Eu sou Lucia Rodrigues , produtora Cultural e parecerista
Nos anos 80 montei uma produtora de vídeo com o objetivo de registrar shows. Tudo começou depois de assistir a gravações em que as câmeras focavam apenas os cantores, enquanto os músicos executavam grandes solos praticamente invisíveis para o público. Aquilo me incomodava profundamente. Eu queria registrar a música por inteiro, mostrar os músicos, os arranjos, a troca no palco, a verdadeira experiência musical.
Foi então que comprei uma câmera VHS e comecei a me aventurar nos registros de shows. Naquela época eu ainda não era programadora ou curadora de espaços culturais. Era apenas alguém apaixonada por música, imagem e documentação artística.
Nesse período produzi discos como os de Cissa e Dave Gordon, ainda na era dos LPs. Paralelamente, comecei a gravar apresentações ao vivo e fui me aprofundando no ofício musical. Recebi muitos ensinamentos de Filó Machado, que abriu caminhos fundamentais para minha trajetória, muito antes mesmo da minha passagem pelo Supremo Musical.
Conheci estúdios, músicos de jingles e o universo da produção fonográfica. Montei então um book de músicos profissionais que realmente tocavam para filmes publicitários. Até aquele momento, muitos comerciais utilizavam atores fingindo tocar instrumentos. Minha proposta era trazer autenticidade musical para as produções.
Eu estava feliz com minha câmera, fazendo vídeos e transcrevendo registros através de equipamentos de cinema herdados da minha família. Até que um dia o compositor Blanco me apresentou ao Américo, dono do Supremo Musical. Naquele encontro a chave virou. Passei a trabalhar no escritório do Supremo e finalmente pude viver intensamente aquilo que eu mais amava: a música de verdade.
Nos anos em que atuei no Supremo Musical, participei de diversas produções importantes. Vivi de perto o início da carreira de Maria Rita, que começou no Supremo como backing vocal de Chico...
Continuar leituraEu sou Lucia Rodrigues , produtora Cultural e parecerista
Nos anos 80 montei uma produtora de vídeo com o objetivo de registrar shows. Tudo começou depois de assistir a gravações em que as câmeras focavam apenas os cantores, enquanto os músicos executavam grandes solos praticamente invisíveis para o público. Aquilo me incomodava profundamente. Eu queria registrar a música por inteiro, mostrar os músicos, os arranjos, a troca no palco, a verdadeira experiência musical.
Foi então que comprei uma câmera VHS e comecei a me aventurar nos registros de shows. Naquela época eu ainda não era programadora ou curadora de espaços culturais. Era apenas alguém apaixonada por música, imagem e documentação artística.
Nesse período produzi discos como os de Cissa e Dave Gordon, ainda na era dos LPs. Paralelamente, comecei a gravar apresentações ao vivo e fui me aprofundando no ofício musical. Recebi muitos ensinamentos de Filó Machado, que abriu caminhos fundamentais para minha trajetória, muito antes mesmo da minha passagem pelo Supremo Musical.
Conheci estúdios, músicos de jingles e o universo da produção fonográfica. Montei então um book de músicos profissionais que realmente tocavam para filmes publicitários. Até aquele momento, muitos comerciais utilizavam atores fingindo tocar instrumentos. Minha proposta era trazer autenticidade musical para as produções.
Eu estava feliz com minha câmera, fazendo vídeos e transcrevendo registros através de equipamentos de cinema herdados da minha família. Até que um dia o compositor Blanco me apresentou ao Américo, dono do Supremo Musical. Naquele encontro a chave virou. Passei a trabalhar no escritório do Supremo e finalmente pude viver intensamente aquilo que eu mais amava: a música de verdade.
Nos anos em que atuei no Supremo Musical, participei de diversas produções importantes. Vivi de perto o início da carreira de Maria Rita, que começou no Supremo como backing vocal de Chico Pinheiro. Na mesma época, criei um catálogo com cerca de 300 títulos de CDs independentes, que talvez tenha sido uma das primeiras experiências de loja online de discos independentes no Brasil.
Minha trajetória sempre esteve ligada à valorização da música, dos músicos e da memória cultural. Desde os registros em VHS até a curadoria, produção cultural, livros, filmes e projetos independentes, sigo construindo uma caminhada dedicada à cultura brasileira.
