Flávio de Souza Borges. Eu nasci no Rio de Janeiro, mas desde os três anos de idade eu moro em Magé, a cidade que hoje eu adoto como minha. Eu sou de sete de fevereiro de 1972, são 37 anos. Eu sou professor de matemática. Eu já leciono há 17 anos, comecei como professor particular, depois tive a oportunidade em escolas e a coisa foi crescendo, foi evoluindo, fiz o concurso para a prefeitura de Magé, um concurso para o Governo do Estado também. E a coisa foi crescendo, crescendo. Eu sempre vou gostar de trabalhar com concursos públicos, e ter o sonho de, quem sabe, até criar um curso preparatório, um curso profissionalizante. Eu comecei com o primeiro passo de preparatório, já trabalho com preparatório já há um bom tempo, tenho hoje um pequeno curso em Magé, mas o meu sonho é daqui a um ano, no máximo, [ter] um curso profissionalizante, que sempre foi a minha vontade, sempre foi o meu foco, até porque eu fui aluno do Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial], desde os 15 anos, saí com 17. Depois, eu fiz o meu curso técnico em arquitetura, fiz o curso técnico em estruturas navais pela Marinha e não parei mais. Eu sempre gostei da formação profissional. E por eu ter tido essa oportunidade, sempre olho para os jovens da minha cidade com essa oportunidade de crescimento: ter a oportunidade de se formar. Eu, graças a Deus, tive. A minha família teve estrutura de me dar essa oportunidade de fazer um curso profissionalizante, fazer um curso técnico, de eu poder ter uma formação. Os jovens hoje, principalmente em Magé, que é o quarto município mais pobre do Estado, não tem essa chance, não tem um conhecimento, e não tem essa chance. Agora há essa necessidade, por isso que abracei essa ideia da formação profissional, da Agenda 21 também, desde que comecei a saber que o Polo seria a 17 quilômetros em linha reta do município de Magé, que é um município equidistante não só de Itaboraí, mas de Duque de Caxias, do...
Continuar leituraFlávio de Souza Borges. Eu nasci no Rio de Janeiro, mas desde os três anos de idade eu moro em Magé, a cidade que hoje eu adoto como minha. Eu sou de sete de fevereiro de 1972, são 37 anos. Eu sou professor de matemática. Eu já leciono há 17 anos, comecei como professor particular, depois tive a oportunidade em escolas e a coisa foi crescendo, foi evoluindo, fiz o concurso para a prefeitura de Magé, um concurso para o Governo do Estado também. E a coisa foi crescendo, crescendo. Eu sempre vou gostar de trabalhar com concursos públicos, e ter o sonho de, quem sabe, até criar um curso preparatório, um curso profissionalizante. Eu comecei com o primeiro passo de preparatório, já trabalho com preparatório já há um bom tempo, tenho hoje um pequeno curso em Magé, mas o meu sonho é daqui a um ano, no máximo, [ter] um curso profissionalizante, que sempre foi a minha vontade, sempre foi o meu foco, até porque eu fui aluno do Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial], desde os 15 anos, saí com 17. Depois, eu fiz o meu curso técnico em arquitetura, fiz o curso técnico em estruturas navais pela Marinha e não parei mais. Eu sempre gostei da formação profissional. E por eu ter tido essa oportunidade, sempre olho para os jovens da minha cidade com essa oportunidade de crescimento: ter a oportunidade de se formar. Eu, graças a Deus, tive. A minha família teve estrutura de me dar essa oportunidade de fazer um curso profissionalizante, fazer um curso técnico, de eu poder ter uma formação. Os jovens hoje, principalmente em Magé, que é o quarto município mais pobre do Estado, não tem essa chance, não tem um conhecimento, e não tem essa chance. Agora há essa necessidade, por isso que abracei essa ideia da formação profissional, da Agenda 21 também, desde que comecei a saber que o Polo seria a 17 quilômetros em linha reta do município de Magé, que é um município equidistante não só de Itaboraí, mas de Duque de Caxias, do Polo Gás Químico. Eu falei: “Aqui é o local Aqui a coisa vai ter que acontecer e eu quero muito fazer parte dessa história, quero muito fazer parte desse processo de transformação da sociedade”. Nunca tive essa oportunidade [de fazer trabalho social]. Até pelo próprio receio que muitas atitudes desse porte se tornem políticas, ou [de] alguém se aproveitar dessa situação para ser político, e eu sei