Museu da Pessoa

Nunca é tarde para aprender

autoria: Museu da Pessoa personagem: Marcia de Oliveira Ventura Felix

Projeto Mulheres Empreendedoras Chevron
Depoimento de Marcia de Oliveira Ventura Felix
Entrevistada por Rosana Miziara
Itapemirim, 02 de maio de 2012
Realização Museu da Pessoa
Código: MEC_HV007
Transcrito por Ana Paula Corazza Kovacevich
Revisado por Joice Yumi Matsunaga


P/1 – Marcia, você pode falar seu nome completo, o local e data de nascimento?

R – Meu nome é Marcia de Oliveira Ventura Felix. Eu nasci dia 25 de março de 1978.

P/1 – Você nasceu onde?

R – Nasci em Itapemirim.

P/1 – Seus pais são aqui de Itapemirim também?

R – Sim, são também daqui.

P/1 – Seu pai e sua mãe?

R – Isso, meu pai e minha mãe.

P/1 – Como é o nome do seu pai?

R – Manuel Gomes Ventura.

P/1 – E da sua mãe?

R – Erenice de Oliveira Ventura.

P/1 – O que é que seu pai faz?

R – Meu pai, ele é produtor rural.

P/1 – E a sua mãe?

R – Ela é doméstica.

P/1 – E seus avós, são daqui de Itapemirim também, por parte de pai e de mãe?

R – Sim. Por parte de pai sim, da minha mãe, não.

P/1 – Da sua mãe são de onde?

R – De Minas.

P/1 – Sul de Minas? E você sabe como é que eles vieram parar aqui?

R – Não. Minha mãe conta que eles vieram atrás de emprego, melhorar de vida e foram mudando de um lugar para o outro até que aqui eles tiveram os filhos, se casaram e aqui mesmo eles ficaram.

P/1 – E você sabe como é que seu pai e sua mãe se conheceram?

R – Eles contam um pouco, um pedaço.

P/1 – Conta pra mim.

R – Eles contam um pedacinho... Que eles se conheceram, inclusive, em uma festa de um forró.

P/1 – Foi numa festa do quê?

R – De um forró.

P/1 – Onde?

R – Eu creio que foi em Graúna mesmo, o local eu não perguntei o local certo, não.

P/1 – Aí eles se conheceram lá e se apaixonaram?

R – Isso. Se apaixonaram, se casaram…

P/1 – E você tem irmãos?

R – Tenho, tenho irmão.

P/1 – De quantos anos?

R – Tenho um de quarenta, eu creio que é quarenta e sete anos. E a outra creio que é quarenta e cinco. E tenho outra de quarenta e três.

P/1 – Você é a mais novinha?

R – Isso. Eu sou uma das mais novas, porque tem outra caçula.

P/1 – Tudo do mesmo pai e da mesma mãe?

R – Sim.

P/1 – E você morava... Onde era sua casa quando você nasceu?

R – Eu nasci aqui mesmo. Aqui na Graúna mesmo que eu nasci. Fui criada aqui mesmo, me casei aqui mesmo também. E, quando eu casei, eu morei aqui pra cima, depois mudei pra Graúna de novo.

P/1 – E, fala uma coisa, como é que era essa casa de infância em que você nasceu? Como é que era? Conta pra gente.

R – Era de telha, era uma casa menorzinha, era... Creio que de três cômodos, uma casa de três cômodos, de telha, de varanda. Que eu me lembre, essa casa era mais ou menos assim.

P/1 – E quem que morava nela?

R – Meus pais com meus irmãos.

P/1 – E você dividia quarto com seus irmãos? Como é que vocês dormiam?

R – Eu dividia com as minhas irmãs. Porque tinha o quarto das minhas irmãs comigo. E meus irmãos no quarto deles. Eram dois quartos só.

P/1 – Você brincava com seus irmãos? Brincava na rua? Como é que eram as brincadeiras de infância?

R – Eu brincava com meus irmãos, sim. Mas, inclusive, que eles são mais velhos do que eu, aí eu brincava mais com as minhas colegas. Porque a idade deles não bate muito com a minha, que eu sou das mais novas.

P/1 – E quais eram essas brincadeiras de infância?

R – Eu brincava muito de amarelinha. E... Amarelinha e bandeirinha, são as brincadeiras que eu mais brincava.

P/1 – Como é que é bandeirinha?

R – A bandeirinha é quando a gente bota aquelas listazinhas e os galhinhos que a gente tem que passar por aquelas coisas... E as pessoas faziam aquelas barreiras e não dava pra... Era tipo aquelas brincadeiras de bola, queimada. Amarelinha é quase igual. Amarelinha não, bandeirinha.

P/1 – Bandeirinha... E quem que exercia autoridade na sua casa? Seu pai ou sua mãe?

R – Meu pai que a gente tinha mais, assim, respeito e medo. Era mais fácil minha mãe bater, mas a gente tinha mais respeito nele. Era só ele falar grosso, a gente... Meu pai.

P/1 – E você era muito levada?

