Museu da Pessoa

Imigrantes japoneses

autoria: Museu da Pessoa personagem: Saburo Shirasaca

Saburo Shirasaca
Entrevistado por Valéria Barbosa e Manuel Manrique
Oficina Cultural Oswald de Andrade
São Paulo, 7 de novembro de 1994
Transcrita por Lúcia Marina G. A. Oliveira

P - Bom, senhor Saburo, eu queria que o senhor... de iniciar a entrevista com o senhor dizendo o nome completo, o local e a data de nascimento.

R - Meu nome é Saburo Shirasaca, moro na Rua Cantareira, 672, apartamento 5.

P - Onde o senhor nasceu e a data de nascimento do senhor?

R - Nasci cidade de Piratininga, paulista, né, 16 de setembro de 1930.

P - Como se chamam os pais do senhor e onde que eles nasceram?

R - Meu pai nasceu em Japão, né, japonês...

P - Que local do Japão?

R - Local do Fukushima, província, não, quer dizer, cidade Fukushima, né, que eu não conheço mas ouvi falando...

P - Como é que eles se chamam?

R - Meu pai?

P - E a sua mãe?

R - É, meu pai é Gentaro Shirasaca, minha mãe é Kane Shirasaca.

P - E a mãe do senhor nasceu onde?

R - Também nasceu no Fukushima, ela não... acho que é... mesma cidade, né, mesma cidade.

P - Qual que era a atividade do pai do senhor, o que ele fazia?

R - No Japão?

P - Isso.

R - No Japão que me disseram era.... parece... também acho que é... agricultura, né, lá é plantar arroz, antigamente, a maioria no Japão, né, só plantava algodão, algodão não, quer dizer, arroz, né.

P - E quando que ele veio pro Brasil, em que ano que ele veio?

R - Acho que, acho que.... mil novecentos... 1927, de junho, é... julho.

P - De 27?

R - É, com... é veio, com o navio, né, a... La Plata Mar parece, La Plata Mar, isso eu me lembro porque meu pai sempre contava, né.

P - E por que é que ele veio? O pai do senhor contava como é que foi a viagem...

R - É a intenção de, aquela época, né, como fosse agora a... está indo no Japão pra buscar dinheiro porque lá está melhor, né, agora, naquela época Japão não estava bom e Brasil estava bom, né, então todo mundo queria juntar dinheiro, ganhar dinheiro aqui, aí veio, mas uns tinham sorte, mas meu pai não teve sorte, né.

P - O que é que ele foi fazer?

R - Ele, meu pai era muito aventureiro, né, primeiro foi na fazenda a... Fazenda Veado, né, aqui a Mogiana que, os imigrante, né, maioria foram lá numa fazenda, depois... não agüentaram, né, o serviço era muito duro, não é como imaginavam, né, e o meu pai sempre falava assim: "Diz que Brasil, trabalhar um ano dá pra ficar rico, né", todo mundo tinha essa idéia, aí não era nada disso, né, porque a fazenda foi muito duro, né, trabalhar, é como fosse escravo, né, só que não foi acorrentado, né? (riso) Trabalho era muito duro, aí precisava fugir de lá, não é?

P - E aí?

R - Aí arrendaram uma fazenda, né, fazenda São Geraldo falei, ali ficou acho que três anos, que o lugar que eu nasci, né, ali trabalhou, também era cafezal acho que estava na fazenda, depois a ajudar a plantar algodão também, né, e foi arrendar é terreno e meu pai era muito aventureiro, sabe, queria fazer uma coisa grande, sabe, arrendava 30 alqueires, sabe, e derrubava aquele mato, mato virgem, né, hoje que é proibido, né, naquela época não, né, então derrubou tudo aquele mato, tocou fogo e... não queimou aquele tudo, sabe né, ficou aquele, todo aquele tronco e pra tirar isso aí precisava muita mão-de-obra, precisava ter muito assim, empregados, né, pra limpar. Aí limpou, né, plantou algodão, algodão leva uns, um ano mais ou menos pra, né, mas aí deu pé de algodão quase dois metro de altura, né, mas como terra foi muito forte e algodão carrega mação, né, depois abre e não abriu, né, então perdeu esse ano. Durante três anos perdeu... aí ele (baiacou?), né. (Ficou cercado de gente?) ali ficou devendo lá, muita divida, né, mas ele... meu pai, depois meu pai faleceu, meu irmão trabalhou também, todos nós trabalhamos, né, aí deu pra recuperar.

P - Quantos irmãos, quantos irmãos eram?

R - Bom, eu era, 11, somos 11 aqui no Brasil, né. Na verdade era 13, né, mas quando era pequeno morreu, né, dois lá no Japão, aqui no Brasil somos, era, éramos 11. Depois, hoje já morreu não é mais, já foi três, que morreu três, né? E sete, sete mulher e quatro homens, né.

P - E os irmãos ajudavam também na lavoura?

R - Ah, todo mundo, precisava ajudar.

P - E qual era o trabalho que vocês faziam?