que a Agenda 21 é... Há a necessidade de toda uma articulação política, mas sem a necessidade de um aproveitamento político. E é isso que me motiva, ver a diversidade de pessoas, a diversidade de ideias; a gente vai poder criar e transformar o município [para] melhor, e isso é o que me motiva. Desde o início do processo, desde a instalação do Polo, [quando] Itaboraí ganhou como o município que receberia o Comperj [Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro], e começaram as discussões para profissionalizar os dez municípios da área de influência, eu comecei a me interessar sobre isso. Mas tem uma pessoa, que é da própria Petrobras que muito contribuiu para que isso acontecesse, que é o Luis Fonseca. Hoje ele não está mais no Rio de Janeiro, está em Santos, e ele contribuiu muito pra que isso acontecesse. Aquilo foi me motivando. Eu tive sempre uma identificação muito grande com a formação profissional e isso foi me motivando cada vez mais, até fazer parte do Centro de Integração, de compor ali os dez municípios do Centro de Integração do Conleste [Consórcio Intermunicipal da Região Leste Fluminense], e agora da Agenda 21, eu acabei indo a reboque. “Bom, já que estou aqui, também estou aqui, também vou fazer parte do outro”. Porque você também tem a discussão da educação ambiental, educação profissional. A minha esposa também faz parte desse processo, é uma pessoa que também me ajuda bastante, a gente está sempre discutindo, trocando ideias nesse processo, ela com a área ambiental, eu com a área de profissionalização. A gente tem sempre umas discussões, e eu sempre digo: “Eu destruo, você reconstrói”. A gente sempre brinca dessa forma. Mas tudo isso foi se encaixando perfeitamente, até chegar essa engrenagem hoje que está, a participação no processo da Agenda 21. Eu acompanhei, até porque o Conleste é formado pelos prefeitos dos municípios e na época o Secretário de Habitação, o Ismael, fazia parte. Ele me convidou numa dessas reuniões, acabei também compondo todo aquele grupo. Hoje a coisa esfriou um bocado, mas a gente sempre que pode mantém os contatos. Mas o meu forte mesmo é a área de formação profissional, o que o Centro de Capacitação começou a desenvolver com os municípios, a fazer palestras locais, e a Agenda 21 foi mais um braço que se estendeu. [No Conleste a minha participação foi] muito pequena. Foi mais para acompanhar o processo, de que forma as coisas seriam amarradas. Não tenho até muito a dizer sobre isso não, seria até leviano se eu tivesse que comentar alguma coisa. A Agenda 21 Local foi muito interessante. No início dela, o Instituto Ipanema que foi contratado para tratar do primeiro setor tentava o contato com algumas secretarias e não conseguiu e chegou até essa Secretaria de Meio Ambiente, na qual, o secretário também era meu amigo, me contatou e falou: “Flávio, resolva” E eu comecei a fazer os contatos com as pessoas. A deputada da época, também do nosso município, me auxiliou bastante para que essas pessoas pudessem participar. E no desenrolar da história a gente tentava o secretário de saúde, o secretário de planejamento, o secretário... Todos os secretários, [para] fazer parte, mais o Banco do Brasil, mais a Caixa Econômica, as outras instituições públicas, federais e estaduais que compunham o município. E às reuniões iam poucas pessoas, iam oito, seis, dez pessoas, mas a gente continuou, a gente foi levando, foi fazendo parte, pra que a coisa pudesse crescer. E hoje, eu me sinto muito orgulhoso de estar caminhando, mesmo com uma pequena participação do poder público, não digo nem o municipal, mas principalmente os outros órgãos que compõem o município, eu fico muito orgulhoso de fazer parte hoje. [Pessoas] iam muito pela amizade: “Pô, vamos lá, é para o nosso município”. As pessoas não acreditam ainda muito nessa coisa social, nessa contribuição: “Eu vou dar minha parte, minha parcela”. É difícil às vezes até pelo dia a dia das pessoas. Não que elas não queiram, mas o dia a dia das pessoas é muito corrido: “Ah, eu não consigo destinar uma, duas horas pra isso, eu não vou ter tempo pra minha família.” As pessoas ainda não têm essa consciência, não conseguem se planejar quanto a isso. Eu também passo por isso às vezes, às vezes a gente passa por um problema em casa, eu e a minha esposa, apesar da gente conjugar dessa mesma ideia, às vezes a gente passa por um problema: “Pô, mas hoje nós teríamos que fazer isso, tem que fazer compra, tem que fazer não sei o que, eu tenho que dar uma aula...”