Com o encerramento das atividades
Na grande festa de encerramento do Supremo Musical, um evento histórico que fechou a Rua Oscar Freire por oito horas, vivi um daqueles encontros que mudam trajetórias. Foi ali que conheci Lalinha (Eulália), da produtora Comida di Buteco, de Belo Horizonte. Ao ser apresentada a ela, recebi um presente inesperado: o convite para realizar em São Paulo a primeira edição do projeto, que aqui teria o nome de Boteco Bohemia.
Assim começou mais uma aventura cultural na minha trajetória. No Boteco Bohemia, mergulhei de cabeça naquele universo popular, musical e festivo que sempre me encantou. Era uma verdadeira farra cultural. Montei diversos trios musicais e passamos a circular pelos botecos participantes levando música ao vivo, alegria e ocupação cultural para os bares da cidade.
Chegávamos em uma van adesivada com a marca do Boteco Bohemia e, assim que estacionávamos, a música começava. Os botecos “pé pra fora” ganhavam vida com samba, chorinho e muita interação popular. O público se misturava aos músicos, os bares lotavam e a rua virava palco. Era a celebração perfeita da cultura brasileira em seu estado mais espontâneo: música, encontro, comida e convivência.
Essa experiência consolidou ainda mais meu olhar para a ocupação cultural dos espaços urbanos, aproximando artistas, público e estabelecimentos em uma ação pioneira e afetiva que marcou época na cena paulistana.
Após o encerramento do Boteco Bohemia, cheguei ao Madeleine Jazz Bar pelas mãos de Gerson Tatini, com quem já havia trabalhado durante cinco anos no Supremo Musical. Essa parceria, construída ao longo de muitos projetos e experiências na cena cultural paulistana, abriu caminho para uma nova fase da minha trajetória como curadora e programadora cultural.
No Madeleine, passei a atuar diretamente na curadoria artística e na programação musical, às quartas ( dia de futebol). Decorei todas as tabelas futebolísticas para medir o público que teríamos. Contribuindo para consolidar o espaço como uma referência de jazz, música instrumental e encontros culturais em São Paulo. O trabalho no Madeleine representou a continuidade de uma caminhada iniciada ainda nos anos 80, sempre conectada à valorização da música independente, dos artistas autorais e da construção de espaços de resistência cultural.
Nessa época, entre o Supremo Musical e a Central das Artes, trabalhei na produção de importantes músicos da nossa cena cultural. Entre eles, destaco o violinista Nikolas Krassik, com quem permaneci por mais tempo em parceria profissional.
Ao lado de Nikolas, viajamos bastante pelo Brasil, participando de festivais, shows e projetos marcantes ligados à música instrumental brasileira. Essa convivência ampliou ainda mais minha experiência na produção artística, especialmente no universo da música instrumental, aproximando-me de grandes músicos, festivais e iniciativas culturais fundamentais para a cena independente.
A próxima parada da minha trajetória foi a Central das Artes, no Sumaré, espaço fundamental para ampliar minha atuação como curadora, programadora cultural e articuladora de projetos ligados à música independente e à produção artística. Passei em frente à casa, me interessei pelo visual do espaço, entrei para conhecer, conversei com o proprietário e fui contratada. A partir dali, iniciou-se mais um capítulo importante da minha caminhada na cultura e na música brasileira.
Na Central das Artes, ampliei minha relação com as big bands e projetos instrumentais. Eu já havia trabalhado anteriormente com a Banda Mantiqueira e com a Orquestra Popular de Câmara, de Benjamim Taubkin, experiências que fortaleceram meu olhar para a música instrumental e os grandes coletivos musicais. Foi nesse ambiente fértil da Central das Artes que criei a primeira edição do Festival Só Vibras, projeto voltado à valorização do instrumento e penso que é o único festival brasileiro com foco no instrumento.
Depois da experiência intensa no circuito musical dos anos 80 e 90 — passando pelo Supremo Musical, Boteco Bohemia e Madeleine Jazz Bar —, e Central das Artes me dediquei ao ´- SÓ Vibras, festival ÚNICO NO BRASIL dedicado ao vibrafone e à música instrumental brasileira. O projeto surgiu como uma iniciativa de valorização desse instrumento pouco explorado nos festivais tradicionais, reunindo músicos, grupos instrumentais e artistas ligados ao jazz, à MPB e à experimentação sonora.