R - Trabalho era mais é... cortar capim, né, limpar, passar arado também, com burro, né, puxar enxada. Aí trabalhava, quer ver? Eu, meu irmão, minha irmã, todos quase todos trabalhava só quem era menor que não trabalhava, né , pequeno, mas eu comecei a trabalhar com sete ano, sete ano comecei a trabalhar, era obrigado, né.

P - E, naquela idade, além do trabalho quais eram as brincadeiras?

R - Olha, brincadeira mesmo naquela época, brinquedo mesmo não tinha como agora, né, mas também mesmo que tivesse era, o pai não tinha dinheiro pra comprar. Então brincava, pegava o cabo de vassoura, fazia cabeça de cavalo, montava, sabe. Pegava aquele, álcool, né, e fazia um negócio assim, brincava assim, né, depois é, brincadeira, não é assim de brinquedo mesmo, é brincadeira de pega-pega essas que não, não gasta dinheiro, né, (riso) não precisava de dinheiro, que era duro, e a gente vivemos assim, quando eu era pequeno eu não tinha nem sapato, duro, porque família grande, não conseguia comprar pra todo mundo. Na escola mesmo a... naquela época ia só até no segundo ano, grupo, né, mais do que isso aí era... quando eu era pequeno eu falava mais japonês do que português, né, porque lá no interior não convivia com assim, não saía, né, ficava dentro da casa, então a... dentro da casa, meus pais só falava japonês, né. É, porque intenção do meu pai não era pra ficar aqui, né, ia voltar, pra voltar no Japão depois de juntar dinheiro, né, mas aí veio a Guerra Mundial, né. Quando começou Guerra Mundial tudo japonês falava: "O Japão vai ganhar, tal, assim, né." E nem trabalhava, diz que ia voltar pro Japão, o Japão diz que vinha buscar, né, aí todo mundo largava a enxada sabe, isso me lembro, até meu irmão não trabalhava... o meu irmão mais velho, né, ele nasceu lá, né, agora eu já brasileiro mas nem entendia o que era... porque em casa era japonês mesmo, né.

P - E quando que o senhor aprendeu português? Com quem?

R - Ah, isso aí é, né, porque, aí comecei sair, né, comecei a jogar bola, né, depois a... pegar amizade com brasileiros, né, peguei muita amizade, aí fui aprendendo, né, por isso que a... o mesmo brasileiro da minha idade, maioria, né, não fala bem português, não fala não, e nem, nem japonês não escreve bem, né, idade mais difícil porque que nem, que nem meu irmão, também nasceu aqui, né, pra ele também é difícil assim.

P - Seu Saburo, a escola como é que era, onde era a escola, era na fazenda?

R - É, todas fazenda tinha uma escola assim era escola pequeninha, né, e a professora vinha da cidade, né, todo dia. Ia de cavalo, né, todo dia, aí até... acho que segundo, segundo ano primário só, grupo, né, toda fazenda tinha, mais, mais que isso aí não tinha, precisava ir na cidade mesmo, né, ginásio assim só, né, porque pra fazer ginásio precisava ir na cidade, mas pra gente não tinha condições de ir lá.

P - E como era então? A...

R - Acho que, mesmo assim que precisa andar uns sete, oito até nove, dez quilômetro pra chegar na escola, né, ia andando, né, ia andando. E eu estudei não sei quantas vezes o grupo, até o segundo, (riso) tudo a mesma coisa e sempre andando, de casa até lá acho que tinha uns nove quilômetros, né, ir pra voltar, 18 quilômetro andava.

P - Seu Saburo, o senhor lembra da casa que o senhor morava, como é que era a casa nessas fazendas, as casas, né?

R - Ih, casa era casa de sapé, era parede era de barro, feita de barro, tudo a... antigamente era, interior de, era feita de sapé, né, e parede era de barro e... feito com bambu, né, então era assim, a casa era muito assim, não tinha cama por exemplo feita assim, não tinha cama de agora, tinha que fazer a cama, cortava aquela madeira e cama, no começo, né, porque eu sei, porque eu, eu lembro, né, quando era pequeno.

P - E o senhor falou que ajudava o pai do senhor na lavoura, que tipo de trabalho que o senhor fazia?

R - Eu ajudava muito o meu pai, carregava veneno pra matar, matar formiga, né, formiga chama saúva que é, né, devorava pé de algodão, então precisava matar com veneno, chama veneno, arsênico chama, né, então precisava descobrir onde, né, o ninho da formiga aí tinha aquele aparelho, máquina e fazia assim pra, quando a fumaça, ia a fumaça, fumaça de veneno, né, então formiga fazia, cheia de buraco assim, sabe, então não podia sair aquela fumaça, fumaça precisava ficar lá dentro, aí morria tudo, né, então precisava tampar aquele buraquinho pra não sair, então eu tampava aquele buraquinho assim (riso), ajudava assim o meu pai. É, mas não é só isso aí, ajudava num monte de coisa, né, carregar água, pegar água pra verdura, né, porque antigamente era, precisava regar muita água pra verdura, precisava carregar do rio, né, era duro, né, no interior é duro, mas agora, comparando aquela época, muito fácil, né.