. Você às vezes não consegue. E em outras esferas a coisa é bem mais apertada por conta dessa situação. A gente ia muito pela amizade, “Pô, vamos lá, só uma horinha, vamos participar e vamos estar juntos”. E hoje a gente tem o professor Luis Carlos, que é uma pessoa maravilhosa, de uma experiência sem fim que é do Colégio Agrícola, que é o interessado direto nesse processo; tem a minha esposa, a Tereza, que representa a APA [Associação de Proteção Ambiental] de Guapimirim, que está representando, ela é terceirizada na APA de Guapimirim. Por conta disso tudo a gente acabou fechando um círculo de participação, motivando as pessoas, tentando participar. E hoje a gente compõe a esfera do primeiro setor, que é o setor público, que faz parte da Agenda 21. No fórum de Itaboraí [havia] os setores, por exemplo, o terceiro setor, que era a comunidade, o terceiro setor de ONGs e o quarto setor de comunidades, havia muitas pessoas. Era um lugar enorme. O segundo setor, que era dos empresários, o pessoal que trabalhava, que tem as empresas, que representa as empresas, eram pouquíssimos: o Romildo que é uma pessoa muito atuante nesse segmento, mas sem querer deixar de lado o Ronaldo que é da Associação Comercial, o próprio Roberto, o advogado que é da OAB [Organização dos Advogados do Brasil]. Mas do primeiro setor só [estávamos] eu e a minha esposa, e na hora da eleição eu olhei pra ela e falei: “Você vota em mim, eu voto em você e na hora eles decidem o que vão fazer”. Ela falou: “Não, como eu sou estagiária eu deixo pra você”. Eu fui eleito por unanimidade, pelo voto dela e pelo o meu próprio voto. Foi dessa forma que a coisa aconteceu, eu acabei sozinho no dia, e por conta disso acabei tocando toda essa história, esse processo do município. Foi interessante, às vezes é cansativo, às vezes você se estressa, mas é gratificante, é muito gratificante. Esse fórum foi em Itaboraí, com todos os dez municípios da área de influência, mais os quatro de fora, Rio de Janeiro, Teresópolis, Nova Friburgo e mais um outro que eu não me lembro agora. E foram eleitos representantes de cada um desses municípios dos quatro setores: o primeiro setor que é o poder público; o segundo setor, são as empresas; o terceiro setor que são as ONGs e o quarto setor que era a comunidade. E as eleições foram feitas, se não me engano cinco representantes de cada setor em cada município. E em Magé eu fiquei sozinho com o primeiro setor. Aí muita gente: “Poxa, mas você é bobo de ficar sozinho nesse negócio, agora você está roendo osso Não, na hora de comer, o filé vai aparecer”. Eu não me importo, eu quero é que o município cresça, se eu der o primeiro passo e alguém der o prosseguimento, isso não me interessa. Você não recebe para fazer isso, a gente já entra sabendo, mas se você tem como dar uma contribuição para o crescimento local, está ótimo, é impagável, você ajudar na construção de um processo de uma pessoa, saber que alguém sai do nada e daqui a pouco é uma profissional de alguma coisa, está inserido no mercado de trabalho, você gera o “efeito-renda” no município. Isso não tem preço Mandávamos ofícios, ligávamos, tentávamos um contato maior, mas a própria falta de tempo das pessoas, ou os compromissos ora agendados... Não havia essa disponibilidade pra que isso acontecesse. Mas no final da história conseguimos fechar – as poucas pessoas que ficaram – fechamos um grupo bom, e esse grupo é que está tocando, está levando pra construir uma Agenda 21 de verdade, que esta sendo hoje o “raio-x” do município; com as suas necessidades, prioridades, carências e pontos positivos. Está sendo muito legal, muito bom mesmo. A gente [discute], principalmente, o problema ambiental e o problema da formação profissional, são os dois tópicos mais importantes, não só pra Magé, mas a gente sabe que é de uma maneira geral, principalmente na nossa região. A grande discussão é em relação ao meio ambiente e a empregabilidade dos munícipes. Acontecendo isso, e se começar a desencadear esse processo, começar a andar, a gente vai ter como preocupação outros pontos, mas esses são os principais: preservação de meio