R – Não, levada não. A única coisa que eu fazia, que eu apanhava, é que eu gostava de fugir pra brincar com as coleguinhas vizinhas. Era só isso.

P/1 – Você fugia?

R – Fugia pra brincar com as colegas. Como não tem... Não tinha irmã da minha idade, aí eu gostava muito de brincar com a minha colega do lado.

P/1 – E você teve algum tipo de formação religiosa?

R – De formação? Sim, eu sou evangélica…

P/1 – Mas já era naquela época?

R – Sim. Porque eu ia muito pra escola dominical, foi quando eu comecei na minha vida evangélica.

P/1 – Ia pra escola...?

R – Dominical. Se chama escola dominical. Uma escolinha que tem na igreja de domingo.

P/1 – Você começou com quantos anos?

R – Eu comecei com nove.

P/1 – E a escola, você entrou com quantos anos?

R – Entrei com sete anos.

P/1 – E como é que você ia pra escola?

R – Como é que eu ia? Eu ia pra escola todos os dias....

P/1 – Mas a pé?

R – Isso, a pé. Eu ia a pé. Porque era ao lado da minha casa, não fica muito longe da escola. Aí eu ia a pé. É próximo da escola.

P/1 – E você gostava da escola?

R – Não. Não gostava muito de estudar, não. Inclusive, hoje, eu estou na luta hoje por causa disso. Quando eu era criança, eu não gostava muito, aí eu estou estudando agora…

P/1 – Mas você parou de estudar com quantos anos?

R – Eu parei de estudar com dezesseis. Mas eu tive dificuldade…

P/1 – Por que você voltou agora e está na quarta série se já tinha ido…

R – Voltei agora pra procurar um recurso melhor de vida…

P/1 – Não, mas você... Tipo assim, você já fez até dezesseis anos, você estudou…

R – Estudei, mas eu não estudei direto. Estudava parando, eu não gostava da escola.

P/1 – E por que você está na quarta série? Você voltou tudo pra trás?

R – Eu estou na quinta.

P/1 – Mas você voltou tudo pra trás?

R – Não voltei tudo pra trás, eu não terminei, eu não estudei, eu não gostava de estudar.

P/1 – Mas quando você fala a quarta série não é do primário, é do colegial?

R – Isso.

P/1 – É do ginásio.

R – Isso. Não. É do ginásio aqui... Do primário.

P/1 – E que lembrança você tem assim do período da escola?

R – A lembrança?

P/1 – Assim, alguma coisa que tenha te marcado daquele período, alguma professora, alguma história.

R – Deixa ver... Não tem muita lembrança, não. Têm várias, aí pra escolher uma delas....

P/1 – É, o que você quiser.

R – Ah, o que eu mais gostava lá, uma coisa que eu lembro muito, das brincadeiras e as merendas. Tenho saudade das merendas.

P/1 – Das merendas?

R – Das merendas da escola.

P/1 – O que tinha na merenda?

R – Ah, aquelas sopinhas de antigamente. Que as merendas eram assim mais sopa... Então eu tenho saudade daquelas merendas de escola. Porque hoje as merendas são diferentes....

P/1 – E aí você decidiu parar de estudar ou foi seu pai que te tirou da escola?

R – Não, por conta própria mesmo. Eu não gostava de estudar.

P/1 – E você ajudava em casa? Como é que era a vida na sua casa?

R – Eu ajudava na parte de quê, você fala?

P/1 – Tipo... Ajudava sua mãe nas tarefas domésticas?

R – Nas tarefas domésticas.

P/1 – Ou seu pai no...?

R – Não. Minha mãe, nas tarefas domésticas de casa.

P/1 – E seu pai tinha terra, ele plantava? Como é que era?

R – Ele tem terra. Ele mesmo produzia. Ele mesmo fazia as roças. De abacaxi, era com cana. Na época de cana, era na usina. Fornecedor da usina. E abacaxi por conta própria. Ele tem terra, mexia com roça.

P/1 – E a adolescência, você passou onde quando você era mocinha?

R – Eu passei aqui mesmo.

P/1 – Nessa mesma casa?

R – Na mesma casa.

P/1 – E quais eram os seus programas?

R – Meus programas... Não muito de sair, porque meu pai não liberava muito pra sair de casa, não. Aí alguns dos lugares que eu ia era mais na praia quando tinha trio elétrico, que minha irmã mais velha me levava. Assim mesmo era muita dificuldade pra sair porque ele não deixava.

P/1 – Mas você costumava ir muito à praia, não?

R – Eu gostava de ir, mas quando eu conseguia ir. Porque ele prendia muito, não deixava sair de casa, não.

P/1 – E namorado, quando que você começou a namorar?

R – Quando eu comecei? Eu comecei mais ou menos com dezessete, assim mesmo, escondido, muita dificuldade, não saía de casa, era dificuldade demais e o primeiro namorado em casa foi o que eu casei.

P/1 – Como você conheceu esse namorado?