P - Seu Saburo, além do algodão que é que o pai do senhor plantava?

R - Olha, meu pai plantava algodão, batata, batata mais pra consumir e arroz, feijão, mandioca e... monte desses legume, né, repolho, alface, tudo pra consumir em casa.

P - O senhor falou que depois... ele começou a trabalhar com bicho da seda, começou a criar o bicho da seda.

R - É.

P - Conta um pouquinho sobre isso, quando que ele começou?

R - É, ele, é... quando ele começou, eu falei aquela fazenda a... Fazenda São Luís, né, ali ele achou que, meu pai achou que era, o preço era bom, né, melhor do que era algodão, plantar algodão, bicho de seda, os tempo tinha, tinha época que era bom, né, preço, aí resolveu criar bicho de seda, né. Mas bicho de seda é, também é sacrifício, né, pra criar aquele bicho, porque aquele bicho come o dia inteiro, né, precisa dar toda hora aquele, a folha de amora, né, uma noite acabava, devorava, aquele bicho e levava até a... quer ver, acho que uns três meses, né, a ter casulo, né, aí vendia por quilo lá, precisava limpar com aquela máquina, precisava tirar aquele sujeira, que chama... que dá o... aquilo é o... algodão também, né, dá em cima, aqueles, e precisava tirar aquilo lá, e vendia por quilo.

P - Pra quem vendia?

R - É, tinha fábrica de seda acho que, se não me engano, lá na Piratininga, né, vendia lá, aí depois a... achou que algodão é bom, então plantava algodão e voltava pra bicho de seda, época de guerra, né. Na época de guerra subiu muito aquilo, o...algodão, né, daquele bicho de seda, né, então minha mãe começou a criar de novo lá, lá no Buracão, mas, a mais assim... a principal era algodão. Mas ali... três ano não estava bom, né, depois até ficou um pouco fraco aí foi bom pra algodão, aí carregou bastante maçã, né, abriu bem, com é naquele foto, né, então deu pra recuperar.... deu pra pagar aquela dívida que tinha, meu pai. Meu pai morreu, quando morreu tinha cheio de dívidas, né, então meu irmão que cobriu tudo, né, depois e depois... acho que não dava mais certo lá no interior o negócio é sair pra perto de São Paulo, né.

P - Quem veio pra São Paulo?

R - Ah, a nossa família toda. Porque até aí minha irmã já foi se casando, né, duas foi pra São Paulo, foi diminuindo a família, né, aí ficou... minha mãe que estava viva ainda, meu cunhado, meu irmão, eu e mais outro irmão, mais a outra irmã, né, que era pequena ainda, lá na casa de...aquele Sítio Ishikawa, trabalhava de empregado, né.

P - Onde ficava o sítio?

R - Itaquaquecetuba. Ali ficamos quatro ano, tratando galinha, né, mas aí pensei já: "Puxa vida, eu não quero trabalhar, né, criando galinha, tem que estudar também." Porque ali não dava mesmo, e eu pensei, né, eu falei pro meu irmão: "Olha, eu não vou trabalhar mais como empregado lá, né, criando galinha, mexendo galinha aqui, né, eu vou pra São Paulo..."

P - O sítio produzia galinha?

R - É, lá na Ishikawa, aí meu irmão saiu antes, um ano antes né, veio pra São Paulo, mas eu também eu não vou ficar não, eu vou pra São Paulo (riso), eu vou estudar lá e o meu irmão não quis né: "Ah, você nasceu como lavrador é bom ficar." "Ah, não tem nada disso." É... atraso né, aí que fui, fui lá no mercado né, até hoje.

P - Conta um pouquinho essa história de quando que o senhor saiu do sítio e por que é que o senhor foi pro mercado?

P - Então, a intenção era, meu sonho era assim, eu já não queria trabalhar como... na lavoura né, queria mais pra São Paulo né, era mais jovem assim, eu ouvia muito de coisas falaram que São Paulo é muito bom, né, lugar bonito, né, divertido, então eu saí de lá. Aí minha intenção era trabalhar, não trabalhar em empório, né, porque empório já era do meu tio, né. Eu era, eu acho que vou trabalhar como farmacêutico, né, profissão eu acho que é mais limpo, bonito, né. (riso) Mas aí foi porque eu não tinha ninguém, né, não tinha onde ir aqui em São Paulo, né, fui direto pra casa do meu tio, né. Aí meu tio fez muita força pra mim ir, preocupou também, né, vou te ajudar, né. Aí ele falou: "Vou ver onde era bom", a farmácia, né, pra trabalhar na farmácia, aí ele falou: "Fica ajudando uns tempo até, né, procurar."Aí fiquei uma semana, duas semana, né, daí eu era muito caipira, não sabia nada, né, nada mesmo, só conhecia feijão e arroz mesmo, batata, outra coisa eu não sabia nada. Mas ali fui aprendendo, chegou um mês assim já aprendi bastante, pegar, já comecei a pegar amizade, né, começou a aparecer a... freguês, né, começou a pegar amizade. Aí meu tio falou: "É, fica mais, mais um pouco, né", aí fiquei mais... três, quatro, cinco meses, né, cada dia mais fiquei pegando amizade, né, e peguei mais amizade com o freguês, né, então começou a.... juntar um monte de, meu patrício, né, perguntar se tem isso, aquilo, produto japonês, né, aí... aí foi modificando o empório, no começo tinha só cereais, depois foi mudando, molho japonês, arroz japonês, até arroz japonês, tempero tudo, tudo, né.

