Meu nome é Milena Roberta Jurado.
Tenho receio de compartilhar minha história e parecer alguém atribuindo importância demais à própria vida.
Talvez eu comece justamente por isso.
Porque durante muito tempo senti ou ouvi, direta ou indiretamente, que eu não sabia lidar.
Com perdas.
Com sofrimento.
Com tristeza.
Com medo.
Com injustiças.
Com expectativas.
Às vezes parecia que o problema não era apenas o que aconteceu comigo, mas quem eu era depois do que aconteceu.
Quando penso na minha trajetória, a primeira lembrança que surge não são projetos, livros escritos ou pesquisas.
É a morte da minha mãe.
Vi a morte dela de perto.
Algumas pessoas perdem alguém. Outras também testemunham o processo, a fragilidade humana e o fim acontecendo diante dos olhos.
Existe uma pessoa antes disso.
E outra depois.
Perder minha mãe alterou profundamente minha relação com tempo, segurança, permanência, medo e futuro.
Há experiências que dividem a vida em duas partes.
Ao longo da vida também vivenciei experiências de discriminação.
Não falo apenas de episódios isolados, mas da sensação deixada por eles: questionamentos sobre valor, pertencimento, aceitação e sobre o motivo pelo qual algumas pessoas precisam justificar continuamente dor, esforço, inteligência ou existência.
Algumas experiências fazem alguém se perguntar:
"O problema foi o que vivi ou o problema sou eu?"
Talvez essa pergunta tenha permanecido muito tempo em mim.
Em paralelo, os livros ocuparam um espaço enorme na minha vida.
Li milhares deles ao longo dos anos.
Leitura para mim nem sempre foi entretenimento.
Muitas vezes foi tentativa.
Tentativa de compreender sofrimento.
Tentativa de compreender pessoas.
Tentativa de compreender morte.
Tentativa de compreender injustiça.
Tentativa de compreender por que alguns seres humanos ferem enquanto outros continuam tentando reparar.
Li literatura.
Psicologia.
Filosofia.
Dor...
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Meu nome é Milena Roberta Jurado.
Tenho receio de compartilhar minha história e parecer alguém atribuindo importância demais à própria vida.
Talvez eu comece justamente por isso.
Porque durante muito tempo senti ou ouvi, direta ou indiretamente, que eu não sabia lidar.
Com perdas.
Com sofrimento.
Com tristeza.
Com medo.
Com injustiças.
Com expectativas.
Às vezes parecia que o problema não era apenas o que aconteceu comigo, mas quem eu era depois do que aconteceu.
Quando penso na minha trajetória, a primeira lembrança que surge não são projetos, livros escritos ou pesquisas.
É a morte da minha mãe.
Vi a morte dela de perto.
Algumas pessoas perdem alguém. Outras também testemunham o processo, a fragilidade humana e o fim acontecendo diante dos olhos.
Existe uma pessoa antes disso.
E outra depois.
Perder minha mãe alterou profundamente minha relação com tempo, segurança, permanência, medo e futuro.
Há experiências que dividem a vida em duas partes.
Ao longo da vida também vivenciei experiências de discriminação.
Não falo apenas de episódios isolados, mas da sensação deixada por eles: questionamentos sobre valor, pertencimento, aceitação e sobre o motivo pelo qual algumas pessoas precisam justificar continuamente dor, esforço, inteligência ou existência.
Algumas experiências fazem alguém se perguntar:
"O problema foi o que vivi ou o problema sou eu?"
Talvez essa pergunta tenha permanecido muito tempo em mim.
Em paralelo, os livros ocuparam um espaço enorme na minha vida.
Li milhares deles ao longo dos anos.
Leitura para mim nem sempre foi entretenimento.
Muitas vezes foi tentativa.
Tentativa de compreender sofrimento.
Tentativa de compreender pessoas.
Tentativa de compreender morte.
Tentativa de compreender injustiça.
Tentativa de compreender por que alguns seres humanos ferem enquanto outros continuam tentando reparar.
Li literatura.
Psicologia.
Filosofia.
Dor humana.
Mistério.
Luto.
Sobrevivência.
Ciência.
Às vezes os livros pareciam mais organizados que o mundo.
Ou mais seguros.
Em algum momento comecei a escrever muito.
E escrever deixou de ser apenas hábito.
Passou a ser acúmulo.
Construção.
Registro.
Escrevi poemas.
Contos.
Teorias.
Reflexões.
Campanhas.
Guias.
Artigos.
Personagens.
Pesquisas independentes.
Narrativas.
HQs.
Produzi livros.
Alguns literários.
Alguns teóricos.
Alguns reflexivos.
Alguns surgidos da tentativa de transformar experiência em linguagem.
Também desenvolvi obras longas, universos narrativos, cursos, materiais extensos e estruturas conceituais derivadas das minhas próprias perguntas sobre sofrimento, ética, memória, criação, humanidade e permanência.
Além da escrita, passei a desenvolver invenções conceituais e projetos autorais envolvendo design, sistemas experimentais, máquinas híbridas, propostas tecnológicas, objetos simbólicos e ideias interdisciplinares.
Tornei-me inventora não apenas no sentido de criar objetos.
Mas no sentido de tentar imaginar possibilidades onde antes havia ausência.
Algumas invenções nasceram da curiosidade.
Outras talvez tenham nascido da necessidade de reorganizar o mundo.
Ao longo dos anos produzi acervos extensos reunindo escrita, teorias, pesquisas, projetos, imagens, propostas institucionais, narrativas, conceitos, invenções e materiais de estudo.
Às vezes olho para isso e não vejo grandeza.
Vejo acúmulo.
Como se parte da minha vida tivesse sido transformada em arquivo.
Cadernos.
Documentos.
Projetos.
Livros.
Ideias.
Tentativas.
Perguntas.
Produção contínua.
Ainda assim, frequentemente penso que fiz pouco.
Esse talvez seja um dos conflitos mais silenciosos da minha história.
Porque existe em mim uma vontade intensa de realizar algo importante antes da morte.
Não apenas pelo reconhecimento.
Mas porque gostaria que perdas, leitura, esforço, sobrevivência e criação produzissem alguma contribuição para outras pessoas.
Também existe outro medo:
O medo de realizar muitas coisas e ainda assim nunca me sentir suficiente.
Talvez eu tenha passado anos tentando provar que sabia lidar.
Ou tentando provar que dor não é incapacidade.
Ou tentando mostrar que pessoas profundamente feridas também podem pensar, criar, inventar e construir.
Talvez tudo isso coexistisse.
Se eu precisasse resumir algo que gostaria que permanecesse deste relato, seria:
Uma pessoa pode atravessar perda profunda, discriminação, luto prolongado, sensação de insuficiência e ainda assim continuar criando.
Criando livros.
Criando teorias.
Criando personagens.
Criando invenções.
Criando perguntas.
Não porque seja extraordinária.
Mas porque continuar, às vezes, é a única resposta encontrada.
Tenho dúvidas.
Tenho receios.
Tenho vontade de deixar algo útil, belo, verdadeiro ou humano antes do fim da minha vida.
Talvez minha história seja menos sobre feitos e mais sobre insistência.
Talvez seja a história de alguém que tentou transformar vida em acervo.
Este relato representa apenas um resumo reduzido da minha trajetória.
Caso exista interesse em conhecer mais profundamente minha história, experiências relacionadas ao luto, discriminação, produção literária, livros escritos, invenções autorais, pesquisas independentes, processos criativos, tentativas institucionais e acervo acumulado ao longo dos anos, permanecerei disponível para compartilhar outras partes dela.
Atenciosamente,
Milena Roberta Jurado
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