R – Foi numa festa evangélica. Eu conheci ele... Aí foi quando ele pediu pra vir aqui em casa. Pedi um tempinho porque eu tinha medo do meu pai, porque meu pai nunca liberou muito. E foi quando ele veio pela primeira vez, meu pai olhou e gostou dele, aí liberou pra gente namorar em casa. Aí foi quando a gente namorou e casamos.

P/1 – E você já tinha trabalhado fora, não?

R – Não. Eu nunca fui muito de trabalhar fora, não. Só trabalhei uma vez fora de casa, de doméstica mesmo, no Rio de Janeiro…

P/1 – Quando foi?

R – Foi uma menina daqui que me levou pra lá. E só.

P/1 – Quantos anos você tinha?

R – Na época, eu já estava com dezenove.

P/1 – E como é que foi chegar no Rio de Janeiro?

R – Foi tudo diferente. A gente criado e nascido no interior, pra sair num lugar de cidade grande assim, tudo era surpresa. Tudo era diferente, tudo era admirado. Foi bom, foi uma experiência que eu tive, porque nunca fui muito de sair.

P/1 – O que você achou do Rio de Janeiro quando você chegou lá?

R – Uma cidade bonita. Linda a cidade.

P/1 – Qual foi a primeira imagem? O que você lembra? O que você viu?

R – A primeira imagem que eu vi foi a praia do Leme, tá? Foi onde eu fiquei. Lá no Leme.

P/1 – Quanto tempo você ficou lá?

R – Ah, eu fiquei lá uns quatro ou cinco meses. Uns cinco meses, só.

P/1 – E por que você resolveu voltar?

R – Não, eu resolvi voltar porque eu fui pra trabalhar pra fazer enxoval de casamento, inclusive. Aí eu resolvi voltar que eu estava sentindo muita falta de casa. Por não acostumar a sair, eu era uma menina muito acostumada dentro de casa, aí eu senti muita falta, não conseguia ficar.

P/1 – E você falou que você fazia enxoval de casamento. Quando que você começou? Isso você não contou aqui.

R – Isso.

P/1 – Você fazia o quê? Bordava? O que é que você fazia?

R – É, eu bordava. Eu mesma bordava, fazia o bordado. Fazia as coisas de marca... E foi.

P/1 – Você aprendeu a bordar, quem te ensinou a bordar?

R – Com quem? O nome dela me lembro não. Mas eu lembro que eu fiz o curso foi num projeto da igreja católica, que deram, foi apoio pela Heloísa, a esposa do Doutor Jango.

P/1 – Quantos anos você tinha quando aprendeu a bordar?

R – Com quinze anos.

P/1 – Você gostava?

R – Gostava. Gostava de fazer. Hoje eu não faço mais por falta de tempo. Mas eu gostava de fazer bordado.

P/1 – O que é que você bordava?

R – Ponto cruz, crochê. Eu não sou muito boa de crochê, não, mas eu fazia quando eu precisava passar o bico.

P/1 – Você fazia pra quem?

R – Não, fazia mais pro meu enxoval mesmo, pra mim mesmo. Pra vender, eu não gostava muito de fazer pra vender, não.

P/1 – E essa moça... Você foi pra fazer o enxoval dela?

R – Não, eu fui trabalhar pra fazer o meu enxoval.

P/1 – Na casa dela no Rio?

R – Não, eu fui pra trabalhar na casa dela pra com o dinheiro comprar o meu enxoval.

P/1 – Ah, você queria comprar seu enxoval e você foi trabalhar lá.

R – Isso. E os bordados, quando eu chegava que eu tinha tempo, eu fazia pro meu enxoval.

P/1 – E o que você fez, como é que foi seu enxoval? Aí você voltou de lá e veio fazer seu enxoval. Você conseguiu o dinheiro?

R – Consegui. Mas por não ficar muito tempo. E, lá, quando a gente saía... O dinheiro do enxoval acabava... A gente ia lá para o parque de diversão, ver umas coisas, que ela era nova... Era colega de infância. E foi colega de infância que eu fui trabalhar na casa dela. Aí, o dinheiro que deu pra comprar, eu comprei o enxoval.

P/1 – Como foi seu enxoval? O que é que você fez?

R – Foi toalha de banho, foi lençol e toalha de mesa, e toalha de praia.

P/1 – E como é que foi sua festa de casamento?

R – Minha festa de casamento foi uma festa simples. Foi simples, com meus amigos, meus parentes próximos. E os meus padrinhos de casamento.

P/1 – E aquela festa de quinze anos?

R – A festa de quinze foi…

P/1 – Fala dessa festa de quinze anos que eu vi as fotos lá. Como é que foi?

R – É. Minha festa de quinze anos foi na própria localidade da minha casa, no meu quintal mesmo. Aí eu quis contar tipo a história da minha vida, como se fosse eu nascendo, eu crescendo, brincando com minha primeira boneca e quando o tempo que eu fui crescendo como se fosse assim, aí foi quando minha boneca se transformou num príncipe, aí foi quando, como se fosse apresentando meu namorado, primeiro namorado.

P/1 – E como foi? Conta lá como estava nas fotos. Você entrou com uma mulher, uma enfermeira, como é que foi?