P - Arroz japonês?

R - É.

P - Como é que é o arroz japonês?

R - Arroz japonês é... é chama arroz catete, né, e... não fica solto que nem, que nem agulha, né, então por isso que a arroz japonês faz bolinho, né, japonês costuma comer arroz... comer com palito, que arroz que fica solto não dá pra pegar, e tem o sabor também. Hoje eu tenho freguês brasileiro mesmo, acho que mais 50% do que está levando arroz japonês, eles acham que tem mais sabor, né, e fala, estou vendendo muito, mas é caro, né, quase... quase acho que dobro do preço, mas vende muito.

P - Seu Saburo, como é que se chamava o empório do tio do senhor e quando que ele foi fundado?

R - Eu acho que se não me engano foi 1947, 1947.

P - E como é que se chamava?

R - Naquela época era, não era permitido, se era estrangeiro, né, não sei porque, mas não podia, né, tem que, precisava ser brasileiro mesmo, então como meu cunhado era brasileiro, né, pediu pra ele emprestar nome, né, nome de Shimada. Então era Empório Shimada foi uns tempo, né, Empório Shimada, isso foi... durou acho que uns cinco ano mais ou menos, cinco, seis ano, por aí.

P - E qual era principal linha de produtos que o tio do senhor vendia?

R - No início foi mai... o produto mais brasileiro, né, porque não tinha muito patrício, sabe, japonês. Então vendia mais feijão, arroz, óleo, né, essas coisa, farinha, macarrão, aí pouco a pouco começou a aparecer, né, porque ali tinha um monte de patrício, né.

P - No mercado?

R - É, naquela época ainda japonês comia só o produto japonês mesmo, não é que nem hoje, hoje a, o nissei, sansei come tudo, né, mais feijoada, macarronada, né, agora brasileiro come japonês, tudo, tudo igual ficou, né. Naquela época não, naquela época japonês tinha que comer comida de japonês, então japonês aparecia lá perguntava, né, produto japonês, né, aí às vezes não tinha, né, mas a gente guardava na cabeça, né, depois a gente comprava lá, comprava, começou juntar mercadoria, shoyu, shoyu é molho japonês, né, é feito de soja, massa, massa, soja é... usa muito assim na sopa, sopa japonesa, né, aquilo é comida tradicional do Japão, hoje é, acho que 80% é produto japonês...

P - Na barraca do senhor?

R - É, mas não estamos dependendo mais de japonês, por uns tempo, quando começou ir japonês lá no Japão, né, pensei que ia perder muito freguês, né, porque realmente foi diminuindo mesmo. Aí, mas agora brasileiro que compra mais, então eu não preocupo mais sabe, melhor até que quando aquele produto bom, caro, que o Brasil tem mais dinheiro, tem muito rico, né, japonês começa a regular já, então compra aquele produto... por exemplo pasta pra, come muito peixe cru, né, não sei se vocês gosta de peixe cru, mas...

P - Gosto.

R - É, então, sábado 90% é brasileiro...

P - Que compra.

R - Compra peixe a... e come cru, né, e aí precisa daquela pasta, pasta que arde, né, então eu vendo aquela, vende muito.

P - Seu Saburo, eu queria voltar um pouquinho sobre o empório, ainda com o tio do senhor, quer dizer, o senhor trabalhou um tempo com o tio e depois? Eu queria que o senhor contasse quando o senhor começou no empório.
R - Ah... sim, então eu ajudei ali, fiquei né, acabou ficando lá, aí, depois sete anos, né, mas eu achei que, não, porque o meu tio tinha prometido, né, que depois de sete ano, né, me ajudar a comprar outro estabelecimento pra mim, né. Mas depois de sete ano, acho que não vai sair nada, pensei, né, daí eu tenho que também pensar na minha vida, né, não posso trabalhar como empregado. (tosse) Aí eu encontrei uma quitanda que o brasileiro tinha, né, e não ia pra frente, sabe, estava pra fechar, mas comprei barato lá, né, aí levantei lá, comprei lá na Rua Albion, na Lapa, né, aí também peguei muita freguesia lá, mas aí durante quatro anos, né, aí meu tio veio... veio me chamar: "Ô Saburo eu estava precisando de você porque, né, tem freguês que está reclamando, né, e ampliou mais o empório, né. " Agora: "Bom, depende de condições, né." Aí ele falou: "Agora eu dou outra condições, né, já pra ficar de sócio, né." Aí está bom, porque empório já eu conheço, né, eu sei que lugar é bom, então eu voltei lá, e até hoje estou lá.

P - Lá na quitanda da Lapa, o que o senhor mais vendia e quem que eram os fregueses do senhor?

