Caminhos do Mar: memórias do comércio da Baixada Santista

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Ano: 2002

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Caminhos do Mar: Memórias do Comércio da Baixada Santista integra o projeto Memórias do Comércio em São Paulo. O projeto, uma iniciativa do SESC São Paulo realizada pelo Museu da Pessoa, começou contando a história da cidade de São Paulo (1994) seguiu para o interior abrangendo a região de Araraquara e São Carlos e partiu para o litoral com a história com a história da Baixada Santista.

O objetivo era compor um painel rico e vivo da evolução do comércio e das cidades. A história resgatada a partir de depoimentos é uma história multifacetada, plena de emoções e detalhes do cotidiano. Por meio dos depoimentos percebemos diferentes leituras sobre as aventuras e desventuras do comércio e vislumbramos como, por exemplo, iniciativas empreendedoras resultaram em marcas de regiões e cidades.

O projeto Santista resultou em um livro, um site e uma exposição, inclui uma pesquisa nos arquivos da cidade, um levantamento histórico sobre as cidades da Baixada Santista e um mapeamento de 150 representantes das atividades de comércio e serviços específicas da região, das quais 22 nos cederam depoimento. A premissa é a de que cada tem seu valor e abre uma nova perspectiva sobre a realidade. Nesse sentido, o critério para levantamento e seleção dos entrevistados não foi o sucesso nem o destaque nas atividades, mas sim o de conseguir criar um mosaico de experiências. Chegamos assim à corretagem de café, à exportação e importação, ao fornecimento de navios e aos despachos aduaneiros, sem deixar de lado ramos de atividade mais tradicionais como armarinhos, alimentação, medicamentos, móveis e eletrodomésticos.

O livro tem como base a edição dos depoimentos, contextualizados por textos informativos. As imagens vieram tanto de pesquisa em arquivos públicos e privados quanto do acervo dos próprios entrevistados. Os capítulos seguem uma estrutura cronológica, mesmo que não linear. Café, Porto e Hotéis (1930-1946) fala da “era dos corretores”, dos últimos anos da aristocrática “Santos do Café” que com a mesma elegância jogava de dia na Bolsa da Rua XV e à noite nas roletas dos grandes hotéis-cassino da orla. Mas por extensão trata também de toda a economia do café e do porto, de ontem e hoje, entendendo que essas atividades no presente são simples continuidade de um processo anterior. Os Dias do Centro (1946-1964) aborda os tempos de industrialização, e a introdução do american way of life: automóveis arranha-céus na orla, Via Anchieta, veranistas, indústrias em Cubatão, eletrodomésticos, televisão. Surgem novas lojas novos produtos, e o comércio no Centro atinge o seu auge. O Comércio no Rumo da Praia (1964-1977) traz muitas transformações: o Gonzaga se torna o grande ponto de encontro do comércio de Santos; o Centro tradicional começa a ser esvaziado. Surgem as galerias e o Boqueirão ganha o Supercentro, o primeiro shopping center do país. Em Sobrevivência e Expansão (1977-2001) falamos dos dias de hoje: a Zona Noroeste surge com novas estratégias de sobrevivência, e empreendedores apostam em novos caminhos para a região.

Alguns narradores foram escolhidos como “âncoras” em cada capítulo. Em torno de suas histórias foram organizados pequenos trechos de depoimentos. Esta “escolha” não seguiu um julgamento de valor. A seleção deveu-se antes a nossa percepção de que algumas histórias permitiam alinhavar cada capítulo. No entanto, certamente é no conjunto de depoimentos que conseguimos vislumbrar, mesmo que de forma impressionista, o que foi e é o cotidiano das relações sociais que caracterizam a região.

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