R – É. Entrou uma enfermeira, inclusive com a primeira filha dela, que veio apresentando como se eu estivesse nascendo, que é uma prima minha chamada Simone, e a filha dela foi a Mayara, que é a mais velha dela. Ela, inclusive na época, estava de resguardo. Apresentou assim mesmo. E a menininha que foi a Cintia, como se fosse eu, ela me representou como se eu tivesse três anos. E depois foi o meu irmão, que foi levar o calçado pra meu pai trocar porque o de lã já estava apertado. Eu já não era mais um nenenzinho, era uma adolescente. Aí eu troquei o de lã pelo sapato de couro como se fosse de adolescente. E foi a Mirele que levou minha boneca, primeira boneca... Minha mãe... A gratidão pela minha mãe que comprava os meus brinquedos e foi quando depois apresentou a troca da boneca pelo príncipe. E já não era mais uma criança e sim uma jovem, adolescente, que já podia enfrentar novas etapas da vida, novas coisas pra aprender. Aí foi quando trocou. E eu dancei valsa com meu pai.

P/1 – Quem teve essa ideia toda de fazer isso tudo desse jeito?

R – Fui eu mesma, porque o meu sonho, grande sonho, era fazer uma festa, um aniversário. E minha mãe, minha família é humilde, aí ela falava bem assim: “Deixa pra festa de quinze anos porque eu não tenho condições pra ficar fazendo festa sua e, se eu fizer agora, aí não faço a de quinze”. Aí eu esperei minha vida toda por uma festa só. Aí minha mãe não podia fazer festa de aniversário, aí como ela não tinha feito também a das minhas irmãs, que ela trabalhava duro na época. Nós éramos sete irmãos, ela não tinha condições. E não era só eu, que ela podia ter dado uma festa só pra mim. Como éramos três irmãs, não tinha dado pras outras, então... Aí prometeu toda vida essa festa de quinze anos. Aí eu esperei minha vida toda por essa festa de quinze anos. Aí foi quando, um dia eu dormindo, eu sonhando com essa festa de quinze anos minha, aí acordei de madrugada, aí me deu vontade de pegar uma caneta e um caderno e comecei a escrever. Aí escrevi essa história assim. Aí acordei de manhã cedo e falei assim: “Mãe, acordei sonhando com a festa de quinze anos e escrevi uma história”. Aí ela falou assim: “Vai dar quem entende, pra ler, pra ver se está bom”. Aí foi quando eu dei à Rita, a professora de inglês. Aí eu dei à Rita pra ler e a Rita me ajudou de... Acabar de... E ela falou: “Não, tá ótima a história. Põe o sonho mesmo. Aí como você sonhou vai ser a história do seu aniversário. Tá bom demais”. Aí foi quando eu fiz assim na festa de quinze anos. Desse jeito.

P/1 – Que lindo.

R – É.

P/1 – E a festa de casamento foi como?

R – Minha festa de casamento…

P/1 – A festa.

R – Foi muita correria. Porque eu conheci o que é hoje meu esposo. Mas foi com um ano e seis meses, então a gente entre namoro, noivado e casamento... Que a gente é evangélico, então a gente não namora muito tempo. Evangélico… Na minha época, hoje não... Mas, na minha época, quando a gente arrumava um namorado, o pastor apertava um pouco. Aí foi quando a gente namorou um ano e seis meses e tivemos que casar. E ele... A mãe dele não é daqui e ele morava só, então ele tinha pressa desse casamento. Aí foi onde seis meses namoramos, seis meses noivamos, e com um ano nos casamos. E com três meses foi quando fiquei grávida do meu primeiro filho, com um ano certinho de casamento.

P/1 – E como é que é o nome dele?

R – José Carlos.

P/1 – E está com quantos anos ele?

R – Hoje está com trinta e sete.

P/1 – E o seu filho?

R – O meu primeiro filho está com onze, o meu segundo com sete.

P/1 – E aí, depois que você casou, você começou a trabalhar? O que você fez?

R – É. Eu comecei a trabalhar com vendas.

P/1 – Vendendo o quê?

R – Eu vendo Natura, Racco, aí quando eu comecei... E o projeto, esse projeto que eu estou.

P/1 – Como é que é o nome do projeto?

R – O nome do projeto? Agora você me pegou. Agora deu um branco. Cintia, deu um branco. O nome do projeto? Ah, Projeto Comunitário... Ah, Inclusão Comunitária.

P/1 – E como é que você começou? Conta. Quanto tempo atrás?

R – Quanto tempo? Um ano atrás.

P/1 – Um ano atrás? Quem te chamou pra participar? Como é que você ficou sabendo?

R – Então, eu fiquei sabendo através de uma reunião com o Max, que é apresentador... Como é que fala?... O Max é o que mesmo? Porque ele é presidente da comunidade. Isso mesmo. É presidente da comunidade. Aí foi quando ele trouxe a reunião pra cá e falou... Quando nós estávamos discutindo o que que ia ser, o que que não ia ser e foi quando nós decidimos fazer essa Inclusão Comunitária…

P/1 – Não, mas aí ele chamou? Ela já fazia parte? Como é que era?