R - Ali era, aquele bairro tinha muito japonês, né, mas é mais brasileiro, né, ali é mais residencial, né, comprava dona de casa, comprava, e tinha também restaurante, eu pegava muito restaurante, né, eu vendia muito alface lá e vendia mais era... laranja sabe, naquela época tinha poncã deste tamanho e eu deixava até na rua com caixa e tudo, né, pra atrair a... Porque ali era rua principal, que ia lá pra Campinas, né, pra ir, sábado passava lá quando o... o motorista via aquela laranja grande, né, parava lá, e comprava por caixa, né, pra levar no, acho que era um sítio onde, sei lá eu onde, onde ia, né, vendia muito.

P - E quem que fornecia os produtos pro senhor?

R - Ali é, eu comprava aqui no mercadinho, por atacado.

P - Qual?

R - Mercadinho da Cantareira, mercado, mercado de verduras, né, mercadinho chama. Mas ali, naquela época, estava, todo mundo estava rindo, sabe, porque o único quitandeiro que trabalhava de gravata era eu. (riso)

P - Ah é? E por que é que o senhor trabalhava de gravata?

R - Eu fiquei, é costume, né, usar. Agora... agora não dá não, naquela época eu, porque quando eu entrei no empório, maioria trabalhava de gravata lá, sabia?

P - Lá no mercado?

R - É, e eu trabalhava de gravata lá, é, inclusive tinha foto de meu tio que estava de gravata,

(fim da fita 043 /01-A) é, naquela época era assim.

P - E, a forma de pagamento, por exemplo, lá da quitanda, como é que o senhor, que os fregueses pagavam o senhor?

R - Ah, pagavam tudo à vista.

P - É?

R - Não, às vezes é... pendurava, né, depois, freguês velhos, né, freguês de confiança, né, sempre, é, sempre existem assim, tanto no empório como naquele estabelecimento, né, tendo confiança. Que naquela época era tudo, pessoa pagava bem, né, não tinha nada de calote, deixava uns dois, três dia, né, vinha pagar, né.

P - Quando o senhor veio morar em São Paulo, em que bairro que o senhor morou?

R - Eu fui, porque o meu tio morava lá no Bairro do Ipiranga, Ipiranga.

P - Chegaram no Ipiranga.

R - É, e naquela época era frio, sabe, era acho que plena acho que... é, é aquele fogo artificial, né, eu estranhei, como é bonito, eu estava vendo na varanda do casa do meu tio, né, é... acho que foi no 23 de junho, São João é junho ou julho?

P - Junho.

R - Junho, né, então é junho, porque todo mundo naquela época estava com aqueles artificial, sabe, era bonito, né, e era Bairro do Ipiranga. E ali, pra tomar ônibus precisava andar uns, mais ou menos, 500 metro, naquela época, era... era mato ainda, até chegar ponto de ônibus.

P - Pegava o ônibus pra ir pra onde?

R - Pra chegar no mercado, era na Dom Pedro. É, vinha de ônibus, né?

P - O senhor falou que tinha, é... quando morava em Itaquaquecetuba, muita expectativa, né, com São Paulo. Quando o senhor chegou, o que chamou mais a atenção do senhor, o que mais lhe impressionou?

R - Aqui na capital?

P - Aqui em São Paulo. É.

R - Ah, de tudo viu.

P - Como o quê? Mais ou menos...

R - Mais assim o movimento é difícil; né, movimento da rua, ambiente; né, à noite assim achei muito bonito, pessoal que trabalha lá na loja, tudo, né, achava muito bonito, bonita sabe, mocinhas trabalhavam, ih... ficava, né. (riso)

P - E, fora do horário de trabalho, quando o senhor estava de folga, o que o senhor gostava de fazer, qual era a diversão do senhor, naqueles tempos?

R - É, diversão naquela época, diversão mesmo é... é ir no cinema né , às vezes ao domingo pegava matinê, né, às vezes fazia excursão, né, reunia meus amigos, né, alugava ônibus, assim que era, mais assim diversão.

P - O senhor pode falar alguns filmes que o senhor assistiu aí?

R - Porque naquela época...

P - Como era?

P - ...via muito filme... eu ia muito à filme japonês "Sete Samurais" (riso), filho de samurai, né, esqueci o nome, né, mas toda semana eu ia, eu gostava assistir filme sabe, samurai, de bandido, né, que era. Às vezes ia no concurso de é... de música, porque eu gostava muito de música também, daquela época também tinha a festa de, festa de colônia lá em Itaquera, festa de pêssego, caqui no Mogi, eu ia lá, domingo. Fora isso aí era só mercado, vivia no mercado né, então chegava domingo é.. ia até, naquela época trabalhava até meio-dia domingo direto, no começo.

P - Domingo?

R - É, hoje não trabalha mais. Quando entrei acho que durante uns sete anos trabalhava domingo, fechava a... segunda-feira só, domingo trabalhava, né, então, até meio-dia, né, então depois de meio-dia era difícil sair, né, não dava ir na praia assim depois do meio-dia. Porque naquela época não tinha carro também, né, só a turma, ônibus pra ir na praia, né, mas era muito, era divertido. Às vezes ia no baile, né, na festa por exemplo, excursão, cinema, acho que era mais divertido.

