Contar Para Viver

“A coisa mais importante do ser humano é a narrativa. Sem narrativa, é como um ator no palco que não sabe o roteiro”

Gilberto Dimenstein

Esta exposição é uma viagem pelo Brasil e pelas memórias dos tempos e espaços de nossas vidas. Os personagens da exposição narram suas origens, suas memórias de infância, suas experiências pessoais e refletem sobre o sentido da vida.

Ela complementa o filme PESSOAS – Contar para Viver, um documentário sobre o Museu da Pessoa a partir do olhar de 5 documentaristas sobre as mais de 18 mil histórias de seu acervo.

Tudo que passei na minha vida foi com um olhar. Agora esse olhar é diferente. É o olhar de quem reaprendeu a ver a vida pela ideia da morte.

Eu descobri uma nova vida perdendo a vida.

Esse é o resumo.

Meu pai era filho de índia.

Índia, índia, índia. Pega no mato.

Maria Iraildes Valente de Menezes

Iraildes nasceu em 1959 em um seringal em Campo Lindo, no Acre. Aprendeu a pescar com a mãe. Em 1978 mudou-se para Mutum-Paraná, em Rondônia. Lá, conheceu seu marido, teve 4 filhos e viu a ascensão e queda do garimpo. Em 2010, às vésperas de sua cidade ser inundada devido à implantação da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, contou sua história ao Museu da Pessoa.

Para conhecer a história completa de Iraildes, clique aqui.

A gente passou quatro dias juntos, grudados, brincando, jogando bola, conversando. Foi uma coisa de louco, eu conheci aquele cara, falei: ‘Caralho, tô conhecendo o meu pai!’

Pedro Cezar

Pedro Cezar nasceu em 1966 no Rio de Janeiro. Filho de pais militantes durante a ditadura, foi criado pelos avós em Recife.

Surfista, poeta e cineasta premiado, foi um dos documentaristas convidados para participar do filme Pessoas- Contar Para Viver.

Contou sua história ao Museu da Pessoa em 2018.

Eu tinha muita vontade de brincar com boneca. Vivia falando em boneca, mas eu não sabia como é que era. Eu “ponhava” sabugo de milho, enrolava um retalhinho de pano na cintura e falava: “Boneca deve ser assim”. Fazendo a imaginação, fazendo a experiência

Izabel Mendes

Ela atrapalhou muito, essa tal de barragem. Ninguém queria sair daqui não. Eu queria ficar mesmo no meu Pilão Velho… Só quem tira água daqui é Deus! Eles sabem fazer barragem, mas não água. Quem sabe fazer água é Deus!

Maria do Socorro Dias Santos (Dona Pequenita)

Eu comecei a querer sumir dentro do colégio, me tornar invisível… até que um dia eu descobri um lugar maravilhoso. Era um silêncio… nunca entrava ninguém. Era a biblioteca do colégio.

Luiz Ruffato

Algumas coisas começaram a me incomodar, quando tinha comemoração do Dia do Índio, os professores falavam assim ‘o índio pescava, o índio caçava’, como se as coisas não mais existissem…

Kaká Werá

Eles olhavam…aí a dúvida: é professor ou professora?

Herbe de Souza
Conheça a última história desta exposição na próxima segunda-feira (10.ago)