R – Não. Ele estava em busca de melhorias pra comunidade. Entendeu? Aí foi quando ele estava discutindo o que trazia pra ajudar as mulheres da comunidade. Aí foi quando surgiu essa ideia. Uma coisa puxa a outra. Fizemos o curso…

P/1 – Curso do quê vocês fizeram?

R – Nós fizemos curso de doces cristalizados que levam biscoito também, no meio, e o licor. Nós fizemos o curso aí foi quando surgiu essa ideia de fazer…

P/1 – O Max é da onde?

R – O Max é daqui de Graúna.

P/1 – Ele é um líder da comunidade?

R – É. É o líder da comunidade.

P/1 – Como é que você conheceu ele?

R – Não, eu conheci ele aqui mesmo. Que nós somos uma cidade... Somos um bairro pequeno e todos conhecem um ao outro. E ele é nascido e criado aqui também.

P/1 – Aí ele chamou vocês pra falar “Vamos fazer um projeto”?

R – Isso mesmo.

P/1 – Pra que que era esse projeto?

R – O sonho dele é criar um projeto dentro do lugar pra ajudar a comunidade. E foi quando... Tudo começou quando ele estava correndo atrás pra trazer o Quilombola pra este lugar.

P/1 – Pra trazer o quê?

R – O projeto Quilombola que eles falam. E foi quando ele estava correndo atrás dessa parte aí. E foi quando ele começou a puxar uma coisa com outra pra trazer o melhor. E foi quando ele perguntou o que que as mulheres gostariam de fazer. Aí foi quando umas escolheram costura, mas quando surgiu mesmo, sério mesmo, foi esse nosso, o projeto nosso.

P/1 – Quem que fazia parte dele?

R – Quem fazia parte desse grupo nosso? Quem faz parte, no caso, é a Luciana, a Andréia, a Erenice, que é minha mãe, eu, a Cintia que é a nossa chefe, e tem mais também... A Paola. Tem mais... Inclusive, no momento agora eu esqueço. Tem a Maura. Tem um bocado de gente.

P/1 – E aí ele... Vocês que decidiram? Como é que foi a decisão de fazer doce?

R – A nossa decisão? Começou tudo por um curso que a gente fez. A gente fez um curso e gostamos, aí foi quando fundou esse projeto da gente.

P/1 – Mas como é que se formou o negócio? Assim, tipo: “Vamos vender doce?”. Como é que foi?

R – É. Foi quando a gente falou assim: “Vamos tentar vender pra comunidade, tentar a barraquinha que tiver em festa”. E aí a primeira barraquinha que nós fomos foi na Festa de Setembro, a exposição, foi a primeira barraca, o primeiro trabalho, quando tudo começou.

P/1 – Como é que foi? Conta. Como vocês se prepararam. Como foi a festa.

R – A gente foi pra cozinha. Preparamos o licor, a geleia, nossos doces de compota e levamos pra exposição e lá fomos apoiados pela prefeita. A prefeita doou pra gente a barraca e foi tudo como começou. E agora, daqui pra frente, todas as festas que tem, a gente está levando…

P/1 – Em que cozinha? Conta como vocês fizeram. Foi na casa de quem? Como é que foi?

R – Ah, a primeira cozinha mesmo?

P/1 – Essa em que vocês fizeram os doces pra levar pra festa.

R – Ah, pra festa... Foi na cozinha da Prefeitura. A prefeita tem uma cozinha que ela fez pra comunidade. Pra comunidade não, pro local de Itapemirim, pra ajudar. Que ali trabalha não só o nosso grupo, trabalham os outros grupos. E o nosso trabalhou ali pela primeira vez. Até a gente conseguir a nossa mesmo. Porque o objetivo de nosso projeto é conseguir fazer a nossa cozinha dentro da Graúna, pra facilitar o trabalho de todas nós. Porque cada um tem sua profissão, trabalha, e o pouco tempo que sobra a gente tenta ir pra cozinha. Aí por isso que a gente está lutando pra trazer a cozinha pra Graúna. Pra facilitar o trabalho, o pouco tempo que sobra pra gente... Porque a dificuldade de ir pra Vila. Aí o tempo quase não dá pra ninguém trabalhar.

P/1 – Me conta uma coisa... Como é que é... Me conta a receita desses doces.

R – A receita? A receita a gente trabalha com biscoito sequilho, que é maisena, no caso a manteiga e vai coisa... Você quer a receita todinha certinha?

P/1 – Dos doces que vocês fazem…

R – Dos doces, no caso, tem a geleia de abacaxi, que leva o abacaxi. E tem a geleia também abacaxi com coco. Mas a geleia pura, no caso, leva abacaxi, leva o açúcar, leva, no caso, a pectina, e assim vai. E tem o processo dela pra dar o ponto certinho até chegar à geleia, o ponto da geleia.

P/1 – E como é que... Quem que ensinou pra vocês? Vocês fazem a geleia de abacaxi, sequilho...?