P - Festa de japonês ou festa de brasileiro?

R - Não, mais a, porque naquela época festa, por exemplo, festa é tudo de japonês, né, festa de pêssego, caqui, então ia muito meu patrício lá, né, então a gente ia também, divertir, né, pra divertir, porque não tem nada pra fazer, né, ou lá no cinema, cinema nunca, o filme nunca perdi, se vem filme bom, às vezes vinha artista do Japão, cantor, né, dava show lá, eu ia, e eu gostava muito... (riso)

P - Qual era os cinemas que o senhor freqüentava, aonde?

R - Naquela época tinha... primeiro cinema era... tal de Tanaka, que ele era do Paraná, né, construiu cinema lá na... Rua Galvão Bueno, Cine Niterói ali, né, depois... ali acho que mais ou menos durou quantos anos, dez anos, se não me engano, né, depois foi demolido lá pra fazer aquele ponte, né, prefeitura tirou, ali foi que teve mais, fui mais lá, quase, quase toda semana. E tinha fila enorme lá, sabe, que era uma fila de uns cem metros mais ou menos quando ia filme bom a gente ficava ali, né, conversando com colega. É isso que era o meu divertimento.

P - Eu queria perguntar senhor Saburo, em que momento que o senhor conhece a Mitiko, a sua mulher?

R - Olha, isso aí, sabe, é estranho eu te contar porque na minha época falava (miai?), nem conhecia, então um conhecido da pessoa, né, que apresenta, né, que nem o programa do Sílvio Santos, o namoro no escuro, né, (riso) como fosse assim, né, mais ou menos. Então, a pessoa: "Ô Saburo, né, tem uma, quero apresentar uma, né, fulana de tal, fulana de tal, da boa família, né..." E fala assim de uma boa família e boa pessoa, né, e boa... também financeiramente muito bom, né, tem sítio, tal, né? Então a gente: "Ah, podemos ver, né, não sei se ela vai gostar e eu vou gostar, tem que ver." Então marcamos data, né, ela também estava sabendo o dia que, lá no Paraná isso aí, foi buscar ela lá no Paraná, pra nós sair, minha mulher, nós sair, né. Então os padrinhos levaram...

P - O senhor foi ou ela veio?

R - Chega lá... chega na casa dela, depois... primeiro aparece os pais, a família tudo lá, né, e eu (tosse) fiquei sentado lá na sala esperando ela aparecer, né, precisava ver como é que era, ela também, às vezes ela estava com vergonha, sabe, né, trazer café assim, né, trazer café. Aí eu esperando lá, aí daqui a pouco ela aparece, tudo assim vergonhoso, né, assim nem olhou pra minha cara, né, de vergonha. Os pais de lá, o sogro, né, também ficou observando, né, como é que era o sujeito porque não sabe, né, podia ser malandro, né... não sabe. Aí o meu padrinho chama lá fora, chamou lá fora: "Que tal, o que você achou dela?" "Bom, não vi ainda direitinho, né, eu queria conversar pessoalmente, desse chance pra conversar." Aí então ele falou: "Ah, então conversa, né, fora." Aí, eu conversando com ela, né, ver como é que era, né, ela contando história dela e eu contando a minha, né, aí eu precisava perguntar se, né, o que achou de mim. Aí ela falou que, né, aceitar, né, aí também, eu também, conhecer mais um pouco, né. "Eu também vou interessar", eu falei, aí eu conversei, foi mais uma vez assim, foi conhecendo família, como é que era, ela também conhecer a minha família, né. Aí que marcamos dia de noivado, né, aí levei aliança já, depois de um mês, nem vi até aí, porque era muito longe. Aí fizemos noivado lá na casa dela, aí no dia de... noivado precisava marcar data de casamento, né, você viu, data de casamento, quem resolve tudo é os pai ou, né, padrinhos, né. Aí marcamos data do ano que vem, daqui a, por exemplo, foi lá no outubro, aí marcou pro ano que vem de janeiro, dia 20 de janeiro, né, marcamos casamento, então no dia de casamento fui lá com padrinho, minha mãe tudo, né, não um monte de gente, né, porque é longe, né, precisava alugar ônibus, aí chegamos na casa dela, né, fez uma bruta festa lá, né, festa grande que ele fez, né, lá. Aí terminou a festa voltamos direto pra São Paulo porque aqui já, o pessoal estava esperando pra também festa, né, festa aqui também, fazer lá no Ibirapuera lá, né, então teve... teve duas festas, uma lembrança, né, (riso) não é todos que fazem duas vezes festa, né, no interior e aqui, né?

P - E teve lua de mel?

R - Lua de mel, lua de mel eu não fui por causa do mercado, sabe, não deu, porque... tudo... já vem de lá, né, de Paraná, não dava, então lua de mel não, né, lua de mel não, muito tempo, né, mas logo depois que casamos não tivemos lua de mel porque não dava mesmo.

