Vidas Negras

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Vidas
Negras

Vidas Negras é um filme, uma exposição, um livro sem páginas marcadas. Trata de histórias, de memórias, de nomes e sobrenomes, de palavras que poderão definir uma existência, de fotografias que guardam essa mesma existência entre distância, aconchego, passado, presente, futuro.

Uma exposição em quatro episódios a partir do olhar do curador Diógenes Moura sobre as vidas de famílias e personagens negros presentes no acervo do Museu da Pessoa.

FICHA TÉCNICA

PROGRAMAÇÃO VIDAS NEGRAS

Exposição Vidas Negras

Curador
Diógenes Moura

Vídeos – Direção e roteiro
Diógenes Moura
Daniel Kfouri

Site
Molaa

Programa Conte Sua História

Entrevistas
Day Rodrigues
Jonas Samaúma
Karen Worcman
Lucas Lara
Wini Sabino

Captação e Edição de Vídeos
Coletivo Pujança

Mostra Audiovisual

Comitê Curatorial
Day Rodrigues
Luciara Ribeiro
Sueli Carneiro

Gestão e Site
Molaa

Ação Educativa

Concepção e Coordenação
Roberto da Silva

Apoio Educativo
Lucas Lara
Marcia Trezza
Sônia London

Podcast

Edição de Áudio
Regis Salvarani

Sarau Narração de histórias

Contadores de histórias
Jonas Samaúma
Sandra Lessa
Simone Oliveira

INSTITUTO MUSEU DA PESSOA

Karen Worcman
Diretora-Presidente

Marcos Terra
Direção Executiva

Museologia
Lucas Lara
Felipe Rocha
Flora Gurgel
Jader Chahine
Monalisa Santos
Renata Pante
Wini Sabino

Desenvolvimento Institucional
Pedro Carioca
Anna Bella Bernardes
Eduardo Valente
Erik Araújo
Julia Schneider
Laís Azevedo
Nathan Torres
Rapha Russi

Relações Institucionais
Rosana Miziara

Tecnologia e Inovação
Danielle Santos

Administrativo
Ricardo Vilardi
Allan Fava
Dalci Alves da Silva
Erika Viana

Voluntariado e Multiplicação
Marcela Lanza

Projetos
Renato Herzog
Ane Alves

Estagiários de Acervo
Ana Carolina Calderaro
Bruna Ghirardello de Oliveira
Camila Catani Ferraro
Carolina Maria Fossa
Fernando Martins
Gabriela Rabaçallo Ramos
Grazielle Teixeira
Joice Yumi
Leticia Mendonça
Teresa de Carvalho Magalhães

Todo Sangue é Vermelho

episódio um

Todo Sangue é Vermelho é uma frase (aqui voa como um verso) pronunciada por Cida Baú, no seu depoimento ao Museu da Pessoa. Ultrapassa limites, ultrapassa preconceitos, ultrapassa as anomalias do politicamente correto, ultrapassa a superfície do já agonizante mundo digital. Possui o desejo de propor um outro tempo entre o olhar do espectador e o que está visível na tela, diante dos patológicos olhos apressados do mundo contemporâneo.

Álbum família Marcos Santos. Local não identificado, 1952.
Acervo Museu da Pessoa

O olhar em destaque

Álbum família Semayat Silva e Oliveira. Sem local, sem data. / Acervo Museu da Pessoa

Os filtros do instagram

O que o seu retrato quer de mim?

episódio dois

Um retrato sempre será uma assinatura. Com o tempo, as letras mudam, a face muda, os lábios mudam, os olhos dizem outra coisa. O Que o Seu Retrato Quer de Mim? é um vídeo, uma exposição com um olhar por dentro do outro, uma cédula de identidade, uma carteira de trabalho, um passaporte para o antes e o depois. Preste bem atenção no que cada um desses retratos têm a dizer: risco fino, transparência, solidão.

Veja, na íntegra, o texto do curador sobre o retrato.

UM NOME

Um retrato será para sempre um retrato. Um livro aberto. Um veredicto. Quando o fotógrafo se expõe diante do “outro” ou haverá a verdade ou o suicídio. Não existe um retrato “mais ou menos”. Um retrato não é um pôr do sol. Pode ser um grito ou o extrato de um longo silêncio. Em qualquer lugar do mundo esse “outro” será sempre ele mesmo. Quem deverá se modificar é o fotógrafo. Cabe a ele perceber a pele invisível que está presente entre um e outro para mais adiante explodir em fotografia. O verdadeiro retrato não deixa rastros. Não se trata de uma questão de iluminar o outro com a luz perfeita. Anoitecer na imagem ao sol do meio dia. Um retrato não trata de uma iluminação exterior. Também não é o caso de descobrir a beleza interior, esse pensamento pífio da modernidade com inteligência artificial. Em casos raros um retrato é capaz de ultrapassar uma palavra. Com nome e sobrenome. Em cada um deles a pergunta decide o que está por vir: quem é você? O que o seu retrato quer de mim?

Descubra um segredo

Olhe bem. A mulher sozinha, deslocada para a direita em 60% da fotografia faz com que o retrato também esteja só. Em uma fotografia não mental, tudo é harmonia: a escada, a bolsa, a caixa de luz, as portas, as janelas, a diagonal do telhado, o preto e o branco se esvaindo na linha do tempo. Sabe por que isso acontece?
Porque o olhar não vê.
O olhar enxerga.

Álbum de família de Maria Helena dos Santos. Local não identificado, ano desconhecido. / Acervo Museu da Pessoa

O Amor

episódio três

Se amar é um verbo intransitivo, como escreveu o poeta, um pequeno filme sobre o amor é uma ilha entre o que amacia e o que arranha. Se amar não morde, o mesmo pequeno filme pode não ferir, mas tirar pequenos pedaços. Nada em um pequeno filme sobre o amor passa em vão: dor e prazer, olhos arregalados, palavras como flechas, violência e paixão. Se o amor não morde, o que assopra é Ilha e destino: pode mudar a cada instante.

Uma imagem-elegância: simples, por isso mesmo, sofisticadíssima. Tudo dentro do “quadro” se integra: os olhos, os corpos, os objetos, o figurino, as mãos. Trata-se de uma imagem quase desenhada. Mesmo assim, não mental, realizada em um tempo em que ainda não éramos tão medíocres. É profunda, verdadeira. Se o casal se ama? Pergunte ao silêncio que há em cada um desses olhares.

Álbum de família de Zilda Noronha Miné. Zilda e seu irmão (ambos à direita) com os noivos Neuza e Irineu. O noivo sempre disse que Zilda seria madrinha do seu casamento. Pindamonhangaba (SP), 1955.

Eis uma fotografia sobre o amor, sobre o desejo. Preste bem atenção: uma noiva, sozinha, à beira de si mesma, sentada no banco de uma igreja qualquer. Existe amor no seu olhar? Se existe, esse amor vem do cérebro ou do coração? E se não for amor? E se não for desejo? O que seria, então?

Álbum de família de Neon Cunha. Sua mãe, Sarlete dos Afonso Cunha aos 22 anos no dia de seu casamento, Delta (MG) / Acervo Museu da Pessoa

próximo episódio

Os Nomes
dia 05 de novembro