R – De goiabada também. Tem também de acerola, também geleia de acerola. E as demais geleia no meio das receitas.

P/1 – O que que é “demais geleia”?

R – Tem mais... Mais receitas no meio da nossa apostila.

P/1 – Quais são as outras?

R – As outras? Nesse momento, agora, não estou lembrando, mas tem as outras receitas. É o que eu te falei, tem a de acerola, do abacaxi…

P/1 – Do abacaxi, goiaba…

R – Do abacaxi puro, do abacaxi com coco, e tem o da goiabada. E melancia... Não, melancia não deu certo, a gente tentou fazer, porque a gente vai tentando, vamos criando. Tem coisa que a gente faz o teste, não dá certo, a gente não faz. E a gente está tentando fazer receitas novas criadas pela gente. É por isso que a gente vai tentando até a gente chegar a fazer uma receita criada pela gente mesmo.

P/1 – Vocês fazem...Vocês que experimentam? Quem que experimenta?

R – Quem experimenta? Inclusive, quem experimenta mais mesmo é a Erenice que é a minha mãe. E a segunda é a Cintia a provar se gostou mesmo ou não.

P/1 – Me conta, assim, algum dia marcante no projeto, uma história que tenha te marcado, ou no curso, ou um dia vocês cozinhando, algum causo.

R – O primeiro, que mais marcou, foi quando a gente foi fazer pela primeira vez a geleia de morango. Que a geleia de morango tem que saber dar o ponto. E foi tudo quando começou, a maior correria, a gente pela primeira vez. Nervosismo. Era o primeiro trabalho da gente, e foi quando a geleia de morango queimou. Quando começou, aquela coisa toda, a gente pensou até em desanimar, mas não, a Cintia levantou o astral da gente: “Não, todo começo é difícil, a gente vai lutar, vamos conseguir”.

E foi quando, de novo, veio a... Esqueci o nome dela que veio pra apoiar a gente... E veio de novo trabalhar pela segunda vez, aí quando a gente conseguiu fazer a geleia de morango... E as outras geleias, agora a gente está aprovada, agora a gente conseguiu fazer o ponto certinho e tudo. E foi... O que mais marcou foi a gente, no primeiro dia na cozinha, quando a gente queimou a geleia de morango.

P/1 – Onde vocês estavam? Quem estava cozinhando?

R – Na época, foi a Luciana, a Andréia, a Erenice, minha mãe, a Paola, estava eu também no meio, e tinha outra também... No momento, eu esqueci, mas tinha outra nesse dia... Era a Maura.

P/1 – E onde vocês estavam? Onde que era a cozinha?

R – Onde era a cozinha? Essa mesma da Prefeitura.

P/1 – Da Prefeitura.

R – Porque a gente não tem a nossa ainda, até hoje. Estamos lutando…

P/1 – Na Prefeitura de...?

R – Itapemirim.

P/1 – De Itapemirim.

R – Isso na Prefeitura de Itapemirim.

P/1 – E como é que faz, uma parte cozinha a outra parte vende, como é que vocês se organizam?

R – A gente produz primeiro. E fazemos o estoque. Quando tem festa, a gente monta aquela barraca e leva pra vender. E, quando não tem estoque, a gente leva pra mercados, pedimos pra botar no mercado na nossa localidade mesmo, que é Graúna. Que é a venda do Sergio e do Jucir, que mais apoiam a gente nas vendas.

P/1 – Mas assim, uma parte vende, uma parte cozinha ou todo mundo faz tudo?

R – Não, são as mesmas que vendem, fazem a produção... São as mesmas que vendem.

P/1 – E tem um dia certo? De quanto em quanto tempo vocês se encontram pra fazer?

R – Então, na segunda e quinta. Não, terça e quinta. São às terças e quintas-feiras que são os dias que a gente se reúne pra ir pra cozinha.

P/1 – O que mudou na sua vida desde que você entrou no projeto?

R – O que mudou foi um ato assim de esperança, o melhor pra família, pros nossos filhos. E conforme eu falei com você, tudo no começo, quando a gente começou, em busca de melhorias pras mulheres da comunidade. E foi como... Pra mim, o que mudou foi o quê? Eu aprendi que pra gente conseguir algo, um objetivo em nossa vida, não é por acaso, a gente tem que lutar, e saber que a gente vai vencer, em busca do melhor pra nossa família.

P/1 – E o projeto já está dando renda, como é que é essa parte da venda?

R – Tudo no começo é difícil. Dá renda, mas não grande renda. Mas tudo no começo é difícil. Porque tudo... Nós, agora no começo, toda renda que dá é comprando mais na frente. Comprando tudo no começo... Ih, tem muita coisa pra gente comprar, muitas coisas pra gente montar esse projeto. Estamos no começo. E tudo no começo... Não tem nada nas mãos ainda. Então dá e não dá. Porque... Dá… Melhor do que ficar parada, melhor do que... A gente não tem profissão fixa. Então a gente tá tentando uma profissão pra gente, o melhor pra gente. E vivendo e aprendendo.