P - Ela começou a trabalhar com, com o senhor?

R - É... não, ela ficou acho que uns, quer ver, até, até terceiro, até nascer a filha não trabalhou não, eu não deixei trabalhar. Depois ela queria trabalhar como autônoma, ela foi... queria, foi aprender, ficou na escola do Senac ali, cabeleireira, né, manicure e tudo, né, ela tirou diploma lá, e mas ela não trabalhou nisso aí, preferia trabalhar em empório, né, porque falta pessoa, né, que empório dava mais.

P - E o que ela fazia no empório?

R - É... ajudava a vender, né, como vendedora, né. Aí depois ela resolveu ir no Japão agora, né, isso faz dois anos, já faz dois anos e seis meses...

P - Que ela está lá...

R - Minha filha que chamou ela, pra ver, cuidar do neto, né. Agora, pra mim é, não é muito fácil viver assim, já estou acostumado, já acostumei.

P - Eu queria que o senhor falasse um pouco dos filhos do senhor.

R - Meu filho? É, porque eu... aí, porque minha vida né, sempre, a minha vida foi assim... sempre unido, né, minha família, porque a minha mulher também foi assim criada no interior, era rigoroso, foi, né, rigoroso pra criar filho. Então, graças a Deus, os filhos cresceu sem coisa, né, direitinho, né. Aí quando meu primeiro filho, né, chegou cinco, seis anos então minha mulher falou: "Ah, vamos pôr no judô, né, tem que fazer esporte, alguma coisa, né." Não, baseball, porque a família dela, da minha esposa é tudo jogador de baseball, né, mas aí eu já não gostava, né, eu gostava no judô, né, mais aqueles golpe de judô, (kendô?) né. Aí minha mulher falou assim: "Não, judô não é bom quando é... quando pequeno porque pé fica torto, né." Então ela não quis. "Está bom, então vou concordar e vamos por no, no beisebol, né." Baseball corre bastante, né, e é bom pra esporte mesmo, é bom, né. Aí, nove ano eu pus ele no baseball, aí no Bom Retiro, até 20 ano. Mas aí meu filho... gosta de esporte, sabe, sempre foi bom jogador na verdade, né, tem um monte de taça, né.

P - Como é que é o nome dele seu Saburo?

R - Norio, né, então ele tem um monte de troféu, né, do baseball e até tem recorde brasileiro de acertar, né. Aí até 20 ano, depois a... porque o outro também, né, o segundo, que está no Japão, agora, não é tão assim como o Norio, né.

P - Como é que se chama o segundo, que está no Japão?

R - Segundo é Moacir, né, ele gosta mais de desenho, né, desenho ele gosta. Depois o Norio, quando chegou 20 ano, um dia ele pra mim falou que ia cantar. "Cantar, eu nunca vi você cantar." Ele falou: "Cantar, mas eu tenho jogo hoje, né, mas se perder dá pra cantar à noite, né, tem concurso lá na Jabaquara." Aí eu não gostava, né, sair da coisa, o... de baseball. Aí ele voltou à tarde: "Ah, nosso time perdeu, né, perdeu nos ponto. Então pode participar no... aquele concurso de cantar." Aí ele foi. Aí pra meia-noite, eu estava dormindo e ele me acorda, né, cutucou, quando eu olhei assim ele trouxe taça assim ó: (riso) "Puxa, você ganhou?" Ele falou: "Ganhei primeiro lugar, né." Aí que começou, aí ele começou, toda vez que tinha concurso, né, ele ganhava e trazia uns troféu. Aí um dia teve aqui no Brasil, né, veio, não, concurso lá do Japão, né, então Brasil ia participar, né, aí precisava concurso aqui, né, que quem ganha, campeão, quem vai participar representa o Brasil, né. Aí, que eu vi que... meu filho ganhou, né, tirou primeiro lugar no concurso, né, então ele representou o Brasil e no Japão ele ganhou também, tirou primeiro lugar, tinha 640 participantes, né, do Hawai, do Los Angeles, Brasil, né, todo lugar. Aí no fim ficou finalista, 22 cantores, né. Ele não esperava ganhar lá no Japão, né, nem foi por causa disso. Aí foi duro porque quando ele ganhou precisava comprar um monte de roupa, né, não podia ir com o sapato feio, tem que comprar roupa pra subi no palco, né, eu até fiquei devendo no banco, né. (riso) Aí eu falei, porque prêmio de lá era grande, dá pra cobri se ganhar, mas quem é que disse que ganhava, quem esperava que ele ia ganhar, né? Prêmio era máximo, aí falei pra ele, era brincando, né: "Olha, eu estou devendo no banco, você tem que recuperar, tem que ganhar, trazer aquele dinheiro..." "Ah, que isso papai, não dá não pai." Aí ele foi, e quando é dia de, é dia de concurso veio telefonema lá do, da tia né: "Ah, seu filho ganhou o primeiro lugar." "Não, não acredito", falei, né. Ih... mas aí a minha mulher também: "Não acredito", né, aí, daí que começou tudo. Aí eu falei: "Nossa senhora, ele ganhou o primeiro lugar." Saiu no jornal brasileiro daqui, do Japão, saiu no livro, né, aí veio um monte de convite pra ele, né, do Japão, aqui. Agora ele não quer cantar mais, diz que enjoou, às vezes ele canta no karaokê, né.