Realizamos o Festival Só Vibras em quatro edições: 2016, 2017, 2018 e 2022. O projeto nasceu na Central das Artes, onde aconteceu a primeira edição, em 2016. Em 2017 e 2018, o festival ocupou o lindo teatro da Unibes Cultural, consolidando-se como um importante espaço de encontro entre música instrumental, jazz e novas sonoridades. Já em 2022, contemplados por edital da Funarte, realizamos o festival na Sala Funarte São Paulo.
No Só Vibras, tive três grandes mentores, pilares fundamentais para a construção do festival e para minha formação artística e curatorial: Beto Caldas, Guga Stroeter e André Juarez. Sem eles, eu não teria aprendido tanto ao longo dessa trajetória.
Vídeo
https://youtu.be/2-E53t3g-yE
Logo após o encerramento das atividades da Central das Artes, eu, uma “paulista não praticante”, que já havia morado fora da grande metrópole, me mudei para Santos. Além das questões familiares, sempre tive uma ótima relação com a cidade e com sua atmosfera cultural ligada ao mar, à música e à memória portuária.
Chegando ao litoral, fui contemplada pelo PROAC e realizei o projeto Choro nas Barcas, iniciativa que levou música instrumental brasileira e encontros culturais para espaços ligados à paisagem marítima de Santos, aproximando artistas e público em uma experiência afetiva e popular.
O projeto marcou uma nova fase da minha trajetória, conectando minha experiência na produção cultural e curadoria musical com a vida cultural santista, fortalecendo ainda mais minha atuação na valorização da música brasileira e dos encontros entre artistas, território e memória.
Lúcia Rodrigues no Choro nas Barcas
Choro nas Barcas foi um projeto realizado por Lúcia Rodrigues após sua mudança para Santos, contemplado pelo PROAC, reafirmando sua trajetória dedicada à produção cultural, à música instrumental brasileira e à ocupação artística de espaços públicos e afetivos da cidade.
Vídeo https://youtu.be/YXOwWqA6Cpo
PORTUGAL
No mesmo ano em que cheguei a Santos, fui contemplada com a minha cidadania portuguesa. A partir daí, comecei a me aventurar pelas terras lusitanas, desenvolvendo projetos culturais, conhecendo novos espaços e registrando em vídeo manifestações artísticas e culturais que encontrava pelo caminho.
Nesse período realizei algumas apresentações em Portugal, levei artistas brasileiros para intercâmbios culturais e iniciei uma pesquisa audiovisual voltada aos músicos e artistas de rua da cidade do Porto. Passei a registrar performances, histórias e encontros que revelavam a riqueza cultural presente nas ruas portuguesas.
Esse material vem sendo organizado e tratado com a intenção de se transformar em meu próximo documentário, unindo música, memória, cotidiano e os diálogos culturais entre Brasil e Portugal.
Video
Neste mesmo período, passei a atuar como parecerista em importantes leis de incentivo cultural, entre elas a LAB – Lei Aldir Blanc, LPG – Lei Paulo Gustavo, PROAC e PNAB. Como integrante de comissões de avaliação na área da música, deixei de inscrever projetos musicais nesses editais, assumindo uma posição de contribuição técnica e de fortalecimento das políticas públicas de cultura.
Foi então que, pela primeira vez, decidi enviar um projeto na área do audiovisual. Através da Lei Paulo Gustavo, pelo município de Santos, nasceu o curta-metragem “Prédios Icônicos de Santos”. O projeto abriu para mim um universo até então desconhecido: o audiovisual.
A realização do curta ampliou ainda mais minha atuação cultural. A partir dele, organizei rodas de conversa, exibições públicas e encontros com a comunidade, promovendo reflexões sobre memória, patrimônio, arquitetura e identidade cultural da cidade de Santos. Essa experiência marcou uma nova fase da minha trajetória, trazendo novos aprendizados, novas linguagens e a certeza de que a cultura é um território infinito de possibilidades.