P/1 – O que que você aprendeu no projeto além de cozinhar, de fazer essas receitas?

R – Além de... O que que eu aprendi? Mais ou menos o que você quer dizer?

P/1 – Não, o quê que você aprendeu além de fazer as geleias, os sequilhos, o que que foi bom, o projeto pra você?

R – No que foi bom o projeto? Ah, eu aprendi, ali, a fazer a geleia, eu aprendi a fazer os biscoitos, eu aprendi também... Tipo assim, como eu falei pra você, aprendi mais lutar. A gente vê que lutando a gente consegue, a gente vê que lutando as coisas melhoram pra gente. É, tipo assim, aprendendo. Porque a gente em casa, dona de casa, a gente fica muito assim, com a mente muito fechada. Inclusive, ali no projeto eu vi o quanto o estudo faz falta, tá? Que a gente, a maioria ali do curso, a gente não tem estudo. E vê a dificuldade que é trabalhar na balança, somar as gramas, assim com um pouco de dificuldade. Ali a gente aprende... Na medida das coisas, a gente está aprendendo, mas aí eu descobri o quanto faz falta, e nunca é tarde pra aprender, e nunca é tarde pra lutar, nunca é tarde pra vencer. Foi quando eu comecei a estudar, voltei a estudar de novo e o projeto não ensinou só a mim, ensinou muitas mulheres ali também e eu vejo que elas mudaram também o jeito de ser, o modo de correr atrás, o modo de ver…

P/1 – E a sua família, assim, seu marido te apoiou? Como é que é a relação em casa?

R – Ele apoiou, me deu força, porque é difícil a gente sair de casa. A gente... Quando a gente vai, levamos o dia todo na cozinha. E eu tenho filho na escola e ele me apoiou, meu pai também, que, quando ele não está em casa, quem fica com as minhas crianças é meu pai. E, quando ele está em casa, ele que fica com as crianças, porque meus filhos têm que levar na escola, buscar na escola, é criança ainda pequena. E tem a criança também que estuda no ginásio, que pega ônibus da escola de lá pra cá também. E tem os horários. Eles ainda não põem comida sozinhos. Meu pai e meu marido que me ajudam, o apoio que deram foi isso aí.

P/1 – É... Chama Doces Graúna? O que é que vem escrito? Como é que vocês vendem? A embalagem, vocês compram, como é que é?

R – É, a geleia na embalagem de vidro... no vidrinho. Tem o rótulo conseguimos agora. Foi difícil no começo pra conseguir o rótulo, tudo isso, mas conseguimos.

P/1 – Quem fez o rótulo?

R – Foi a Cintia.

P/1 – Ah, depois dá pra mostrar pra gente uma embalagem? Tem aí?

R – Tem que ver com Cintia se ela trouxe ou não.

P/1 – Vocês não têm aqui? Não fica em casa, fica tudo lá?

R – Na cozinha. A gente não traz pra casa, fica na cozinha.

P/1 – Entendi.

P/1 – É... O que que mudou na sua vida? Quais foram as principais transformações na sua vida?

R – Como assim?

P/1 – O que que você espera ainda alcançar com esse projeto? Qual que é o seu maior sonho, seu maior desejo com esse projeto?

R – Meu maior sonho é que esse projeto, que ele assim... Nosso sonho é ele crescer, ser conhecida a nossa produção. A nossa produção ser conhecida não só aqui na nossa localidade, mas também pra fora. Que a gente possa ter renda. Porque, no momento, vendemos mais aqui na comunidade. Mas nosso sonho é que seja conhecido lá fora também, que possa crescer e…

P/1 – Lá fora onde?

R – Lá fora onde que eu falo? Tipo assim, Vitória, Rio de Janeiro, que a gente possa crescer nossa... né? Não ficar só aqui, mas que cresça e que não fique só entre nós, mas que melhore. Que nós estamos dando só o começo. Nós somos só o começo. Que não fique só aqui em nós, só essas mulheres. Mas que fique esse projeto fundado pra aquelas que venham amanhã, que estão desempregadas, que são aquelas que estão começando. Aquelas que possam casar e não têm emprego, possam também vir pra esse projeto. Um projeto aberto, que seja... Conforme eu falei, que seja melhor pra comunidade. Melhor pra nossos filhos. Que o projeto ajude também a trazer pra gente médico pro nosso lugar. Trazer o melhor. Na escola. No nosso projeto, trabalhamos também a merenda escolar, levamos pra escola também. Nós estamos lutando pra fechar com a Prefeitura pra trabalhar com merendas escolares.

P/1 – Teve algum momento, assim, do projeto em que você falou “Ai, acho que eu vou desistir, estou em crise”?

R – Teve. Teve. Teve momento difícil, foi quando eu falei pra você, quando queimou. Quando tudo começou era pouco material e aquele material que a gente ia produzindo, que ia aumentando ali na produção, e foi quando a gente pensou em parar foi ali, quando a gente achou que nós não íamos conseguir, foi quando queimou a nossa geleia de morango.