ambiente, e a recolocação ou colocação das pessoas no mercado de trabalho. É isso aí que a gente discute na maioria das vezes. Propostas existem muitas, muitas ideias, projetos até existem. O grande problema que se esbarra é no financiamento desses projetos. Hoje em dia a gente sabe que grande parte desses projetos são feitos pela iniciativa pública, pelo poder público, e a iniciativa privada só através de um grande projeto, muito bem elaborado, com um sentido de retorno pra instituição, de maneira que a coisa possa acontecer. Mas é um trabalho muito árduo, muito pesado pra se fazer. O Centro de Capacitação foi construído em São Gonçalo e foi dividido pelos municípios pra que pudesse ser feita a capacitação, como houve a primeira e a segunda, nos municípios da área de entorno. Acompanhei passo a passo, a divulgação eu fazia nas escolas, nos postos de saúde da família, nós reuníamos as pessoas, fazíamos palestras, levávamos cartazes, os cartazes que eu recebia da própria Petrobras pra divulgar e passamos carro de som na cidade. Recebíamos a mídia da Petrobras. De uma maneira ou outra a gente conseguia circular na cidade essa mídia. E nós conseguimos reunir uma quantidade muito boa de pessoas na cidade pra fazer isso, foi árduo o trabalho, foi muito cansativo, mas no final das contas – aquele foi um dos dias mais frios do ano, eu lembro como se fosse hoje – e foi muito legal ver aquela quantidade de gente no nosso município tentando uma recolocação no mercado através daquele concurso. Como é que acontece? Abre-se um concurso público pra você pleitear uma das vagas a fazer um curso de qualificação. “Ah, é de bombeiro, de carpinteiro, de pintor ou de armador? Tem quantas vagas para o município tal?” No caso pra Magé, são 40, são 50, 60. Ele vai fazer uma prova, se for em nível de quinto ano, ele vai fazer a prova. Conseguiu entrar no número de vagas? Não conseguiu, fica na reserva, com a desistência ele vai entrando. Depois daquele período de curso ele recebe um diploma, recebe todo o material necessário e entra no banco de dados da Petrobras pra que as empresas que venham a trabalhar na construção, ou no planejamento do Polo possam ser inseridas. O segundo ciclo já terminou, a gente está no aguardo do terceiro, pra qualificação agora de acordo com o gráfico enviado pela própria Petrobras. Quem leciona são empresas contratadas pela Petrobras, no caso essa última, se eu não me engano, foi o próprio Senai, que destinou os seus funcionários pra lecionarem pra esses alunos. Inclusive o Senai me procurou pra a gente observar melhor o espaço, e nós corremos algumas escolas e eles identificaram a melhor escola pra que isso pudesse ser feito, para que pudesse ser feito o curso. Foi feito no Ciep [Centro Integrado de Educação Pública] da pista de Magé, o 444. A questão da formação profissional] pode melhorar, não só pra Magé, mas como pros outros municípios. Se não tiver o investimento, não digo nem do poder público, que a gente não pode jogar tudo nas costas do poder público, mas, principalmente, da iniciativa privada... Há a necessidade urgente em se qualificar a mão de obra local, porque se isso não acontecer Magé será – não só Magé como Guapimirim, a própria Itaboraí, Cachoeira da Macacu – serão municípios invadidos por outras pessoas. O município vai ficar um inchado, vai ficar um município com todos os seus problemas que são comedidos nesse caso: muita gente, alta especulação imobiliária, o dinheiro não fica ali porque a pessoa que vem de fora, ganha ali, manda o dinheiro pra família e só fica com o dinheiro pra passar aquele mês ou aquele período, o dinheiro mesmo não fica ali na cidade. E, principalmente, a reboque vem a violência, vem a prostituição, muito do que é de ruim. Então essa necessidade da qualificação através das empresas, da iniciativa privada, é importantíssima, se ela não acontecer nos próximos dois, três anos, nós não sabemos qual será o futuro desses municípios no entorno. Fiquei muito feliz, e ao mesmo tempo preocupado [pelo Comperj ser na região]. Feliz pela possibilidade de fazer parte de um sonho antigo, que é o de participar de um processo de qualificação local. Porque a necessidade é de quase 30 mil pessoas para trabalhar direta ou indiretamente no Pólo, e até pela formação técnica que eu já tenho, eu vejo com amplas possibilidades