Fazenda Vitória, onde nasci, por 25 anos e o pai dele também trabalhou na mesma fazenda anteriormente por uns 25 anos. Meu pai se chamava Agenor Lisboa de Almeida e minha mãe, Ana Rosa Nunes de Almeida. Ela de Cesário Lange-SP e ele de Laranjal Paulista.
A fazenda na época era do piracicabano Francisco José Rodrigues de Morais, conhecido por Chiquito. A esposa dele era dona Benedita e ela era chamada por dona Bebê.
Cerquilho tem influência do antigo tropeirismo e fica na rota que vinha desde o Rio Grande do Sul até Sorocaba que era um centro de convergência das tropas de mulas, muitas delas destinadas ao garimpo do ouro nas Minas Gerais.
Cerquilho suponho que tem a ver com cercado, cerca, para pouso de boiadeiros e boiadas no passado.
Na época em que nasci, era comum famílias numerosas e a minha era na média, por assim dizer. Eramos em oito e uma faleceu na primeira infância, do que chamavam de crupe, que seria uma doença nas vias respiratórias. Tempos que o acesso aos médicos era pouco principalmente para quem era da zona rural.
Nasci no chamado Bairro Represa, ao lado do Rio Sorocaba. A particularidade do local é que vizinha da Fazenda Vitória, há até a atualidade uma pequena usina hidrelétrica que nos anos cinquenta eram de particulares e distribuia energia para a região. A usina era tocada por umas dez pessoas, das quais, quatro eram da minha família. Meu tio Manoel Blanco, o tio Neco, era o Gerente Geral da Usina Hidrelétrica de Tathuy, que teria sido inaugurada em 1903. O pátio e as casas dos moradores e trabalhadores da usina eram todos jardinados e muito bons. Nos anos 50 lá havia na casa do Gerente (meu tio) um telefone monocanal com o qual se falava com o escritório da usina em Tietê-SP. Quando havia...
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Eu nasci na zona rural do município de Cerquilho-SP, município banhado pelo Rio Sorocaba, afluente do Rio Tietê. Nasci numa fazenda grande e meu pai trabalhou na Fazenda Vitória, onde nasci, por 25 anos e o pai dele também trabalhou na mesma fazenda anteriormente por uns 25 anos. Meu pai se chamava Agenor Lisboa de Almeida e minha mãe, Ana Rosa Nunes de Almeida. Ela de Cesário Lange-SP e ele de Laranjal Paulista.
A fazenda na época era do piracicabano Francisco José Rodrigues de Morais, conhecido por Chiquito. A esposa dele era dona Benedita e ela era chamada por dona Bebê.
Cerquilho tem influência do antigo tropeirismo e fica na rota que vinha desde o Rio Grande do Sul até Sorocaba que era um centro de convergência das tropas de mulas, muitas delas destinadas ao garimpo do ouro nas Minas Gerais.
Cerquilho suponho que tem a ver com cercado, cerca, para pouso de boiadeiros e boiadas no passado.
Na época em que nasci, era comum famílias numerosas e a minha era na média, por assim dizer. Eramos em oito e uma faleceu na primeira infância, do que chamavam de crupe, que seria uma doença nas vias respiratórias. Tempos que o acesso aos médicos era pouco principalmente para quem era da zona rural.
Nasci no chamado Bairro Represa, ao lado do Rio Sorocaba. A particularidade do local é que vizinha da Fazenda Vitória, há até a atualidade uma pequena usina hidrelétrica que nos anos cinquenta eram de particulares e distribuia energia para a região. A usina era tocada por umas dez pessoas, das quais, quatro eram da minha família. Meu tio Manoel Blanco, o tio Neco, era o Gerente Geral da Usina Hidrelétrica de Tathuy, que teria sido inaugurada em 1903. O pátio e as casas dos moradores e trabalhadores da usina eram todos jardinados e muito bons. Nos anos 50 lá havia na casa do Gerente (meu tio) um telefone monocanal com o qual se falava com o escritório da usina em Tietê-SP. Quando havia emergência médica, esse telefone também atendia a população da vizinhança, no sentido de chamar um taxi para levar o doente ou mandar vir um médico da cidade para atender o caso. O mais comum era levar o doente para a cidade.
Fiz a primeira comunhão na Capela de Nossa Senhora da Conceição lá no Bairro Represa no qual fica a Fazenda Vitória, que visito de vez em quando para matar a saudade.