P/1 – E como é que você mudou de ideia? Você falou “Não, vou seguir”? Alguém te convenceu? Como é que foi?

R – A Cintia. Que a Cintia sempre falava: “Não, gente, tudo no começo é difícil, vamos acreditar que a gente vai conseguir, vamos lutar e a gente vai melhorar, daqui pra frente, a gente vai melhorar, vamos aprender mais e mais...” E foi quando a gente acreditou e, realmente, hoje faz geleia com facilidade. E antes não, antes tudo era muito difícil.

P/1 – E o que que você faz hoje além de fazer esse curso? Além de fazer geleia, sequilho? É geleia e sequilho que vocês fazem?

R – Isso. O biscoitinho casadinho e é o nosso licor também e doce compota.

P/1 – Faz licor também?

R – Faz licor também. Licor de jenipapo, o licor de casca de banana, o licor de abacaxi, o licor de banana mesmo da própria banana também, licor com a casca do abacaxi, tem o licor... Tem vários licores.

P/1 – Quais são seus maiores sonhos hoje?

R – Hoje, meu maior sonho? Meu maior sonho é acreditar hoje que ainda não é tarde, apesar de começar, voltar a estudar agora, que estudar, fazer curso e se formar em alguma coisa…

P/1 – Você quer se formar em quê?

R – Em quê? Eu ainda não descobri o que eu quero ser lá na frente, porque é tanta coisa, aí eu não sei. Estudando mais, aí que eu vou descobrir o que eu mais gosto.

P/1 – Mas você fica em dúvida entre o quê?

R – Entre quê? Uma hora eu penso pra estudar pra ser professora, outra hora eu penso em Enfermagem. Eu não sei se eu vou adaptar com Enfermagem porque eu não sou muito de lidar com sangue, não. Aí eu não sei o que eu vou descobrir mais tarde porque, de repente, quando chegar e formar, a gente acaba mudando de ideia, aí ali na frente a gente vai descobrir o que a gente vai querer ser.

P/1 – De alguma maneira você acha que o projeto te deu essa vontade de voltar a estudar?

R – Foi, foi o projeto. Quando a gente viu a dificuldade, aí eu percebi que nada é tarde pra gente lutar e conseguir, entendeu? Aí, foi como eu falei pra você, a Cintia sempre falava: “Gente, a gente vai conseguir”. Aí foi quando eu descobri, como se a gente achar que não é nada, se a gente achar que não consegue, a gente não vai conseguir mesmo. Se a gente achar que não é nada, não somos nada mesmo. Se a gente não lutar, não acreditar, vai ficar no nada mesmo. Aí eu vi quanto... Foi ali que eu descobri que, quando a gente lutando, a gente consegue, que, quando realmente a gente sonha, a gente alcança nossos sonhos e foi quando eu descobri.

P/1 – E tem alguma coisa, algum fato do projeto que você não falou e que você acha importante deixar registrado?

R – Não.

P/1 – Da sua vida? Alguma coisa que a gente não comentou que você ache importante deixar registrado?

R – Não. Que eu me lembre, não.

P/1 – Como foi pra você contar essa história do projeto, da sua vida?

R – Ah, com o maior prazer, maior satisfação. Porque foi, tipo assim, um presente pra nossa vida esse projeto, porque é conforme eu estava te falando, voltando atrás, eu estava falando, porque esse projeto assim como despertou em busca do melhor, em busca como a gente lutar, a gente consegue, eu creio que não foi só eu, as outras mulheres também, eu creio que... né? E, pra mim, foi uma grande coisa e eu não pretendo ficar só nessa. Eu pretendo melhorar mais e eu sonho que o projeto cresça. Eu sonho que o projeto cresça e que venha trazer melhores... Que nessa aí quem vê a gente pequena. Eu sonho assim, o projeto crescendo e eles vejam como realmente começamos pequenas. Eu sonho, é o meu sonho, como ele verem que começamos tão pequenos e, hoje, a gente, como se fosse no sonho uma empresa de geleia, uma empresa de licor, e que venha mais, dar mais emprego pras mulheres aqui do lugar e elas vejam que como sonhar a gente realmente vê realizar nosso sonho, como lutar também realmente alcançamos nosso objetivo. Eu espero que esse projeto cresça, que esse projeto... Né? Nós estamos lutando, sonhando, acreditando e que realmente seja realizado, que realmente seja esse sonho da gente realidade....

P/1 – Obrigada. Queria agradecer o seu depoimento.

R – Não, obrigada você. Foi a maior satisfação, o maio prazer.

P/1 – Foi bom contar a história?

R – Foi, foi bom. A história fica registrada. Como tudo começou, como tudo sonhamos, espero que amanhã seja outro livro, outra história, já mostrando já algo grande. O antes e o depois... Eu espero que daqui a dez anos a gente possa fazer de novo esse mesmo trabalho, mostrando a gente lá na frente.

P/1 – Ah, que bacana, que lindo isso que você falou. Queria agradecer. Obrigada!

R – Obrigada, você.

P/1 – Bem bacana sua história.