de fazer parte também desse processo. E a preocupação é justamente essa, de a reboque, vir toda a problemática para o município. Porque há a necessidade de ter melhores estradas, há a necessidade de ter uma infraestrutura hoteleira, uma infraestrutura de restaurantes, uma infraestrutura pra receber um investimento desse porte. Nós estamos há 17 quilômetros de Itaboraí, do Pólo Petroquímico. Em linha reta são 17 quilômetros certinhos do centro de Magé até o Pólo Petroquímico. Se nós não nos adequarmos a coisa vai inchar de tal forma que será preocupante. Os fóruns locais ainda estão no processo de regulamentação. Ainda está sendo discutido o regimento interno para uma apresentação de instâncias superiores. Mas posso dizer que tudo que nós temos planejado, temos conversado, é aquela reunião, aquele bate-boca, cada um com as suas ideais, mas é isso que é interessante, estar sempre discutindo e cada um com uma ideia distinta, diferente, porque quer o melhor para o município. Ninguém esta ali como a última reunião, ninguém vai parar num sábado seis horas da tarde, com tantas coisas a fazer, ou até mesmo para dar atenção pra sua família, ninguém vai querer ir pra lá com um interesse pessoal, ou interesse escuso, todo mundo tem um interesse só: é ver o município crescer. E é isso que a gente tem discutido desde da primeira reunião. Agora a gente está em processo de regulamentação, regimento interno, vamos levar essa proposta até a Petrobras, para a avaliação, e a partir daí a gente vai poder trabalhar de uma maneira mais calma, mais tranquila, mais direcionada. O fórum só pode começar a funcionar depois de um decreto ou um projeto de lei, estamos no aguardo, esta em processo [para] que isso venha a acontecer. Acontecendo isso, aí o fórum começa a funcionar de verdade. Está caminhando pra isso. Eu fiquei umas três reuniões sem comparecer por problemas particulares. Mas a última eu fiz um esforço e compareci, dei o meu presente: “Estou aqui”. Pra que todo mundo visse que eu não fugi não, estou na luta também. A Petrobras tem que observar de que maneira [tudo] está sendo feito. Está sendo uma novidade para todo mundo. Essa Agenda 21 esta sendo novidade tanto para a Petrobras, quanto para todos nós. Todos estamos aprendendo com esse processo. Então a gente apresenta o regimento. “Como é que está? “Ah, está legal” “Pô, que bom, isso eu não sabia”. “Não. Isso não está legal” A gente traz, monta de novo. A gente está sempre em contato, em diálogo pra saber de que forma, o jeito que esse regimento vai ficar, de que jeito esse regimento vai se encaixar nos padrões de uma Agenda 21, nos padrões da própria Petrobras e, principalmente, do nosso município, porque ele vai ser utilizado para a localidade, então ele tem que ter o perfil, o jeitão, a cara do município de Magé. O mais difícil de mobilizar é o meu setor. Primeiro setor é o mais difícil, pelas dificuldades, pelo contato, até por outras preocupações, é o mais difícil de se contactar. Mas sempre se tem feito presente ou numa esfera municipal, que sou eu, ou quando não vou tem alguém da esfera estadual, ou da esfera federal. Tem sempre alguém representando. Mas mesmo com as dificuldades a gente está caminhando. Seria interessante que participassem bem mais, mas como isso ainda não é [assim] a gente não vai parar por esse motivo. COMPERJ / MAGÉ / IMPACTOS [Comentam] muito pouco. Quem comenta são aquelas pessoas que já têm a sua opinião formada, grupos de pessoas que fazem parte do processo, mas, em sua maioria, o povo em si não se interessa muito por esse tipo de ação. É complicado Como uma palestra que eu fui dar sobre processo de formação profissional, levei os cartazes do primeiro ciclo de qualificação, isso me marcou muito, me deixou muito triste: “Olha, vocês vão fazer um curso como uma possibilidade, o curso é totalmente gratuito, com a possibilidade de ser inserido no mercado de trabalho”. Aí me fizeram a pergunta: “Quanto eu vou ganhar pra fazer esse curso?” Isso me entristece bastante. As pessoas veem o hoje, não veem a médio prazo, querem o imediatismo. Tudo que é imediato ele quer, sem prever o que vai acontecer lá na frente. Isso me entristece bastante. A pessoa: “É, tem dinheiro? Tem. Não tem? Tô fora” Muita gente vê dessa forma, e isso às vezes a gente fica preocupado. Por esse motivo