Sobre PRÉDIOS ICÔNICOS DE SANTOS
O curta-documentário “Prédios Icônicos de Santos”, dirigido por Lucia Rodrigues, destaca a arquitetura e as histórias humanas por trás de edifícios emblemáticos da cidade de Santos. A produção foi realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo e teve exibições gratuitas em espaços culturais importantes da cidade.
Entre os prédios retratados estão:
• o histórico Edifício Holiday, comparado ao Edifício Copan pela convivência social e arquitetura;
• o Verde Mar, tombado pelo Iphan;
• o Universo Palace;
• além de referências afetivas da cidade, como o antigo Bar Torto.
O filme também aborda a transformação dos apartamentos de temporada em moradia fixa e valoriza a memória urbana santista.
Algumas exibições aconteceram em espaços como:
• Museu da Imagem e do Som de Santos
• Pinacoteca Benedicto Calixto
• Cine Arte Posto 4
• Universidade Santa Cecília
O projeto também integrou a 1ª Mostra de Curtas-Metragens de Santos em 2025.
TRAILER
Video
Durante a pandemia, ao lado da minha parceira Lu Lopes, criamos a LULU Cultural, iniciativa dedicada à produção e difusão de conteúdos culturais, musicais e de memória artística. Com a LULU Cultural realizamos o programa Conversa de Lulu, série de entrevistas produzidas durante um ano para a Rádio RBA Litoral, reunindo artistas, produtores e importantes nomes da cultura brasileira em conversas sobre música, trajetória e criação artística.
No período em que as lives se tornaram uma das principais formas de circulação cultural, também desenvolvemos projetos especiais dedicados à preservação da memória da música brasileira, entre eles a série Viva a Divina, homenagem à cantora Elizeth Cardoso, e o Projeto Sivuca, voltado à obra e ao legado do multi-instrumentista e compositor Sivuca. Esses trabalhos reforçaram minha atuação na curadoria, produção cultural e criação de conteúdos ligados à valorização da música brasileira e de seus grandes intérpretes.
Vídeos dos projetos
https://youtu.be/VXvtRI6Ys9s
https://youtu.be/Og9oZuYuXAc
Em 2025, com o objetivo de registrar e trazer à luz a importância dos bares na cena cultural paulista, lancei o livro Supremo Musical. A publicação resgata memórias, personagens, encontros e histórias vividas em espaços fundamentais para a música brasileira e para a formação de artistas, produtores e públicos.
O livro nasce da minha trajetória dentro da cena cultural e musical, especialmente a partir da experiência no Supremo Musical, espaço emblemático que marcou época na cidade de São Paulo. Mais do que um bar, o Supremo foi um ponto de encontro de músicos, jornalistas, produtores, amantes da música e da cultura boêmia paulistana.
Sobre o livro
Link e video BooK Trailer https://youtu.be/GlEq6xgwEUk
O livro “Supremo Musical”, de Lucia Rodrigues, resgata a história do icônico bar e espaço musical paulistano que funcionou na Rua Oscar Freire e marcou a cena da música brasileira dos anos 1990 e 2000. O livro foi lançado pela Caravana Grupo Editorial.
Segundo a editora, a obra relembra o papel do Supremo Musical como palco de artistas como Maria Rita, Simoninha, Mônica Salmaso, João Donato, Nana Caymmi, Dori Caymmi, Johnny Alf, Rosa Passos e grupos como a Banda Mantiqueira.
4
A própria trajetória de Lucia Rodrigues aparece ligada diretamente ao espaço: ela atuou por cerca de 10 anos como programadora e produtora da casa, sendo responsável pela curadoria de shows e temporadas musicais.
Dados do livro:
• Título: Supremo Musical
• Autora: Lucia Rodrigues
• Editora: Caravana Grupo Editorial
• Formato: 14x21 cm
• Aproximadamente 226 páginas
• Gênero: relatos/depoimentos sobre a cena musical paulistana
Página oficial do livro:
Supremo Musical – Caravana Grupo Editorial
Perfil profissional de Lucia Rodrigues com informações sobre o livro e sua trajetória:
LinkedIn de Lucia Rodrigues
Video Release
https://youtu.be/Ao-7QtnoSh0
FIM
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