Como a capela fica em área privada, hoje em dia é cercada de tela alta e nem o nome da padroeira é citado no local que fica sobre cadeado. Eu recentemente visitei a capela por fora e depois fui a Cerquilho e na Paróquia de São José, me informei na Secretaria e lá disseram que a capela está fechada porque é particular e não foi cedida para a Paróquia. E informaram que a santa da capela é Nossa Senhora da Conceição. Com estas informações eu fiz uma matéria com uma foto da capela neste ano de 2024 e publiquei na web (via meu blog orlandolisboa.blogspot.com.br pra que outros achem a Capela em busca na web).
Estudei na Escola Rural da Fazenda Vitória, prédio de alvenaria com uma sala de aula ampla, pátio e casa da professora. Hoje em dia o prédio da escola está bem conservado, tem caseiro e foi transformada em um templo da Congregação Cristã do Brasil. Por um lado é triste ver que lá não é mais uma escola, mas há o consolo do prédio estar bem conservado e zelado em tempo integral.
Fiz da primeira à terceira série na escolinha local que se chamava Escola Típica Rural da Fazenda Vitória. Minha professora nos três anos eram a Professora Maria de Lourdes Batistuzzo Matias, esposa do Sr. Afonso Matias. Eles tinham um casal de filhos que também estudaram naquela escolinha.
Depois de terminar o chamado terceiro ano, fui enviado para a casa de velhos conhecidos que moravam em Cerquilho-SP na zona urbana e comecei então o quarto ano na escola local que fica atrás da Igreja de São José. Era a escola perto da casa onde eu morava com o Sr. Antonio Fortran e Dona Angelina. Eles eram sogros do Sr João Modolo Sobrinho que era dono de uma cerâmica no que hoje é a parte central de Cerquilho, uns 500 m acima da Igreja de São José. Sofri um acidente doméstico lá no pátio da Cerâmica São Francisco, onde morava e não consegui fazer o segundo semestre do quarto ano. Minha professora se chamava Adma Macruz. Eu era um bom aluno e tirava boas notas. Era tímido mas conseguia me virar bem no desafio de aos nove/dez anos, morar com uma família, um casal de idosos e ir para a cidade numa escola onde não conhecia ninguém.
Não custa voltar um pouco atras para lembrar que eu e meus irmãos nascemos em parto pelas mãos de parteira, em casa. Só minha irmã caçula nasceu em hospital após nós migrarmos para Mauá - SP em 1961 quando eu tinha onze anos de idade.
A Mudança
Em 1961 e anos seguintes, havia inquietação no meio rural por conta do movimento no campo pela Reforma Agrária. Espalhavam boatos para assustar o povo dizendo que velhos empregados iriam ficar com as terras de onde trabalhavam. Assim patrão ficou com medo de empregado e empregado ficou estranhando o patrão.
Nesse clima, meus pais resolveram deixar para tras os 25 anos de trabalho duro com gado na fazenda e mudar para a cidade onde o sonho era estudar os filhos. Buscar um futuro melhor. Essa visão era mais pelo lado da minha mãe. E ela tinha a favor, o fato de que meus avós maternos já fazia 12 anos que tinham migrado para Mauá-SP que fica distante uns 40 km de São Paulo-capital. Tinham migrado, tinham emprego com carteira assinada e já tinham conseguido comprar terreno e ter casa própria. O que era uma proeza para quem era assalariado e de poucos recursos.
No tempo da fazenda, moramos a maior parte do tempo numa casa de madeira antiga, sem pintura e piso de chão batido. Depois construiram uma casa nova, em alvenaria para nós morarmos e não moramos muito tempo nela. Esta casa existe e está em uso e bem conservada. Visitei por fora a casa neste ano de 2024 mais uma vez. Sempre que posso, dou uma espiada por lá para matar a saudade do lugar e relembrar a infância.
Na cidade, fomos morar num barracão de madeira onde moraram meus avós nos primeiros tempos. É um terreno grande, de esquina e o barracão também de tábua, sem pintura e piso de chão batido nos atendeu por um ano até comprarmos um terreno bem perto dos avós e construirmos nossa casa de alvenaria. Era uma casa no que chamavam de estilo americano, com os telhados desencontrados. No meio da casa, o telhado de um lado começava quase um metro acima de onde começava o telhado para o outro lado. Foi uma forma recorrente de uma época.
Meu pai e irmãos foram trabalhar na Porcelana Real que era uma fábrica de porcelana bastante grande e qualificada na época. Nos anos 60 Mauá era chamada de Capital da Porcelana fina. Tinha além da Porcelana Real, a Porcelana Mauá, enorme. Tinha mais outras fábricas de porcelana e louça na cidade. Em resumo, nossa mudança para Mauá foi em 1961 quando eu estava com onze anos de idade.
Pretendo continuar por mais etapas e não estou achando a forma de gravar isto e sair para retornar em outras ocasiões.... Espero que dê certo e eu não perca o que já escrevi. zap 41 999172552
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