que a população, não digo nem que olha com ressalvas, ela não enxerga, ela ignora, ela é indiferente. Quando a coisa começar a funcionar, “O negócio é sério. É verdade” Aí ela vai acordar pra coisa, mas enquanto não acontecer... A gente sabe que o processo é longo, é árduo, a gente tem consciência disso. Enquanto a coisa não caminhar o povo vai ficar assim. Mas a gente tem fé e esperança de que isso vai deslanchar, com certeza. Além de Itaboraí, é lógico, Magé será um dos municípios mais impactados, um dos que mais vai sofrer nesse processo todo, por quê? Magé é o município de passagem, é o ponto de passagem pra todo mundo, é um município equidistante dos grandes centros. Magé está a uma hora e dez do Rio de Janeiro, 45 minutos de Niterói, uma hora de Teresópolis, uma hora de Petrópolis, 40 minutos de Duque de Caxias. A gente está num ponto estratégico em relação ao Comperj e ao Polo Gás-Quimico. Quer dizer, tudo terá que passar por ali, tudo terá que acontecer ali, 80% da água que deságua na Baia de Guanabara é de Magé, grande parte das áreas livres e verdes estão em Magé. Hoje, o nosso município, estrategicamente falando, é um dos mais importantes do processo, e se a coisa não for bem encaminhada, planejada, arquitetada pra isso, inclusive o próprio arco rodoviário também já comenta sobre isso, a coisa pode degringolar. Eu digo que depois de Itaboraí, Magé é o município mais importante desse processo, com certeza. Eu espero que o Comperj venha privilegiar os cidadãos de cada município. Que possa se destinar um percentual de vagas pra cada morador. “Ah, tudo bem, mas se você privilegiar, o pessoal não [vai se] qualificar” Mas já tem que se começar a fazer esse processo de qualificação e rápido, e em massa, pra absorver essa população. Porque se não você vai ter um município dormitório, as pessoas vem, trabalham, dormem, devastam e vão embora Tem que haver esse tipo de processo, 50% das vagas para os habitantes de cada município do entorno. Somente assim cada município vai poder caminhar sozinho. Não somente a Petrobras, mas principalmente as empresas que prestarão serviço, elas tem que ter um olhar mais um pouco social para as nossas cidades, elas tem que observar com muito carinho tudo que acontece nas comunidades de cada um dos municípios. Acompanhar, pensar, sentar, dialogar o que seria melhor pra cada um deles. Apoiar as iniciativas de qualificação, de formação, ou de meio ambiente, fazer com que a relação de efeito/renda aumente nesses municípios. É a chance [para] investir em educação, é a chance [para] investir em cultura, é a chance [para] investir em saneamento básico, em esporte, é a chance dessas empresas investirem no município. E a Agenda 21 servirá como um plano de ação para cada uma dessas atitudes das empresas do município, pra que não seja à moda “vamos embora”. Tudo planejado, arquitetado, direcionado, seguindo todos os preceitos, padrões e leis. A Agenda 21 necessita ser obedecida. Na verdade é isso que eu espero, um olhar mais atencioso pra cada um desses municípios, pra sua população, pra tudo que gira no entorno, para o meio ambiente de cada um dos locais, que somente assim a gente vai conseguir crescer de uma maneira ordenada e planejada. É importantíssimo Apesar de eu estar muito nervoso, eu acho importantíssimo, porque eu detesto tirar foto, ficar na frente de câmara, porque é horroroso isso (risos). Mas eu acho muito importante que daqui a dez, 15, 20, 25 anos vão poder comparar o que se pensava, e daqui a 20, 25 anos depois de tudo pronto, já funcionando: “Olha só o que aquele município pensava. O que se tinha naquele município. Hoje a coisa é totalmente diferente. Magé já um município totalmente organizado, ordenado, tudo saneado, a população já esta toda empregada”. Assim é o nosso sonho, daqui esse tempo todo. Isso é muito legal. Eu fiquei muito feliz com o convite, fiquei até lisonjeado por ter sido a pessoa escolhida pela Petrobras pra que isso viesse a acontecer. Fiquei muito, digamos assim, recompensado, porque foram momentos muito complicados os que eu passei, pela cobrança, pelas perguntas maliciosas, e até mesmo pela rejeição. Me senti muito gratificado por ter sido escolhido, fiquei muito feliz por isso. E saber que “vou fazer parte da história”. Eu quero muito agradecer por isso.
Recolher



.jpg)