P - Seu Saburo, ele ajuda o senhor no empório?

R - Ajuda, agora ele que é, praticamente ele que está tocando lá, né. Eu, eu quero cair fora, mas definitivamente daqui a um ano...

P - O senhor vai se aposentar?

R - Ah, eu quero, chega né, trabalhei 45 ano sem, não tive assim pra mim a férias, eu nunca...

P - E o senhor, o senhor poderia contar pra gente o que o senhor pensa em fazer quando parar de trabalhar?

R - Ah, eu penso, eu quero curti agora, eu penso até porque já tenho idade né. Agora eu quero descansar, quero curtir, por exemplo, passear um pouco, né, pode ser no Japão. Já aqui, porque aqui no Brasil mesmo eu não conheço, só conheço mercado, (riso) acho que primeiro tem que conhecer aqui Brasil, né, tem tanto lugar bonito aqui, eu não conheço. Então eu... eu quero conhecer mais aqui, né, eu digo, falar a verdade, do que Japão, né, porque eu sou brasileiro, né, e eu não conheço lá, saudade mesmo eu não tenho lá, saudade tenho mais onde eu nasci, onde fui criado, né, por exemplo, Piratininga, né. Aí eu sempre falo pro meu irmão: "Ah, vamos passear lá, conhecer." Lugar que sofreu, mas quando lugar que sofreu mais, dá mais saudade, gozado, né, tem mais saudade. Então lá no Japão, bom minha curiosidade quer conhecer também, né, mas não porque tenho saudade, mas é bom conhecer, né, não é fácil também, precisa ter muito dinheiro pra passear, né.

P - Que é que o senhor gosta de fazer nas horas de lazer?

R - Olha eu, porque eu aprendi beber sabe, tomar cerveja né. Então hoje se junta lá à tarde, por exemplo, lá na Liberdade, eu acho mais seguro, né, pra beber lá no bar, eu não gosto de ter mais assim, o mau elemento, sabe, porque tem muito bandido, né, pessoa estranha por exemplo, né, dá medo, né, tenho medo pra beber. Porque sempre no boteco aparece pessoas, então eu acho que lá na Liberdade, porque ali tem uma casa que só junta japonês, sabe, não é japonês, tem brasileiro também, gente, gente bom, né. Então eu gosto de tomar cerveja lá, quase todo dia tomo, eu não gosto muito de pinga mas cerveja eu gosto, chopes, né, e... conversando lá, passar os velho, os velho também gosta de conversar, né? (riso)

P - E com quem pegou o hábito de beber cerveja? Foi aqui na cidade, em São Paulo já?

R - Aqui.

P - Com quem?

R - Ah, porque... porque sempre aparece gente lá, no começo foi assim, meu irmão bebeu mais cedo do que eu, né, eu comecei tarde, com 27 ano eu não bebia, nem cheirava cerveja. Aí meu irmão já bebia, hoje ele parou porque ficou... aí ele apresentou pessoa que gosta: "Não, é... tem que levar Geraldo pra beber, né, você está muito assim fechado, sei lá assim." Aí um dia fui lá numa casa, aí bebi, né, fiquei bêbado, aí gostei, daí que, não sei, comecei a gostar né. (tosse) Mas...

P - Seu Saburo... Desculpa, pode falar.

R - Pode falar.

P - Ah, eu queria perguntar ao senhor, pra gente concluir, que a gente está com o tempo esgotando aí... Eu queria saber o que o senhor pensa de ter vindo aqui hoje, ter deixado o registro da história de vida do senhor, da história do trabalho do senhor, o que o senhor pensa sobre isso?

P - Eu acho isso muito importante viu, muito bom (tosse), conhecer aqui né, porque eu não sabia o que era, né, (tosse) agora eu acho que é muito interessante aqui, eu gostei viu, sinceramente, foi muito bom. Agora eu vou chegar lá em casa, vou contar pra meu sobrinho, né, ele sabe já, né. Gostei muito, agradeço muito a vocês.

P - Está bom, a gente que agradece.

R - Foi muito...

P - Só a última pergunta, o senhor tem algum sonho na sua vida?

R - Sonho? Ah, sonho é, eu quero sempre assim a... conviver com o pessoal com muita amizade, assim, sempre saúde, né, meu sonho é isso aí, bem que todo mundo passe bem, meu filho, né, que proveite, né, assim espero, né, porque eu mesmo já, né, eu quero, eu quero também saúde, né, quero viver também bastante, mas é, meu sonho é isso aí. Viver bastante, ter bastante amizade, né, sempre com amizade, né. Conhecer ainda vários lugares, quero diverti também é... (risos) Isso é bom.

P - Muito obrigado, seu Saburo.

R - Obrigado, obrigado, gostei muito hoje viu, agradeço muito.

P - Nós é que agradecemos seu Saburo.

R - Eu é que agradeço.